Amor Sem Limite - Capítulo 12
Web Novela
Autor: Lincoln Ribeiro
Supervisão de Texto: Dinho Oliveira
Abertura:
Cena 01 (Casarão dos Mello. Quarto. Interna. Noite)
【Inês limpa suas lágrimas e passa a mão sobre o rosto do pai.
INÊS (Chorando): É claro que eu te perdoo, meu pai, desde que o senhor também receba meu perdão.
CEZAR: Eu já te perdoei há muito tempo, Inês. Desde que você voltou a viver com o Vincenzo, eu só conseguia torcer para que fosse feliz, e eu ainda espero que você encontre o caminho da felicidade, minha filha.
【Ele tenta sorrir para Inês e depois olha para as outras mulheres ali presentes.
CEZAR: Vocês três foram as mulheres da minha vida, as quais me deram força e felicidade. Você foi uma filha maravilhosa Irene, que me deu uma neta igualmente maravilhosa. Além de um genro esforçado, que vai saber cuidar muito bem do armazém da nossa família.
【Irene aproxima do pai e segura sua outra mão.
IRENE (Chorando): Não fale essas coisas, papai. O senhor sempre foi tão forte, por que não tenta lutar agora?
CEZAR: Porque não tem como lutar quando chega a nossa hora… e quanto a você, mulher...
【Ele diz direcionando seu olhar a Eva, que está no pé da cama aos prantos.
CEZAR: Me deu a família mais maravilhosa que eu poderia ter, e criou as nossas filhas da melhor forma que podia criar.
EVA (Chorando): Nós criamos juntos, Cezar! Tudo isso nós formamos lado a lado.
CEZAR: Mas agora quem continua daqui para frente é você, querida. (Fraco): Quem continua são vocês, não eu...
【Uma lágrima escorre pelo rosto de Cezar, e sua família o abraça sob forte emoção. De repente, o homem começa a tossir algumas vezes, já sem força, e lentamente desfalece. Ao perceberem, Inês e Irene entram em desespero, enquanto Eva apenas chora silenciosamente.
Cena 02 (Sala. Interna)
【Em silêncio, todos aguardam sentados e ansiosos por uma resposta.
ELIZABETH (Nervosa): Vocês acham que meu avô vai...
MARTIN: Nós precisamos ter fé, não é, minha filha?
VINCENZO: O Cezar sempre foi um homem forte, não é possível que ele vai se deixar abater logo agora.
ELIZABETH: Mas já faz dias que ele andava doente, a minha vó me contou. Só que ele sempre foi ignorante em relação à saúde...
【Irene desce as escadas chorando e corre para o abraço de Martin. Inês aparece logo atrás.
IRENE (Chorando): Ele não resistiu, meu pai se entregou!
【Ao ouvirem isso, Analice e Elizabeth choram e se abraçam. Vincenzo abaixa a cabeça, lamentando.
INÊS (Abatida): A nossa mãe preferiu ficar lá em cima com ele.
MARTIN: Ah, meu Deus… eu faço questão de providenciar todas as coisas pro velório. Acredito que vocês não tenham condições para isso agora.
【Um clima de tristeza predomina o semblante de todos os presentes e se estende por toda aquela noite, até amanhã, quando ocorre o funeral de Cezar.
Cena 03 (Cemitério. Externa. Manhã)
【Uma multidão de pessoas caminha junto ao caixão de Cezar, que é carregado. Eva está ao lado, vestida da cabeça aos pés com roupa preta e com um lenço em mãos, que constantemente usa para enxugar as lágrimas. Irene está com sua família.
IRENE (Triste): Por mais que eu já esperasse que esse dia fosse chegar, não é fácil.
MARTIN: E de fato não é mesmo, Irene. Você esteve comigo quando eu perdi meus pais, e nunca é fácil lidar com isso. Você está mesmo no seu momento de sofrer com isso, chorar ou o que for.
ELIZABETH: Eu vou sentir tanta falta do vô, eu gostava tanto dele...
MARTIN: Ele era um grande homem, filha, não é à toa que há tantos presentes aqui acompanhando essa cerimônia fúnebre. E você teve a sorte de poder conviver mais de vinte anos da sua vida com ele.
【Eles continuam andando. Francesca surge com óculos escuros ao lado de Vincenzo, que está com sua família. Inês logo se irrita.
INÊS (Sussurrando): Não acha que é muita petulância da sua parte aparecer no enterro do meu pai?!
FRANCESCA (Calma): Eu perdi o meu marido recentemente, que era amigo do seu pai. O Cezar nunca teve relação com suas armações, Inês. Estou aqui apenas para prestar minhas condolências a todos e nada mais.
VINCENZO: Por favor, não vamos nos estressar, não aqui.
【Todos seguem até o local onde ocorre o enterro. Um padre diz algumas palavras, e logo o caixão é enterrado, enquanto vários presentes despejam flores sobre ele. O tempo vai passando, até que o local fica praticamente vazio, contendo apenas Eva e sua família. A viúva se mantém em silêncio e abatida.
INÊS: Vem, mamãe, nós iremos te levar até em casa. Você não vem, Analice?
ANALICE: Na verdade, eu gostaria de ficar mais um pouco aqui, posso?
VINCENZO: Claro que pode, filha. Mas não demore muito a voltar para casa, por favor.
【Analice assente, e seus pais saem do cemitério junto a Eva. A menina passa a caminhar pelo local, até que chega em frente a uma lápide e se ajoelha perante ela.
ANALICE: Pai… eu sequer cheguei a te conhecer, mas gostaria tanto que isto tivesse acontecido… apesar de eu ter perdido meus dois avôs recentemente, fico feliz que ainda tenho seu pai e sua mãe aqui comigo, duas pessoas maravilhosas com as quais eu posso contar sempre.
【Ela olha para o nome de Edgar escrito na lápide e sorri, ao mesmo tempo que deixa uma lágrima escapar.
ANALICE: Receba bem o meu avô aonde você estiver, pai. Vocês não puderam se conhecer em vida, mas tenho certeza que se dariam bem...
【A moça tenta se levantar, quando sente uma tontura e cai no chão. Um rapaz que passa por perto percebe e corre para ajudá-la.
— (Preocupado): Está tudo bem contigo?
【Ele ajuda Analice a se levantar, e ela tenta se recompor.
ANALICE: Acho que tive uma leve vertigem, mas já estou bem.
— Faz muito tempo que a moça não se alimenta?
ANALICE: Na verdade sim… não consegui comer nada essa noite, eu acabo de enterrar meu avô.
— Eu sinto muito, mas se quiser posso levá-la para comer algo aqui perto mesmo.
ANALICE: Não seria muito incômodo ao senhor?
ANTÔNIO (Danilo Mesquita): Imagina, incômodo nenhum. A propósito, me chamo Antônio, prazer!
ANALICE: E eu me chamo Analice!
ANTÔNIO: Então, vamos? Não seria nada bom você ter outra tontura aqui nesse lugar.
【Analice sorri, e os dois vão embora juntos.
Cena 04 (Casarão dos Mello. Sala. Interna)
【Eva e suas duas filhas estão sentadas no sofá. Cansadas e abatidas, elas olham ao redor do lugar.
EVA: Tantas lembranças. Não tem como olhar para qualquer canto desse casarão e não se lembrar do Cezar. A pessoa vai, mas a sua bagagem fica aqui para sempre...
IRENE: E o que pretende agora, minha mãe? Eu não acho que será bom para a senhora viver aqui sozinha.
EVA: Eu sinceramente não sei. Não queria ter que me desfazer de todas as memórias e coisas do seu pai, mas ao mesmo tempo não quero ter que viver aqui e todos os dias ficar esperando ele entrar por aquela porta no final da tarde, depois de chegar do armazém, mesmo sabendo que ele não chegará. Ou então acordar todas as manhãs e não vê-lo ao meu lado na cama. Não consigo nem mesmo me imaginar indo naquele quintal e não encontrar o Cezar lá com um charuto nas mãos.
INÊS: A senhora não quer vender esta casa, mas também não quer continuar aqui. É isso?
IRENE: Se quiser pode vir morar conosco, mãe. Será um prazer tê-la conosco.
EVA: Eu ainda vou pensar, minhas filhas. Pelo menos esta noite, eu irei passar aqui. Quero aproveitar enquanto o cheiro do seu pai continua no nosso quarto.
【Ela sorri, com um sentimento carregado de saudade e dor da perda.
Cena 05 (Doceria. Interna)
【Analice e Antônio conversam sentados à mesa, enquanto comem um guloseima.
ANTÔNIO: Está se sentindo melhor?
ANALICE (Sorrindo): Com certeza. Aliás, te agradeço mais uma vez por ter me trazido até aqui.
ANTÔNIO (Sorrindo): E mais uma vez, disponha! Apesar do lugar mórbido em que nos conhecemos, estou adorando te conhecer, Analice.
ANALICE: Também estou amando a sua companhia. Inclusive, ainda não me disse o que fazia no cemitério, não é? Se for cômodo para você falar sobre isto, claro.
ANTÔNIO: Bom, na verdade eu perdi a minha mãe recentemente. Eu estava lá apenas para visitar seu túmulo.
ANALICE: Ah, meu Deus… meus pêsames.
ANTÔNIO: Obrigado. Já faz algumas semanas que ela partiu, mas é uma perda imensa, sabe? Eu era muito próximo a ela, e tem sido difícil para mim e para o meu pai.
ANALICE: Eu imagino. Ou melhor, não consigo nem imaginar perder minha mãe. Apesar de eu ter enterrado meu avô hoje, eu estava no túmulo do meu pai biológico quando me encontrou. Eu não cheguei a conhecê-lo, mas já é uma perda grande para minha vida.
ANTÔNIO (Curioso): Pai biológico?
ANALICE: É uma história complicada, mas que eu posso te contar numa próxima vez.
ANTÔNIO (Sorrindo): Por acaso isto é um convite para nos vermos outras vezes?
ANALICE: Por que não? Se gostamos de nos conhecer, o natural é que nos vejamos em outros momentos, não é?
ANTÔNIO: Concordo contigo e gostei!
【Os dois trocam sorrisos.
Cena 06 (Casarão dos Fernandes. Cozinha. Interna)
【Rui chega no local com Tiago e oferece uma xícara de café para ele.
RUI (Rindo): Então quer dizer que não aguentou uma simples cerveja ontem e já amanheceu desse jeito?
TIAGO: Eu não tenho o hábito de beber, apenas aceitei o seu convite ontem porque você é meu patrão, não poderia recusar.
RUI: Já disse que não sou seu patrão. Quem paga seu salário são meus pais, se esquece? Estou aqui apenas como amigo.
TIAGO: Mas se quisesse você mesmo poderia pagar, não é? Trabalhando com os negócios da família. Aliás, o que faz fora do seu trabalho a essa hora?
RUI: Eu fui a um enterro do pai de uma amiga esta manhã. Voltei aqui para trocar de roupa, mas te encontrei naquele estado cansado no jardim.
TIAGO: Não exagere, não estou tão derrubado assim. E quem é essa amiga da qual nunca me falou? Aliás, é só uma amiga mesmo, ou algo mais?
RUI: Mais uma vez, não tenho interesse amoroso em ninguém neste momento, Tiago.
TIAGO: É uma pena, porque com certeza devem ter muitas pessoas que possuem interesse em você.
RUI (Nervoso): Porque acha isso?
TIAGO: Temos que concordar que é um rapaz bonito e também tem seus atrativos. Por que não teria alguém interessado em você?
RUI (Tentando sorrir): Se tiver, me avise, pois não estou encontrando nenhuma dessas pessoas.
TIAGO: Pois eu acho que sei de alguém...
【Ele olha para Rui e depois pega a xícara de café, bebendo tudo num só gole.
TIAGO (Sorrindo): Café forte, não é?
Cena 07 (Igreja. Interna)
【Inês entra na igreja com um véu preto sobre sua cabeça. Ela faz o sinal sagrado da cruz e se ajoelha diante de um banco. Antes que comece a rezar, ela é interrompida por uma voz calma que ecoa ao seu lado.
— Eu senti tantas saudades de você, Inês!
【Inês olha para o lado rapidamente e se assusta ao ver a imagem do seu amado, que sorri de canto a canto para ela.
INÊS (Surpresa/Emocionada): Edgar?!
(FIM DO CAPÍTULO)
Créditos:
28/03/2023
© GS Literatura.