Tropical - Capítulo 17
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Autor: Lucio Miranda
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Cena 01 (Tropical Center | Escritório de Havana | Interior | Manhã)
ϡYara permanece sem reação. Havana, por sua vez, decide tomar a iniciativa de dar o ponto de partida naquele assunto.
HAVANA: Eu sei que deve tá sendo difícil pra você, afinal também está sendo pra mim. Mas não podemos mais simplesmente fingir que nada aconteceu.
YARA: Eu sei, tenho plena convicção disso. Mas ainda assim é algo complicado e incomum.
HAVANA: Qual a parte? De beijar uma mulher ou me beijar?
ϡQuestiona. Yara tenta se retratar.
YARA: Não foi isso que eu quis dizer...
HAVANA: Mas foi o que pareceu ser.
YARA: Você é a minha chefe, Havana. E eu sou apenas uma funcionária, novata ainda se formos traçar uma linha temporal aqui. Essa é a parte complicada e incomum. Sei lá, há alguns meses atrás sonhava com um emprego bom e estável, vou lá e consigo, e agora me vejo no meio dessa situação toda. São peças e fatores que a minha cabeça ainda não procurou encaixar direito.
ϡHavana ao ouvir o argumento da moça, se cala por um momento a fim de refletir nas palavras.
YARA: Enfim, espero que você tenha compreendido o meu lado e tudo aquilo que eu sinto. E desculpa se não pude ser franca antes, mas esse é o meu jeito mesmo.
HAVANA: Não, tá tudo bem... Cada um tem sua maneira de reagir, deveria ter levado isso em consideração também.
Cena 02 (Tropical Center | Ala dos Funcionários | Interior)
ϡLucas está no local se trocando para retornar o trabalho. Pedro algum tempo depois também se integrou ao ambiente. Ambos trocam olhares e se reconhecem.
PEDRO: Você é o Lucas né?
LUCAS: Sou sim. E você o cara que tá saindo com a Bella.
ϡPedro deixa uma risada escapar.
PEDRO: É... Mais ou menos isso.
LUCAS: Só espero que cuide bem dela tá?
PEDRO: Relaxa, ela tá em boas mãos. Mas e você? Vi que tava saindo com alguém também naquele dia.
LUCAS: Ah... O Léo? Não. A gente só se cruzou no corredor dos quartos neste dia, e como íamos pro mesmo lugar decidimos jantar juntos.
PEDRO: Saquei...
ϡLucas termina de se trocar.
LUCAS: Bom, preciso ir. Até qualquer hora.
PEDRO: Até!
ϡLucas se retira do local e Pedro se mostra pensativo ao ouvir o argumento de Lucas a respeito de Léo.
Cena 03 (Escritório de Havana | Interior)
YARA: Muito obrigada por me entender e mais importante, enxergar a minha visão dos acontecimentos.
HAVANA: Sabe... Eu também não imaginava fazer uma coisa dessas até um tempo atrás. Mas chega um momento da vida que acabamos nos rendendo a certas loucuras.
YARA: Sim... (Mentalmente): e às vezes nem sequer percebemos até aonde essas loucuras vão nos levar.
ϡApós conversarem, Yara se levanta da cadeira.
YARA: Bom, eu vou voltar ao trabalho.
HAVANA: Claro, tudo bem. Até qualquer hora...
ϡYara se retira e Havana entristece o olhar.
Cena 04 (Quiosque | Manhã)
ϡIsabella está conversando com alguém ao telefone.
— E como andam as coisas por aí querida?
ϡA voz familiar pergunta do outro lado da linha.
ISABELLA: Ah pai... o de sempre. O senhor tá careca de saber.
— Entendi... Às vezes você não pensa em voltar pra cá não, filha? Sabe... Muitas coisas mudaram desde que você foi embora, me tornei um novo homem.
ISABELLA: Não sei. Acho que eu não conseguiria me adaptar tão facilmente igual foi da outra vez. Mas posso pensar no assunto. Não é como se a mamãe fosse sentir a minha falta.
— Infelizmente a Flávia é o que é. Tenho pena só de você por precisar conviver no mesmo ambiente que essa criatura.
ISABELLA: Talvez se o senhor tivesse lutado mais por mim, as coisas hoje em dia seriam diferentes né? Afinal, não pense que eu me esqueci de todo o seu descaso comigo. Ainda carrego marcas dele todos os dias.
— Eu não sou perfeito Isabella. E assim como muitos pais, eu cometi e vou cometer muitos erros ainda. Entretanto, no fundo, no fundo a única coisa que importa é o amor que eu sinto por você. Espero que um dia eu consiga demonstrá-lo mais ativamente.
ϡIsabella nada responde. Já o homem, se limita a concluir aquela conversa.
— Enfim, eu preciso voltar agora. Até mais.
ISABELLA: Até...
ϡA ligação se encerra. Isabella desliga o celular e suspira fundo. Ao olhar para o céu acima, vê uma grande quantidade de nuvens escuras se formando. Uma expressão preocupada predomina em sua face.
Cena 05 (Penhasco | Tarde)
ϡAlguns trovões ecoam no céu. Relâmpagos começam aos poucos a se fazer presentes também. Em um dos pontos mais altos da ilha, Flávia observava as águas do mar se chocarem contra as pedras no pé do penhasco.
FLÁVIA (Séria): Chegou a hora...
ϡEla solta um suspiro profundo e se vira para ir embora do local. Após alguns segundos com a mesma já relativamente longe, um raio emerge das nuvens e cai sobre a região onde estava anteriormente.
Cena 06 (Suíte de Havana | Interior | Tarde)
ϡHavana e Luana estão conversando.
LUANA (Surpresa): Vocês se beijaram?
HAVANA: Pois é... Pra você ver.
LUANA: Gente... Mas você é rápida mesmo hein? Quando eu falei que você precisava aproveitar a vida, não pensei que a resposta viria de maneira tão rápida assim.
HAVANA: E esse foi exatamente o problema... Fazer as coisas rápido demais. Acabou que ela ficou super sem graça e agora não sabe o que fazer.
LUANA: Imagino. Não é todo dia que se beija sua chefe.
HAVANA: Até você tá vindo com esse argumento agora, Luana?
LUANA: Ué... É a realidade querida. Você esperava o quê?
ϡHavana desvia o olhar para o chão. Luana ao perceber que a irmã ficou sem graça, tenta contornar a situação.
LUANA: Mas nem tudo tá fadado ao fracasso. Talvez com os dias ela repense melhor e decida tentar algo. Você vai ver, hoje tá esse clima todo estranho e confuso, mas amanhã vem os beijos e as primeiras demonstrações de carinho, e depois por fim, o algo a mais.
ϡHavana levanta o olhar e dá um pequeno sorriso.
Cena 07 (Área das Piscinas | Interior)
ϡPedro e Yara ajeitavam o local, que se encontrava totalmente deserto.
YARA: Essa chuva vai ser forte hein...
PEDRO (Preocupado) É... A última ainda me causa pesadelos.
ϡYara solta uma pequena risada.
YARA: Pode relaxar. Não é como se fosse pra alto mar desta vez.
PEDRO: Mesmo assim não é bom duvidar de nada... Ultimamente quanto mais se reza, mais assombração aparece.
YARA: Pra quem acredita em paranóia pode até ser, o que não é o meu caso.
ϡDiz terminando de empilhar algumas bóias.
YARA: Bom, vou voltar pro hotel. Não quero estar aqui quando essa chuva começar, e se eu fosse você também faria o mesmo.
PEDRO: É... Daqui a pouco eu faço.
ϡA seguir, Yara se retira e Pedro permanece com um sentimento negativo dentro de si.
Cena 08 (Rua | Tarde)
ϡUma ventania percorre o ambiente. Os poucos turistas que se encontravam nas ruas, tentam procurar um lugar para se abrigar. Yara anda pelo local em direção ao primeiro prédio dos hotéis. Porém ao chegar na calçada do mesmo, é interceptada por Flávia.
FLÁVIA: Olá, Yara.
ϡYara olha para a mulher, e enrijece uma expressão séria em seu rosto.
FLÁVIA: Será que nós podemos ter uma conversa?
YARA (Séria): Eu não tenho nada para conversar com você.
ϡResponde com desprezo e se vira para caminhar de volta.
FLÁVIA: É um assunto que talvez seja do seu interesse.
ϡYara paralisa e olha Flávia com seriedade mais uma vez.
ϡAs águas do mar se encontravam agitadas. O vento era forte e a iminência de uma tempestade, cada vez mais clara.
Cena 09 (Praia | Tarde)
ϡYara e Flávia chegam ao local.
YARA (Séria): Diz logo o que você quer.
FLÁVIA: Eu vou ser muito simples e direta. Eu quero que você fique longe da Havana. Ou melhor, fique longe dessa ilha!
ϡYara arqueia as sobrancelhas intrigada e depois sorri com escárnio.
YARA: E o que a faz pensar que eu faria uma coisa dessas?
FLÁVIA (Séria): Bom, ou você faz isso numa boa, ou terei de tomar algumas providências que serão desagradáveis pra você.
YARA (Séria): Isso era pra ser uma ameaça?
FLÁVIA: Não. É apenas um aviso.
YARA: Eu já disse que eu não tenho medo de você.
FLÁVIA: Yara... Você desafia muito as pessoas. Devia tomar mais cuidado, uma hora você pode acabar se dando mal.
YARA: Bom, já vi que você me trouxe aqui atoa e não tem o que falar, então receio que essa conversa, que nem deveria ter começado, chegou ao fim. Com licença!
ϡExclama com firmeza, porém ao se virar dá de cara com o capanga de Flávia. Ele rapidamente e com o auxílio de um lenço repleto de clorofórmio, agarra Yara e pressiona o pano em suas vias aéreas, desmaiando-a alguns segundos depois. Flávia observa toda a situação com um semblante sério, em seguida faz o sinal para o homem se livrar do corpo da mulher.
FLÁVIA (Séria): Agora é com você. Não me falhe.
— Eu nunca falhei.
Cena 10 (Cais | Tarde)
ϡA chuva caía fortemente. O local não estava muito movimentado e a maioria dos marujos do navio, se preparava para zarpar com o barco. Sem ninguém perceber, o capanga de Flávia chega com a caminhonete e a para perto de um dos muitos contêineres que haviam ali. De maneira rápida desembarca do veículo e pega a caixa com o corpo de Yara e transporta até um carrinho com outras caixas que era levado para o porão do navio.
— Mais uma caixa?
ϡPerguntou o homem no carrinho, ganhando uma confirmação visual do outro sujeito.
— Então tá. Melhor a gente correr, o capitão quer zarpar em 10 minutos.
— Beleza.
ϡE assim conduzem as cargas para dentro do navio. A caixa com Yara é posta bem no meio do porão, onde posteriormente é cercada por vários engradados. Após finalizarem o serviço, as comportas são fechadas e no lado exterior o navio recolhe a âncora. Com a chuva caindo sem cessar, e os trovões e raios reverberando no ambiente, a todo vapor o navio parte em direção a costa de Salvador.
(FIM DO CAPÍTULO)
Créditos:
Créditos ao som de (Doja Cat - Woman):
28/04/2022
©️ GS Literatura.