Tropical - Capítulo 21
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Autor: Lucio Miranda
Abertura:
ϡAs horas se passam rapidamente, logo a noite cai trazendo consigo uma leva de preocupação.
Cena 01 - Ilha Tropical (Resort Tropical Center | Interior | Noite)
ϡHavana adentra o local cabisbaixa. Em seguida se ajeita em algumas poltronas na recepção e suspira entristecida. Pedro posteriormente surge no ambiente e ao vê-la naquele estado profano de lamentação, tem a confirmação que as coisas não saíram como esperado. Desanimado ele se aproxima.
PEDRO: É... Pelo visto as coisas não mudaram muito de patamar.
HAVANA: Eu não sei mais aonde procurar. Tirando a parte alta da ilha e o labirinto de cavernas no meio do mato, fui em todos os outros lugares.
PEDRO: Tomara que a guarda costeira tenha encontrado alguma coisa.
ϡLuana surge no local. E julgando por sua expressão pouco animada, as notícias também não eram animadoras.
PEDRO: Luana... E aí?
LUANA: Eles começaram a fazer buscas pelos arredores, mas até agora nada. Vamos precisar aguardar.
ϡPedro ao ouvir a resposta da mulher, desanima completamente. Com os olhos marejados, ele sai de perto e começa a caminhar pelo saguão da recepção.
PEDRO (Lacrimejando): A senhora me desculpa dona Havana, mas...
HAVANA (Deprimida): Sim. Pode se retirar, tá dispensado.
ϡPedro não diz mais nada e apenas se limita a juntar o restante de suas forças para se ver livre dali.
Cena 02 (Hotel 3 | Elevador | Interior)
ϡPedro está recostado sobre a parede lisa do ascensor. Se aproveitando do seu breve momento de solidão, as lágrimas emergem de seu rosto sem cessar.
PEDRO (Chorando): De novo isso... Eu não aguento mais.
ϡAs portas se abrem e Isabella que se encontrava na espera, o vê nesse estado.
ISABELLA (Espantada): Pedro! Meu Deus...
ϡO rapaz sem forças, acaba desabando no ombro da moça, onde se permite colocar para fora todas as lágrimas que se encontravam presas dentro de si.
Cena 03 (Tropical Center | Recepção)
ϡLuana está sentada numa poltrona ao lado de Havana. O clima era tão pesado e melancólico, que durante bons minutos o silêncio era o protagonista. Enquanto uma pensava a respeito dos sentimentos que havia desenvolvido pela desaparecida, a outra pensava em uma maneira de desmascarar a possível responsável por toda essa maré de infortúnios.
"FLÁVIA (OFF): Ótimo. Então diga. Vamos ver em quem ela vai acreditar. Se é na irmã que ficou vinte anos sem dar notícias, ou na amiga que sempre esteve aqui quando ela mais precisou."
ϡAs palavras carregadas de ironia, voltam mais uma vez a reverberar no consciente de Luana, que mesmo não querendo se deixar abalar por uma mera provocação, a longo prazo se torna inevitável, afinal era algo que de certa forma lhe consumia culpa.
LUANA: Havana... Sei que esse não é o melhor momento, mas gostaria de te perguntar uma coisa.
ϡHavana vira seu rosto e encara a irmã, a seguir gesticula para ela prosseguir.
LUANA: Você... Tipo, me acha uma irmã ruim?
ϡSurpresa. Era como Havana se sentia em relação a aquela pergunta. Definitivamente não esperava tal indagação.
HAVANA: Porque você tá me perguntando isso?
LUANA: Sei lá, às vezes parando pra pensar, eu noto que não sirvo pra muitas coisas aqui. Fora os últimos vinte anos separadas.
HAVANA: Luana eu já te falei, passado é passado. Você mesma fez questão de colocar isso na minha cabeça.
LUANA: Eu sei. Mas às vezes tenho essa questão dentro de mim. Às vezes penso que posso fazer muito mais pra te ajudar.
HAVANA: Só o fato de você estar aqui ao meu lado nesse momento, já me ajuda muito. A qualidade de alguém não está em atos grandiosos, e sim nas pequenas coisas do dia a dia que fazem a diferença.
ϡLuana se silencia, mas não esconde a admiração pelas palavras proferidas pela irmã.
Cena 04 (Quarto | Interior | Noite)
ϡApós colocar parte de sua dor pra fora, Pedro se encontrava deitado no colo de Isabella, que estava sentada com a coluna recostada na cabeceira da cama.
PEDRO: Obrigado... Por me ajudar nesse momento tão difícil. Não faz ideia o quanto isso representa pra mim.
ISABELLA: Pode contar comigo pro que precisar.
PEDRO: É a terceira vez que passo por isso. Essa angústia de ver alguém que você ama desaparecido e possivelmente morto por aí.
ISABELLA: Nada é ainda totalmente certo. Temos que cultivar esperanças.
PEDRO (Abalado): Esse é o problema. Às vezes fica difícil tentar manter as esperanças ativas, quando tudo conspira contra. Às vezes eu não sei como ainda estou aqui. Diante de tudo que vem acontecendo na minha vida, já era pra eu ter me associado a alguma facção criminosa e em consequência ter morrido em algum tiroteio.
ISABELLA: Disse bem. "Era", não é. Você é uma pessoa forte Pedro. E por mais difícil que seja acreditar, dias melhores virão. Pode demorar, mas eles virão.
PEDRO: Espero...
ϡMurmura num fio de voz.
Cena 05 (Suíte de Havana | Interior)
ϡHavana se encontra deitada em sua cama. A mesma não consegue dormir de maneira alguma, tanto que sua única reação é a de observar a superfície branca do teto acima. Eventualmente o som da campainha se faz presente. Sem qualquer pingo de disposição para sair da inércia da qual se encontra, a mulher resolve conferir quem está do outro lado apenas por um soar de voz.
HAVANA: Quem é?
FLÁVIA (Voz): Sou eu.
FLÁVIA: Entra, tá aberta!
ϡApós isso a maçaneta se mexe e a porta se abre. Flávia adentra o local e prontamente caminha em direção a cama de Havana.
FLÁVIA: Fiquei sabendo do sumiço da funcionária. Embora tenhamos nossas divergências, ela devia ser muito importante pra você né?
ϡHavana olha para o rosto da amiga e gesticula em confirmação. Flávia se senta na cama e fica ao lado da mulher.
HAVANA: Sabe quando você acaba criando um vínculo maior do que o esperado por alguém, e essa pessoa em consequência te faz passar por momentos extremamente difíceis e doloridos?
ϡFlávia rapidamente enrijece seu rosto em uma expressão séria. A seguir gesticula a cabeça confirmando.
HAVANA: Nunca pensei que fosse possível acontecer, mas acho que acabei me apaixonando pela pessoa errada mais uma vez.
FLÁVIA: É... Acontece muito.
HAVANA: Pelo menos uma vez eu gostaria de não sofrer por amar alguém.
ϡCom um olhar ambíguo, Flávia encara a amiga e em resposta balbucia.
FLÁVIA: Talvez a pessoa certa esteja mais perto do que imagina. Às vezes você já pode sei lá... Ter até cruzado com ela, conversado...
HAVANA: É... Talvez.
ϡMurmura pensativa. Flávia, em resposta, direciona seu olhar para um ponto onde Havana não pudesse enxergar. Após tomar essa ação, ela dá um pequeno suspiro frustrado.
•••
DIA SEGUINTE.
Cena 06 (Quiosque | Manhã)
ϡLéo se senta em uma das mesas do local. A todo momento ele olhava em volta para conferir se não estava sendo seguido ou observado. Pensando estar seguro ali, ele suspira aliviado. Entretanto, alguns segundos depois uma mão pousa em seu ombro, fazendo-o se assustar.
LÉO (Assustado): Não! Por favor! Eu prometo dar um jeito e pagar!
LUCAS: Então é verdade mesmo.
ϡAo ouvir a voz do rapaz, Léo se vira e olha um pouco aliviado.
LÉO: Ah, é você Lucas... Que susto. Pensei que fosse...
LUCAS: O funcionário da recepção?
LÉO: É... Espera, como você sabe?
LUCAS: Eu descobri o que você fez, aliás todos os funcionários estão sabendo já. Que história é essa de você apresentar um cheque sem fundo pra pagar seu pacote de férias?
LÉO: É... Pelo visto a notícia se espalha mesmo rápido por aqui.
LUCAS: Não tenta desviar o assunto não. Eu quero saber dessa história e agora! E se recusar a me contar, eu aciono o restante do pessoal.
ϡLéo olha para o rapaz um pouco intimidado. Já Lucas, permanece sério.
Cena 07 (Praia | Manhã)
ϡHavana molha seus pés com as águas do mar. Com o coração acalentado e um desespero em escala menor, ela olhava para águas cristalinas que entravam em contato com seus pés.
HAVANA: Esse mar... É incrível como ele toma conta de uma boa parte da minha vida. São tantas histórias... Momentos...
— De fato. O mar é cheio de segredos.
ϡAo ouvir a voz, ela prontamente se vira para identificar quem se pronunciou, encontrando em seguida Malya bem ao seu lado. Imediatamente Havana a reconhece.
HAVANA (Espantada): A senhora...
MALYA: Olá Havana, há quanto tempo o destino não nos une hein.
HAVANA: Dona Malya. Eu não acredito que isso esteja mesmo acontecendo.
MALYA: Eu disse que um dia iríamos nos reencontrar, e esse dia chegou, Havana. Nós duas precisamos ter uma conversa.
ϡEm resposta, Havana olha para Malya de maneira séria, ainda incrédula com o que seus olhos lhe mostravam.
Cena 08 (Escritório de Flávia | Manhã)
ϡFlávia chega até a porta do local, a seguir a abre e adentra o espaço. Entretanto, ao olhar para sua mesa, vê a cadeira de costas e também percebe que há alguém a ocupando.
FLÁVIA (Confusa): Mas que diabos é isso?
ϡQuestiona sem compreender aquilo que estava vendo. Quase que imediatamente, a cadeira se vira. Ao fitar quem estava ali sentada, a mulher abre uma expressão de espanto.
FLÁVIA (Espantada): Você?
YARA (Sorrindo): Olá Flávia. Feliz em me ver?
ϡPergunta de maneira irônica, fazendo com que a expressão de espanto de Flávia, rapidamente se eleve para uma de nervosismo.
(FIM DO CAPÍTULO)
Créditos ao som de (The Vever - Bitter Sweet Symphony):
04/05/2022
©️ GS Literatura.