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Tropical - Capítulo 18

 

Web Novela

Autor: Lucio Miranda

 

Abertura:

ϡAs águas do mar se encontravam agitadas. As ondas eram enormes e a tempestade junto com seus barulhentos trovões, deixava o clima ainda mais mórbido e assustador. Pela tormenta o navio cargueiro se locomovia com imponência.

 

Cena 01 - Mar (Navio | Porão | Engradado | Interior)

 

ϡApós um período considerável de inconsciência, os membros de Yara começam lentamente a se mover. Suas pálpebras aos poucos iam abrindo e seus lábios também se mexiam. Após algum tempo tentando recobrar os sentidos, ela finalmente consegue e percebe a situação pela qual foi imposta.

 

YARA (Assustada): Aonde eu tô? Que lugar é esse?

 

ϡRapidamente ela tenta bater na tampa a fim de fazê-la se abrir, mas é em vão.

 

YARA (Desesperada): Abre porcaria! Abre!

 

ϡPercebendo que seus esforços são inúteis, para por um momento e respira fundo exausta. 

 

YARA (Exausta): Preciso pensar em alguma outra forma.

 

ϡConclui enquanto tenta se recuperar da ação anterior.

 

Cena 02 - Ilha Tropical (Tropical Center | Escritório de  Havana | Tarde)

 

ϡEnquanto trabalha, Havana ocasionalmente olha para a janela, onde fita o caos causado pela tempestade no exterior do prédio.

 

HAVANA (Preocupada): E essa tempestade que não para nunca... Não tô gostando disso.

 

ϡLuana entra na sala. A mesma encontra- se encharcada.

 

LUANA: Acho que não foi uma boa ideia tentar correr até em casa.

 

ϡHavana ao ver a situação da irmã, desmancha a feição preocupada e começa a rir.

 

HAVANA: Parece que levou um jatão daqueles caminhões de bombeiro.

 

LUANA (Rindo): Parece mesmo.

 

ϡA seguir, ambas a seguir param de rir, e olham a janela.

 

HAVANA: Essa tempestade não me trás boas lembranças...

 

LUANA: Por causa da Yara?

 

HAVANA: Sim. Só consigo pensar nela e naquele dia na praia.

 

LUANA: Procura relaxar, isso é só a sua cabeça criando devaneios pra te angustiar. A Yara a essas horas deve provavelmente estar no quarto dela em segurança.

 

HAVANA: É... Você tá certa. 

 

ϡMurmura concordando com o argumento pressuposto pela irmã, embora internamente ainda demonstre uma pequena dose de preocupação.

 

Cena 03 - Mar (Navio | Interior)

 

ϡNo portão, vemos o caminhar de alguém até o engradado onde está Yara. Dentro da estrutura, a moça ainda tentava encontrar um jeito de escapar, mas ao ouvir os passos de alguém ali, rapidamente para e volta para o chão onde finge desmaio. A pessoa misteriosa por sua vez, abre o engradado e a fita naquela posição.

 

— Ainda tá dormindo... Menos mal.

 

ϡIndaga o capanga de Flávia. Ao se preparar para fechar o engradado novamente, é surpreendido pela moça se levantando e lhe dando um soco, que embora não fosse forte para fazê-lo ir ao chão, é suficiente para o mesmo cambalear para trás. Aproveitando a oportunidade, Yara escapa do caixote e sai correndo em meio aos outros engradados e contêineres. O homem ao notar a ação corre atrás.

 

YARA (Desesperada): Eu preciso arrumar um lugar pra me esconder.

 

ϡIndaga quando percebe que está sendo perseguida. Posteriormente olha para frente e para os lados e elabora um pequeno plano improvisado.

ϡDe volta a ilha, a chuva gradualmente vai diminuindo até parar.

 

HORAS DEPOIS.

 

Cena 04 (Penhasco | Final da Tarde)

 

ϡFlávia está no local. Seu olhar é fixo no horizonte, mais especificamente para onde o navio desbravou a viagem. Diferente do que alguém poderia imaginar, sua expressão não era de contentamento. Muito menos de alegria, muito pelo contrário, seu rosto transparecia estar repleto do mais puro remorso. Rapidamente algumas lembranças emergem em seu consciente.

 

FLASHBACK • INÍCIO

 

HAVANA: [...] vamos?

 

YARA: Vamos! 

 

ϡA seguir ambas saem andando. Um pouco ao longe, Flávia que também saía do prédio na mesma hora, encara as duas com um olhar sério e repleto de raiva.

 

•••

 

HAVANA: [...] Olha Flávia, eu te considero muito como amiga e agradeço por ter estado ao meu lado todos esses anos, mas eu não vou fechar os olhos pra suas atitudes só por causa disso. A partir de hoje eu vou ficar de olho, e se for necessário colocarei alguém para te ajudar nesse setor.

 

ϡFlávia rapidamente se desespera ao ouvir a ameaça.

 

FLÁVIA: Não, pelo amor de Deus. Qualquer coisa menos isso. Garanto que vou ficar mais atenta.

 

HAVANA: Eu espero. Seria muito chato precisar tomar esse tipo de providência.

 

FLÁVIA: Daqui pra frente vou fazer todo o possível para que isso não aconteça mais. Você sabe que eu jamais seria negligente com algo sério dessa natureza.

 

HAVANA: Sim. Foi exatamente por isso te chamei pra essa conversa. Acredito que você pode melhorar e  —"recuperar a minha confiança" —.

 

•••

 

YARA: [...] O que você vai fazer caso eu não obedeça seus desmandos? Inventar mentiras pra queimar a minha imagem? Ou vai usar de meios ainda mais sujos para se ver livre de mim?

 

ϡFlávia se surpreende com a audácia de moça.

 

FLÁVIA (Irritada): Escuta aqui sua...

 

YARA (Interrompendo): Escuta aqui você. Eu sou uma funcionária daqui, e você como gerente me deve respeito. Diferente do que imagina, eu não sou mais uma dessas empregadas cara de tilápia que não tem postura pra impor seus direitos.

 

ϡApós responder Flávia, Yara sei de frente da moça e caminha na direção da porta.

 

FLASHBACK • TÉRMINO

 

FLÁVIA (Suspirando profundamente): Agora já foi... É tarde demais para qualquer gesto de arrependimento, Flávia. Você precisa se concentrar e seguir em frente.

 

ϡArgumenta para si mesma e em seguida se retira do local.

 

Cena 05 - Mar (Navio | Interior | Noite)

 

ϡSendo perseguida há horas, Yara se encontrava cansada. Fugir daquele homem estava se tornando uma tarefa cada vez mais difícil; visto que o mesmo se mostrava implacável. Ao chegar próximo a uma porta que indicava "saída" ela escuta passos e uma voz.

 

— Melhor você parar de se esconder, uma hora eu vou te encontrar, e quando isso acontecer você já era!

 

ϡCompletamente nervosa e desesperada, ela tem uma ideia arriscada ao olhar a porta e posteriormente algumas caixas em volta. 

 

YARA (Nervosa): Se isso não funcionar acabou pra mim...

 

ϡSem perder tempo, Yara abre a porta de metal e alguns segundos depois a fecha fazendo um grande barulho reverberar no ambiente. O homem ao escutar, corre a toda velocidade em direção a região provedora do som elevado. Escondida atrás de algumas caixas próximas, Yara observa o homem ficar parado na frente da porta. 

 

YARA (Pensamento): Abre essa porta... Abre logo... 

 

ϡO homem indeciso, opta pelo óbvio e abre a porta se retirando em seguida. Yara imediatamente suspira fundo e finalmente relaxa.

 

YARA (Aliviada): Consegui. 

 

ϡA seguir, ela sai do local onde está e caminha pelo porão a fim de se afastar daquela região relativamente perigosa. Ao chegar atrás de um contêiner, se senta no chão e começa a refletir sobre a última coisa que se lembrava.

 

YARA (Séria): Flávia... Foi essa desgraçada que me colocou nessa. Maldita! 

 

ϡExclama fechando as mãos com raiva.

 

•••

 

DIA SEGUINTE.

 

ϡO dia amanhece nublado e pouco animado na capital baiana. No porto da cidade poucos navios atracavam. Mas dentre esses poucos casos, estava o navio cargueiro com Yara.

 

Cena 06 - Salvador (Porto | Interior | Manhã)

 

ϡO navio se atraca e abaixa a âncora. Momentos depois vemos as comportas se abrirem e os marujos começarem a descarregar a carga. No pátio do porto, o capanga de Flávia liga para a mulher, que não demora muito a atender.

 

FLÁVIA - O que foi? 

 

— Aconteceu um probleminha...

 

FLÁVIA - Que problema?

 

— A moça acabou fugindo. Perdi ela no navio.

 

FLÁVIA (Irritada) - Meu Deus... Mas é um incompetente mesmo! Eu sabia que essa história de "eu nunca erro", era balela.

 

— E agora?

 

FLÁVIA - Agora você que se vire. Não fez a caca? Trate de limpar! Dê o seu jeito. Mas encontre-a! 

 

ϡAntes que o homem pudesse responder de volta, a ligação se encerra. Ele suspirou irritado e se dispõe a vigiar o local. 

Cena 07 - Ilha Tropical (Tropical Center | Corredor | Manhã)

 

ϡFlávia desliga o celular e desfere um forte soco na parede.

 

FLÁVIA (Irritada): Não é possível que nada dê certo na minha vida! Devia ter feito esse serviço eu mesma... 

 

ϡEnquanto isso, em outro ângulo, Luana caminhava pelo corredor. Ao chegar próximo de Flávia, a vê de costas resmungando e decide se esconder para ouvi-la melhor.

 

FLÁVIA: Parece que é uma espécie de maldição. Uma força negativa. Toda vez que eu vou me livrar de alguém no caminho da Havana, algo sai do controle. Eu não aguento mais! Droga...

 

ϡApós desabafar, sai andando e Luana se mostra em choque com as palavras que ouviu.

 

LUANA (Assustada): Essa mulher só não é pior do eu pensava, como é completamente maluca!

 

Cena 08 - Salvador (Navio | Interior)

 

ϡAproveitando que os marujos andavam de um lado para o outro ocupados, Yara vai até a região dos armários onde tira de um deles uma vestimenta de marinheiro. Em outro momento a vemos vestida com a roupa e uma touca. 

 

YARA (Receosa): Espero que isso funcione...

 

ϡSorrateiramente e de forma muito cautelosa, ela se esgueira pelos contêineres e aproxima-se de uma das comportas de saída. Ao passar pela mesma desce a rampa até o cais. Em seguida anda pela região normalmente. Mas ao passar perto de uma pilastra vê o capanga de Flávia, que ao bater em si, lhe reconhece.

 

YARA: Droga...

 

ϡSem postergar, ela começa correr enquanto é perseguida.

 

Cena 09 (Avenida | Final da manhã)

 

ϡYara sai da região portuária e corre pela grande avenida em desespero. Entretanto ao cruzar a via para o outro lado é surpreendida por um carro, que ao vê-la até tenta frear, mas ainda assim lhe atinge fazendo-a ir ao chão. Rapidamente a porta do veículo se abre e uma moça com feição preocupada surge por ela. 

 

ADISSON (Alessandra Negrini): Moça? Você tá bem?

 

ϡPergunta se aproximando de Yara, que em resposta apenas lhe encara um pouco atordoada. 

 

(FIM DO CAPÍTULO)

 

Créditos:

30/04/2022

 

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