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Amor Sem Limite - Capítulo 27

 

Web Novela

Autor: Lincoln Ribeiro

Supervisão de Texto: Dinho Oliveira

 

Abertura:

Cena 01 (Pracinha. Externa. Manhã)

 

ELIZABETH (Nervosa): Mas o que essa mulher está fazendo aqui como se fosse uma indigente?

 

ANALICE (Preocupada): Ela parece estar embriagada, meu Deus… minha tia Carla me disse mesmo que a Francesca estava tendo problemas com álcool, mas não imaginei que fosse tão sério.

 

【Analice se ajoelha até a avó e toca em seu rosto, tentando acordá-la. A senhora balbucia alguns sons incompreensíveis.

 

ANALICE (Preocupada): Nós precisamos levá-la até a casa dela, Beth. Não posso deixá-la aqui na rua.

 

ELIZABETH: Você acha que nós duas conseguimos sozinhas?

 

ANALICE: Temos que tentar. A mansão é aqui perto.

 

【Com dificuldade, as meninas levantam Francesca e a carregam apoiada em seus ombros.

 

Cena 02 (Mansão Ferrara. Quarto. Interna)

 

【Valsino ajuda as meninas a colocarem Francesca na cama.

 

VALSINO: Espero que ninguém tenha a visto neste estado, meu Deus...

 

ELIZABETH: Não é melhor que ela tome um banho?

 

VALSINO: Eu pensei nisto, mas creio que o melhor para a dona Francesca agora é descansar, e ela iria preferir assim. Fiquem tranquilas, eu darei toda a assistência que ela precisar.

 

ANALICE: Por favor, Valsino, faça isso. Eu queria poder ficar mais também, mas acredito que ela sequer gostaria de me ver aqui...

 

VALSINO: Depois volte para vê-la, Analice. Por ora, vamos deixá-la a sós.

 

Cena 03 (Casa de Angela. Interna)

 

TIAGO: Mãe, tem certeza de que não irei atrapalhar o seu trabalho?

 

ANGELA: Não vai, meu filho. Eu só quero que conheça a família para quem eu trabalho, eles são pessoas ótimas.

 

TIAGO: E qual é mesmo o nome da mulher que me falou?

 

ANGELA (Sorrindo): Inês. Provavelmente apenas ela deve estar na casa a essa hora. Mas vamos, porque eu tenho muito trabalho.

 

【Os dois saem de casa juntos.

 

Cena 04 (Rua. Externa)

 

【Analice e Elizabeth andam juntas.

 

ANALICE (Abalada): Eu sei que nunca tive boa relação com minha avó, muito pelo contrário, nesses últimos anos foram raríssimas as vezes que eu a vi. Acredito até que ela nem me considere mais como neta. Mas vê-la daquele jeito me deixou tão mal, Beth. É como se eu estivesse vendo uma pessoa se perder e não poder fazer nada.

 

ELIZABETH: Mas nós fizemos algo, a ajudamos. Depois de tudo que esta mulher fez contigo e com a sua mãe, você teve bom coração em ajudá-la.

 

ANALICE: Não é apenas disso que estou falando. Nós a ajudamos agora, mas e depois? Quem garante que ela não vá se afundar cada vez mais?

 

ELIZABETH: E o que você pensa em fazer?

 

ANALICE: Eu quero poder ajudar a minha avó… ou pelo menos tentar. Porém se ela não me quiser por perto, então eu lavo as minhas mãos.

 

ELIZABETH: E quanto ao Antônio? Será que você também não deveria pelo menos tentar?

 

ANALICE: Uma coisa de cada vez, Beth. Agora eu sou uma mulher casada, e tenho certeza que não é em mim que o Antônio está pensando.

 

Cena 05 (Casarão. Cozinha. Interna)

 

【Angela e Tiago entram pelos fundos da casa. A mãe guia o filho, que fica admirado com a beleza do casarão.

 

ANGELA: É, meu filho, parece que não tem ninguém em casa. A Inês deve ter ido passear com a Isis, mas pelo menos serviu para você conhecer a casa.

 

TIAGO (Sorrindo): No caso, os fundos da casa, mas o que vi até agora já me impressionou. Um casarão belíssimo, me lembra até o que eu trabalhava antigamente...

 

【De repente, alguém aparece na cozinha chamando por Angela.

 

RUI (Voz): Angela… não sabia que estava com visitas.

 

【Ao ouvir aquela voz, um arrepio percorre todo o corpo de Tiago, que se vira rapidamente. Rui, por sua vez, fica completamente estremecido ao ver o rapaz. Ainda que rapidamente, os olhares de ambos se cruzam profundamente.

 

RUI (Surpreso): Tiago...?

 

ANGELA: O senhor já conhece meu filho?

 

TIAGO (Nervoso): Mãe, o Rui era meu antigo patrão. Era na casa da família dele que eu trabalhava como jardineiro.

 

ANGELA (Sorrindo): Ah, você nunca tinha me dito claramente onde trabalhava, meu filho, jamais imaginaria que era pro senhor Rui. Esse é o meu filho que se formou em direito, Rui. Meu orgulho!

 

RUI (Sério): Realmente, é uma grande vitória, Tiago! O que acha de conversarmos no meu escritório?

 

ANGELA: Imagina, Rui, o senhor deve ter seus afazeres. Não trouxe o Tiago até aqui para te atrapalhar.

 

RUI: Não me atrapalha em nada, Angela. Seria bom conversar com o Tiago depois de tantos anos. Isto é, se ele quiser.

 

Cena 06 (Rua. Externa)

 

【Inês caminha com Isis ao seu lado. A menina segura um saco de pipocas.

 

INÊS: Você se lembra do que eu te disse, meu amor? Não conta para sua mãe que eu te dei pipoca antes do almoço, ela não vai gostar.

 

ISIS (Sorrindo): Eu sei, vovó.

 

INÊS: E agora vamos no parque, já que está tão ansiosa.

 

【Isis se anima. Ao virar a rua, a menina acaba esbarrando em um homem na calçada e deixando seu saco de pipocas cair. Prontamente, o homem a ajuda.

 

ERNESTO (Preocupado): Mil perdões, eu não vi a menina...

 

【O homem olha para o rosto da criança, e os dois se reconhecem.

 

INÊS: Imagina, o senhor não teve culpa. Eu e a Isis estávamos distraídas.

 

ERNESTO (Sorrindo): Mas espera, eu conheço essa garotinha. Você lembra do meu nome?

 

ISIS (Sorrindo): Tio Nesto!

 

INÊS: Tio? Como assim? De onde conhece a minha neta?

 

ERNESTO: Neta? Então imagino que deve ser a famosa Inês!

 

INÊS: Famosa? Eu? Não estou entendendo...

 

ERNESTO: Ainda não me conhece. Eu sou o irmão do Edgar, e tio da Analice. É um prazer finalmente conhecê-la!

 

【Ernesto estende a mão para Inês, que o olha com surpresa.

 

Cena 07 (Escritório. Interna)

 

【Os dois estão sentados à mesa do escritório, frente a frente.

 

RUI: Eu não vou te enganar, Tiago. Desde que a Angela veio trabalhar aqui, eu sabia que ela era sua mãe. Foi a Inês que a chamou para cá. Porém eu nunca imaginei que ela fosse trazê-lo aqui em casa, ainda mais de forma tão inesperada.

 

TIAGO: Cinco anos já se passaram, Rui. Um dia eu teria que retornar.

 

RUI: Eu sei, e fico muito feliz de vê-lo assim. Sei o quanto sonhava em se formar numa faculdade, e o quanto lutou para isto. Sua mãe também está muito orgulhosa, e com toda razão.

 

TIAGO: É, eu estou orgulhoso de mim mesmo. E você também deve ter orgulho da sua família...

 

【Ele diz olhando para um porta-retrato, onde há uma fotografia de Rui com sua família.

 

TIAGO: Eu sabia que tinha se casado com a Analice, naturalmente haveriam de ter uma filha também, não é?

 

RUI (Cabisbaixo): As coisas aconteceram, Tiago...

 

TIAGO: Pensei que tivesse se casado somente para ajudar uma amiga, mas pelo visto foi muito além.

 

RUI (Nervoso): Você passou anos fora, Tiago, não sabe o que aconteceu aqui! O que quer? Fazer eu me sentir culpado por ter levado uma vida que eu não queria?!

 

TIAGO: Eu não quero que se sinta culpado. O que eu quero é entender o que se passou com você durante todo esse tempo que ficamos distantes, eu quero saber da sua vida!

 

RUI: Não sei se a minha vida é do seu interesse, nós já não temos a mesma intimidade que tínhamos antes, Tiago. Nossa amizade se quebrou a partir do momento que você foi embora. Eu sequer sei se conheceu alguém lá no Rio de Janeiro… ou se apaixonou.

 

TIAGO: A nossa amizade se quebrou a partir do momento que você pediu a Analice em casamento. E não, eu não me apaixonei por outra pessoa. Mesmo estando longe, só teve uma única pessoa a qual não saia da minha mente, e você sabe quem é.

 

RUI: Mesmo me casando, também só tem uma única pessoa que eu nunca consegui esquecer… mas agora eu sou casado, Tiago. Eu abri mão do que eu poderia viver, por causa do sentimento que eu tinha de realizar a vontade dos meus pais em me ver casando. Eu me senti tão pressionado a me casar, a ter uma filha, que eu achei que isto era o certo e que isto era o que me faria feliz… você não, Tiago, você abriu mão do que poderia viver por causa de um sonho, você sim foi inteligente e soube correr atrás da sua felicidade, da sua realização pessoal. Para os meus pais, eu posso até ter sido o filho que eles queriam, mas pessoalmente dizendo, eu sou um fracassado.

 

TIAGO: Eu realizei um dos meus sonhos, Rui. Eu fui pro Rio de Janeiro, me senti completamente perdido na imensidão daquela capital, mas persisti. Não foi fácil, realmente, todos os dias pensava em desistir, pensava que jamais uma pessoa como eu poderia ser um advogado, e isso era o que tentavam colocar na minha cabeça o tempo todo. Eu segui firme por mim, pela minha família, pela vida que a faculdade poderia me proporcionar e por tudo que já tinha conquistado até aquele momento. Hoje eu estou aqui, com um dos meus sonhos conquistados, e ainda sim não me sinto completamente realizado. Não é como se eu tivesse alcançado a tão almejada felicidade simplesmente porque conquistei um diploma. Eu não me sinto realizado porque tem um sonho, quase impossível, que eu não realizei. O sonho é viver a minha vida com você, Rui. Mas isto é algo que eu tenho consciência de que não é possível, não mais.

 

【As palavras de Tiago ferem diretamente Rui. O rapaz se levanta para ir embora, mas Rui rapidamente vai até ele, impedindo que se retire.

 

RUI (Nervoso): Espera, Tiago, eu...

 

【Antes que pudessem dizer algo, alguém bate à porta do escritório e entra em seguida.

 

ANALICE: Desculpe, Rui, a Angela me disse que estava aqui e fiquei curiosa. Está tudo bem com vocês?

 

【Ela encara os homens, nitidamente nervosos, com estranheza. Rui alterna seu olhar entre sua esposa e Tiago, tentando disfarçar seu desespero.

 

(FIM DO CAPÍTULO)

 

Créditos:

27/05/2023

 

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