Asas Negras - Episódio 09
Web Série | Autor: Antonio Almeida | Direção: Dinho Oliveira
Abertura
Cena 01 (Casarão dos Silvas/sala/início da manhã)
❂ Ao som de um instrumental de tensão câmera mostra Conceição preparada para atirar em Mônica, Rafaela aparece rapidamente a empurrando sobre o chão, Conceição erra o tiro, mãe e filha ficam cara a cara ❂
CONCEIÇÃO: Até nesses momentos tu me interrompe, saia do meu caminho antes que seja tarde demais !
RAFAELA: Eu jurei que iria te afundar na merda, que iria rir do seu fracasso, mas eu olho nos seus olhos e só enxergo uma mulher destruída sem alma, o seu castigo é conviver com si mesmo.
❂Conceição empurra a filha, logo tenta pegar a arma, mas Rafaela consegue pegar primeiro, ela mira em Conceição ❂
CONCEIÇÃO: Acha que tem forças para puxar esse gatilho ? Pois tente matar a sua própria mãe.
RAFAELA: Isso será por você ter matado o que eu era antes, ter destruído a minha vida por caprichos, você não foi uma mãe, foi o meu maior pesadelo. Que o demônio não tenha piedade de ti.
❂ Em uma sequência de flashbacks é mostrado uma linha do tempo desde o nascimento de Rafaela até agora a relação entre mãe e filha, ao fim da sequência, uma lágrima cai sobre o rosto de Rafaela ❂
RAFAELA: O amor por você morreu a parti do momento que eu criei medo. A admiração desapareceu quando a sua figura materna era vista como a de um monstro.
❂ Rafaela que cai no choro, em seguida toda a cena fica lenta e o som de um tiro prevalece, a câmera foca em Conceição que leva um tiro no peito em seguida cai de bruscos no chão. A câmera foca no seu olhar singelo sobre a possa de sangue ❂
RAFAELA (Surpresa/chorando): Eu não a tirei em ti mãe! Eu não quero que esse seja o seu castigo. Você merece sofrer de outra forma !
❂ Rafaela segura a cabeça de sua mãe sobre a suas pernas, em seguida a câmera gira até a porta mostrando Lucinda segurando a arma ❂
LUCINDA: Esse desfecho foi mais que merecido, que queime no inferno! Eu matei essa insignificante com a consciência limpa...
❂ Em seguida a polícia adentra ao local, vendo toda a cena, em diversos takes ela apura todo crime, dando assistência a Rafaela e Mônica ❂
Cena 02 (Agreste/manhã)
❂ A câmera anda em meio ao esplendor do Rio São Francisco entre áreas verdes, mostrando assim um cenário diferente ❂
LUCINDA (narrando): Será que haverá paz ? Será que o certo foi cortar a raiz de todo o problema ? A droga ela é intensa na vida de todos, os Silvas não dominavam a cidade, e sim o pó, o pó se infiltrou em todas as famílias, para trazer o caos...
❂ A tela escurece ao som de um instrumental sutil ❂
Cena 03 (Casarão dos Silvas/sala/manhã)
❂ Eriberto acorda e se depara com diversos policiais ao seu redor ❂
ERIBERTO (atordoado): O que diversos oficiais fazem na minha casa ?
POLICIAL: A casa caiu Eriberto Silva. O seu esquema será completamente derrubado ainda hoje, além do decreto de sua prisão.
❂ Eriberto fica em choque, em seguida trava os olhos em Mônica que se localiza ao fundo ❂
ERIBERTO: Foi você sua maldita ! Conseguiu o que tanto queria, o fim de todos da minha família, sua desgraçada você me paga !
POLICIAL: Me siga até a viatura, será levado à delegacia.
❂ Eriberto se altera e tenta partir para cima de Mônica, os policiais o segura e logo algema ❂
ERIBERTO: Está satisfeita por ter acabado com tudo que era meu ?
MÔNICA: Sinceramente estou. Não carrego nenhum peso nas costas pelo contrário me sinto livre de você e do incenso da Conceição.
❂ Eriberto coloca um semblante de desgosto em seguida é levado ao exterior da casa ❂
Cena 04 (Casarão dos Silvas/varanda/manhã)
❂ Os policiais enfiam Eriberto na viatura, enquanto se mantém alterado, em seguida a câmera foca em Lucinda calma fumando um cigarro ❂
POLICIAL: A senhora entre na viatura, não quero o uso de violência contigo. Também está presa pela morte de Conceição Silva Batista.
LUCINDA: Não me arrependo de nada, se for para passar o resto da minha vida na cadeia para mim tá ótimo.
POLICIAL: Me siga até o carro agora.
LUCINDA: Antes eu tenho que realizar um último desejo.
❂ Lucinda vai até o corpo de Conceição ela fica frente a frente, em seguida Lucinda estampa um sorriso e cospe no rosto da senhora ❂
LUCINDA: Faça bom aproveito do inferno, alma bexiguenta!
❂ O policial algema Lucinda e a leva na viatura junto a Eriberto, a câmera foca em Conceição sobre um carrinho hospitalar ❂
Cena 05 (Casarão dos Silvas/quarto de Rafaela/manhã)
❂ Rafaela adentra ao quarto e senta-se ao pé da cama, em seguida Mônica entra ❂
MÔNICA: O IML já levou o corpo da sua mãe, com tudo a Lucinda e o seu pai foram presos. A polícia já está em retirada.
RAFAELA: Eles só estão pagando por todos os pecados, por todas as vidas destruídas, por todas as mortes.
MÔNICA: Mas o Vicente saiu impune, ele foi cúmplice, era um pivô para toda essa tragédia.
RAFAELA: Ele não foi acusado de nada. Não tinha nenhuma queixa e muito menos provas viáveis contra ele.
❂ Rafaela levanta -se da cama e vai em direção a porta ❂
RAFAELA: O meu objetivo não está concluído, a razão do declínio dessa família está circulando sobre essa fazenda.
❂ Rafaela se retira, Mônica demonstra um semblante de aflição ❂
Cena 06 (Delegacia/interior/tarde)
❂ A polícia tenta tirar informações de Eriberto mas é em vão ❂
POLICIAL (impaciente): Estamos aqui a horas e você não nos deu nenhuma informação útil.
ERIBERTO: Eu digo e repito, o meu império não irá afundar tão fácil. Minha droga está bem guardada, nada pode me derrubar.
POLICIAL: Chega ! Só estamos rodando em círculos, uma hora ou outra iremos descobrir onde está todo o porte de drogas.
ERIBERTO (Sorrindo): Eu duvido, vocês irão achar quando morcego doar sangue e saci cruzar as pernas.
❂ A cena finaliza com Eriberto caindo em uma gargalhada sombria ❂
Cena 07 (Fazenda dos Silvas/galpão/tarde)
❂ Rafaela chega em um carro com diversos galões de gasolina, no galpão afastado do casarão ❂
RAFAELA: Eu sou uma mulher de palavra, eu disse que iria acabar com esse esquema sujo.
❂ Em alguns takes é mostrado ela pegando os galões e espelhando por todo galpão onde se encontra a droga, em seguida eles tocam fogo, a câmera ao som de um instrumental lento mostra o fogo se alastra lentamente ❂
RAFAELA: Que um novo ciclo se inicie a parti de agora, que a minha vida não haja transtornos que eu possa tentar começar um novo futuro.
❂ O fogo destrói todo o galpão, uma intensa fumaça cobre a Fazenda, Rafaela mostra um semblante feliz ❂
Cena 08 (IML/interior/tarde)
❂ Vicente espera o corpo da mãe, o médico aparece ❂
MÉDICO: Então está tudo pronto para mandar o corpo a funerária, já fizemos a autópsia.
VICENTE: Não precisa de ornamentação ou velório, só coloque ela dentro do caixão e pronto.
MÉDICO: Mas senhor com essas condi...
VICENTE: Só faça o que eu estou pedido!
MÉDICO: Se é o seu desejo, não irei me intrometer.
❂ O médico se retira, a cena corta para Vicente colocando o caixão da mãe na sua camionete ❂
MÉDICO: Não quer a funerária tome de conta disso ?
VICENTE: Eu já tenho um lugarzinho especial para esse corpo não se preocupe.
❂ Vicente de retira em alta velocidade na caminhonete ❂
Cena 09 (Lixão/tarde)
❂ A câmera foca em Vicente chegando ao lixão a céu aberto e carregando o caixão de Conceição até o centro ❂
VICENTE: Você desejou tanto conquistar a alta sociedade, agora se encontra aqui no fundo do poço. É isso que você merece, acabar como lixo, esquecida por todos.
❂ Vicente joga o caixão no meio de todo o lixo o deixando exposto ❂
VICENTE: Queria ser rodeada por ilustres pessoas, agora irá ser rodeada pelos urubus. Que descanse em paz mamãe, que o inferno não tenha misericórdia de ti.
❂ A câmera vai se afastando de Vicente, mostrando o devasta lixão em seguida a tela escurece ❂
Cena 10 (Delegacia/cela/noite)
❂ Eriberto e Lucinda estão em celas separadas ❂
ERIBERTO (Sorrindo): Não imaginava o barco afundando e você encima dele.
LUCINDA: Você sabe muito bem, quem vai apodrecer na cadeia não será eu.
ERIBERTO: É isso que acha ?
LUCINDA: É isso que nós vamos ver. Quem rir por último rir melhor. Isso tudo não foi em vão, a cidade está livre de ti e da sua família maldita.
❂ Lucinda estampa um sorriso, Eriberto se mantém nervoso ❂
LUCINDA: Deus não tenha misericórdia de ti, como você não teve de ninguém.
Cena 11 (Pousada/quarto de Mônica/Tarde)
❂ Em alguns takes é mostrado a passagem ao longo do dia, mostrando os pequenos pontos turísticos da cidade, em seguida foca em Mônica entrando destroçada, em seguida ela pega uma pequena câmera e começa a gravar um vídeo ❂
MÔNICA (transtornada) : Olá eu sou a jornalista Mônica Arantes, repórter e jornalista da Gazeta de Alagoas. A minha experiência com as drogas não foram no uso, não foram no tráfico ou no vício. Eu me envolvi intensamente com uma cidade, com uma região que foi destruída pelas drogas. Eu não sou mais a mulher que fui a um mês atrás, hoje eu sou um ser que renasceu para ser alguém forte, para sobreviver no mundo real.
❂ A câmera escurece, em seguida mostra flash de todos os personagens em preto e branco, Mônica narra as características de cada um ❂
MÔNICA (narrando): Eu me envolvi com pessoas que só queriam serem livres para serem elas mesmos, pessoas que matam por ambição, pessoas que se corroeram por um império de caos, pessoas que só queriam aprender a amar e a ser amada, pessoas que queriam justiça ou que queriam mudar dentro de si... eu conheci mães que lutaram para que a alma de seu filho descansasse em paz. O mundo é rodeado de asas negras que acabam com a pureza da sociedade, acabamos sendo escravos das drogas.
❂ A câmera escurece novamente, voltando a Mônica que finaliza o vídeo caindo no choro ao som de um instrumental triste ❂
MÔNICA (chorando): Eu me envolvi nas drogas, mesmo não usando. A droga não só destrói o portador, ela destrói uma sociedade.
Créditos:
© GS Literatura.