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Tropical - Capítulo 22

 

Web Novela

Autor: Lucio Miranda

 

Abertura:

Cena 01 (Tropical Center | Escritório de Flávia | Manhã)

 

ϡFlávia permanece paralisada em estado de choque.

 

FLÁVIA (Pasma): Mas que brincadeira é essa? Como você...

 

YARA: Está viva? Ah... Digamos que eu recebi uma ajuda externa de terceiros. 

 

ϡFlávia começa a passar a mão nos cabelos em sinal de nervosismo.

 

FLÁVIA (Em negação): Isso não pode estar acontecendo. Não é possível que tudo tenha dado tão errado assim...

 

YARA: É bem possível sim. Sabe Flávia, você é uma mulher muito instável. Tanto emocionalmente quanto em ações. E é aí que mora o problema, você nunca para pra pensar, refletir, sempre age por impulso.

 

ϡFlávia se silencia, mas não esconde seu ódio.

 

YARA: Como pode ver, nada do que tentou fazer comigo resultou em algo, e em menos de 48 horas eu retornei. Mas com um detalhe, voltei com apenas um único objetivo em mente. Acabar com a sua raça!

 

ϡExclama enquanto encara Flávia com seriedade.

 

Cena 02 (Quiosque | Manhã)

 

ϡLucas está de braços cruzados esperando Léo falar alguma coisa.

 

LUCAS: Vamos Léo, não tenho todo tempo do mundo.

 

LÉO (Nervoso): A verdade é que... eu... 

 

LUCAS: Que você… vai, termina.

 

LÉO: Tô sem um único centavo no bolso. O cheque sem fundo pertencia a minha família, que perdeu tudo o que tinha recentemente.

 

ϡLucas ao ouvir a verdade dos fatos, se surpreende.

 

LUCAS: Então você...

 

LÉO: Isso mesmo. Não poderia pagar a hospedagem nem se eu quisesse. É por isso também que eu preciso de ajuda, da sua ajuda. Você é a única pessoa aqui que demonstrou qualquer empatia comigo.

 

LUCAS: Léo isso é um absurdo.

 

LÉO: Eu sei, mas é a única escolha que me resta. Se eu voltar pra Salvador muito provavelmente vou ser morto na mão de algum agiota. Por essas e outras que eu preciso de você. Eu faço qualquer coisa que me pedir, mas por favor não me dedura pra ninguém.

 

ϡLucas se mostra sem reação diante do que ouviu.

 

Cena 03 (Cabana de Malya | Interior)

 

ϡHavana e Malya adentram o local.

 

HAVANA: Nunca pensei que um dia voltaria a pisar nesse lugar.

 

MALYA: Eu sei. Por isso eu vivo falando que não dá pra falar com 100% de certeza a respeito do futuro. O dia de amanhã é sempre incerto.

 

HAVANA: Será que a senhora pode ir direto ao ponto?  Quer conversar comigo a respeito de que? Vai me diminuir e insultar como fez da última vez?

 

MALYA: Não. Isso não será necessário. Você mudou como pessoa Havana, aprendeu com seus erros e virou alguém melhor. 

 

HAVANA: Não graças a senhora.

 

MALYA: É, mas está atrelado a aquilo que te disse aquela última vez. E olha só, estamos aqui agora novamente numa situação semelhante. Mais uma vez o destino me colocou na sua vida. 

 

HAVANA: De fato e estou tentando entender até agora o porquê.

 

MALYA: O porquê é muito simples. Você está correndo um grande perigo e desconhece a existência dele. 

 

ϡHavana ao ouvir o que a mulher diz, se mostra espantada.

Cena 04 (Escritório de Flávia | Interior)

 

ϡFlávia decide não se calar mais e também ameaça Yara.

 

FLÁVIA (Séria): Só toma cuidado, porque assim como eu, você pode se dar mal também.

 

YARA: Talvez... Mas diferente de você eu sei pensar antes de tomar alguma ação. Mas me responde uma coisa, você faz o que faz apenas por gostar da Havana? Ou há algo a mais aí?

 

ϡFlávia não responde. Yara se põe de pé e continua.

 

YARA: Porque se esse for mesmo o fator principal, acredito que esteja indo numa direção completamente equivocada. Afinal, amor que é amor não carrega dor e desgraça consigo. Ele tem justamente o objetivo oposto. Mas creio que no fundo o que você sinta pela Havana seja tudo, menos amor. Suas ações não correspondem a de alguém apaixonado, e sim de uma pessoa que está desesperada pela atenção e reciprocidade da outra. O que, francamente, é uma pena.

 

FLÁVIA (Nervosa): Cala a boca! Você não sabe nada de mim e muito menos o que eu sinto.

 

YARA: Mas sei do que você é capaz. Dos atos baixos para conseguir aquilo que quer.

 

FLÁVIA: Seja objetiva. Afinal, o que você pretende agora hein? Me explanar pra Havana? Denunciar? 

 

YARA (Séria): Se eu quisesse mesmo te denunciar, teria feito lá em Salvador mesmo quando tive essa oportunidade. 

 

ϡYara caminha até Flávia e para em sua frente. As duas se encaram e posteriormente a moça prossegue.

 

YARA: Não vou ser burra o suficiente para falar das minhas intenções ou próximos passos, mas você mexeu com quem não deveria Flávia, e a partir de agora vou fazer o máximo possível pra te ver no chão. Será um processo lento e doloroso, e no final você verá que tudo de mal que fez, se voltou em dobro contra si mesma.

 

ϡApós dizer isso, ela sai de perto e caminha até a porta de saída. Porém, antes de se retirar, olha para trás e murmura mais uma última coisa.

 

YARA: Só digo uma última coisa, aproveita o momento. Porque daqui pra frente é só ladeira abaixo que sua vida vai seguir!

 

ϡAo concluir tudo o que havia para ser dito, Yara abre a porta e retira-se. Flávia, por sua vez, se descontrola. Em um estado profano de crise, ela vai até a mesa e joga tudo que havia sobre ela no chão. A seguir vai aos poucos em direção ao chão onde se permite a chorar de ódio. Afinal, era a única coisa que lhe restava fazer no momento.

 

Cena 05 (Cabana de Malya | Interior | Manhã)

 

ϡHavana segue em espanto.

 

HAVANA: Do que a senhora está falando? Que perigo é esse? 

 

MALYA: Eu não posso dar mais detalhes, mas...

 

ϡHavana interrompe a mulher com uma gargalhada sarcástica.

 

HAVANA: É claro que não. A senhora nunca pode falar nada, sempre faz a mesma coisa. Diz a insanidade que viu e depois desconversa com balelas. Foi assim há 20 anos atrás e pelo visto vai ser igual agora.

 

MALYA (Séria): Eu não digo por uma razão óbvia. É muito perigoso falar desses aspectos de maneira explícita, pode trazer graves consequências que normalmente não ocorreriam.

 

HAVANA: Pra mim não há nada mais grave que a morte. E lembro exatamente do que a senhora me disse da última vez que nos vimos...

 

FLASHBACK INÉDITO • INÍCIO

 

ϡHavana visivelmente mais jovem, está na frente de Malya. Ambas estão sobre a praia.

 

MALYA: Se você continuar a ser, esse ser egoísta e prepotente que é, vai uma hora destruir a vida da pessoa que mais ama e tanto se preocupa com você.

 

HAVANA: Então diz pra mim qual a receita pra mudança que você tanto diz. Vai, fala a fórmula mágica. 

 

MALYA: Não existe fórmula mágica ou milagres para mudar o caráter de alguém, isso vai da própria pessoa. Ela precisa reconhecer os seus erros, e chegar a conclusão por si mesma, de que permanecer naquilo irá destruir ainda mais a vida dela. No caso a sua.

 

HAVANA (Estressada): Quer saber, eu estou farta da senhora. Das suas palavras que mais parecem sair de livros de auto-ajuda. Pra mim basta! 

 

ϡSem qualquer vontade de permanecer ali, Havana se retira e Malya acompanha com os olhos a mesma ir afastando-se.

 

FLASHBACK • OFF

 

MALYA: E hoje te pergunto, eu no fundo estava certa não é? Realmente precisou uma tragédia ocorrer para você acordar.

 

HAVANA: É, mas isso poderia ter sido evitado se a senhora tivesse me dito com propriedade com quem iria decorrer a tragédia.

 

MALYA: E que diferença faria? Tragédias são tragédias. Eu te dei a chance de refletir e o que fez? Recusou. Como está recusando agora. Preciso falar qual é o próximo passo? 

 

ϡHavana pela primeira vez, se acalma por um instante e começa a refletir nas palavras proferidas pela mulher.

 

Cena 06 (Quarto | Interior)

 

ϡPedro está deitado em sua cama. No início da manhã, Isabella havia o deixado sozinho, tal condição que o mesmo almejou estar. Entretanto, logo o barulho da campainha começa a percorrer o ambiente. Sem qualquer ânimo ele permanece parado no lugar sem qualquer pretensão de se levantar. Porém, o barulho continua e logo isso acaba irritando-o.

 

PEDRO (Irritado): Mas que insistência!

 

ϡMovido a um impulso de raiva, ele se levanta da cama e caminha até a porta. Mas ao abri-la e ver quem estava ali, seus olhos rapidamente se arregalaram de surpresa.

 

PEDRO (Surpreso): Yara?

 

ϡA moça lhe encara de volta com um pequeno sorriso. 

Cena 07 (Rua | Manhã)

 

ϡLéo e Lucas andam pela rua. O primeiro havia acabado de relatar a respeito da história recente de sua vida.

 

LÉO: Então depois de perder todo nosso dinheiro, ele simplesmente sumiu. Fugiu pelo mundo e há algum tempo descobri que morreu durante um assalto em algum bar de Firenze.

 

ϡLucas esboçava espanto em sua face. 

 

LUCAS: Poxa Léo, não imaginaria que tanta coisa desse tipo pudesse ter acontecido com você.

 

LÉO: Entende agora o meu desespero? Se eu voltar pra Salvador e descobrirem, é capaz de no dia seguinte me acharem morto. E pelo menos por agora, não tenho a mínima condição de fugir para outro lugar. 

 

ϡLucas o encara receoso, ele sabia o preço que teria ajudar Léo. Mas após um profundo suspiro, decide correr o risco.

 

LUCAS: Tudo bem Leo, eu vou confiar na sua palavra e te ajudar. Mas se eu descobrir que mentiu, vou ser o primeiro a denunciar por crime de estelionato. Estamos entendidos?

 

ϡLéo em meio a um sentimento de animação e alívio, gesticula concordando.

 

Cena 08 (Cabana de Malya | Interior)

 

ϡHavana permanece pensativa. Entretanto, após analisar o paralelo entre passado e presente, ela dá um suspiro e olha atentamente para Malya.

 

HAVANA (Admitindo): Você tá certa... Mas o que eu posso fazer para contornar isso? 

 

MALYA: Começando por você ficar de olhos bem abertos, analisar e repensar as pessoas próximas a você, suas ações, caráter, e o mais importante, as amizades que nutre com elas. 

 

ϡContextualiza a mulher dando ênfase a palavra "amizades". Havana, em contrapartida, se atenta a isso emite uma expressão séria em seu rosto.

 

(FIM DO CAPÍTULO)

 

Créditos ao som de (The Vever - Bitter Sweet Symphony):

05/05/2022

 

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