Tropical - Capítulo 08
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Autor: Lucio Miranda
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Cena 01 - Ilha Tropical (Trilha | Tarde)
ϡYara permanece no mesmo lugar. Ela olha para o rosto de Malya que sem nem disfarçar, lhe encara. Conforme os segundos transcorrem, a moça começa a ficar minimamente incomodada.
YARA: A senhora tá perdida?
ϡMalya em resposta, balança a cabeça lentamente em negação.
MALYA: Conheço essa terra tão bem quanto os pescadores as águas do mar.
YARA: Então porque está me encarando?
MALYA: Estou apenas pensando. Inclusive, a primeira pergunta que fez para mim, corresponde bem ao que estou refletindo no momento.
YARA: Sobre estar perdida?
MALYA: É... Isso mesmo. Eu não estou perdida, mas e quanto você? Consigo ver em seus olhos a figura de uma mulher desnorteada e sem rumo.
ϡAo ouvir as palavras presumidas por Malya, Yara rapidamente fica hesitante e um tanto quanto nervosa.
YARA: Só ando um pouco confusa. Muitas coisas pra pensar ao mesmo tempo. Sabe como é né?
ϡMalya lhe encara de maneira desconfiada. Yara por sua vez, se levanta do banco.
YARA: Bom, meu irmão deve estar atrás de mim. Preciso ir. Com licença.
ϡArgumenta com pressa e sai caminhando. Malya mantém a mesma expressão de desconfiança e alguns segundos depois também se levanta para ir embora.
Cena 02 (Resort | Área das piscinas)
ϡCansado e um pouco distraído enquanto servia algumas bebidas para turistas na borda da piscina, Lucas acaba não prestando atenção em uma das bóias jogadas à sua frente e vem a tropeçar e cair com a bandeja. O barulho chama atenção das pessoas próximas.
LUCAS (Resmungando): Tô começando a achar que a Isabella tem razão, eu realmente preciso de uma folga.
ϡAo se preparar para levantar, uma mão se estende para lhe ajudar. Rapidamente seu olhar vai na direção da pessoa que esboçou tal ato de gentileza. Quando fita o rosto do homem, fica rapidamente desconcertado.
HOMEM: Você está bem?
ϡPergunta enquanto ajuda Lucas a se levantar. O rapaz ao ouvir a pergunta, sai do transe do qual entrou e rapidamente olha para sua perna, onde sente forte dores.
LUCAS (Com dor): Acho que torci a minha perna...
ϡEle tenta andar mais acaba perdendo o equilíbrio, e por pouco não cai no chão novamente. O homem se aproxima e coloca um dos braços de Lucas em seu pescoço, a fim de mantê-lo de pé.
HOMEM: Vi num guia que tem um hospital aqui na ilha, é muito longe?
LUCAS: Não... Saindo dessa área e andando alguns metros já dá pra ver ele.
HOMEM: Ótimo! Então eu vou te levar lá.
ϡDito isso, o homem ajuda Lucas a se movimentar.
Cena 03 (Quiosque | Tarde)
ϡYara chega ao mesmo local de antes. Poucos segundos depois Pedro e Havana chegam também. Eles sentam na mesma mesa e se cumprimentam.
HAVANA: O Pedro me contou o que aconteceu. Porque não me disse diretamente?
YARA: Fiquei um pouco envergonhada em te pedir mais coisas depois de tudo o que já fez por mim.
HAVANA: Já te falei mais de uma vez que não tenho problema com isso. Algumas coisas que fazemos às vezes não são apenas gestos de gentileza, mas sim de humanidade. Você não veio parar aqui por que quis e eu também não vou te expulsar na velocidade da luz por causa de alguns pequenos gastos.
ϡYara se mostra um pouco envergonhada.
HAVANA: Vamos fazer o seguinte, por agora vou providenciar um quarto pra vocês lá no hotel, depois conversamos a respeito dessas questões mais pessoais. Certo?
ϡAo ouvir a sugestão, Yara abre um pequeno sorriso e posteriormente gesticula concordando.
YARA (Sorrindo): Claro, pode ser assim então.
HAVANA (Sorrindo de volta): Ótimo!
Cena 04 (Hospital | Recepção)
ϡLucas e o homem adentram o local, eles se sentam em um banco na recepção e se olham.
LUCAS (Sorrindo): Valeu pela gentileza.
HOMEM: De boa...
LUCAS: Como você se chama mesmo?
HOMEM: Leonardo, mas as pessoas costumam me chamar de Léo.
LUCAS (Sorrindo): Bom Léo... Mais uma vez eu te agradeço. Normalmente não há muitos turistas com síndrome de ajudar por aqui.
ϡA recepcionista chama pelo nome de Lucas que prontamente desvia sua atenção. Léo permanece com um pequeno sorriso no rosto.
Cena 05 (Praia | Pôr do Sol)
ϡLuana anda pela areia da orla. A luz alaranjada do sol reflete nas águas cristalinas do mar e posteriormente em seu rosto, dando um contraste magnífico. Conforme se movimenta, algumas lembranças começam a vir à tona também.
MEMORIES • INÍCIO
Em seu pensamento, a mesma praia do qual caminha atualmente, retorna. Porém, em vez de sozinha, ela é acompanhada por Havana. Ambas não aparentam ter mais de 20 do que idade. Em seus rostos uma expressão de choro predomina, era como se algo terrível tivesse acontecido em um período de tempo muito curto e aquelas lágrimas fossem apenas consequências desse infortúnio.
MEMORIES • OFF
ϡAo ter tal lembrança, ela para de caminhar.
LUANA: Eu preciso esquecer isso... Tem quase 20 anos e essa história já me torturou demais. Preciso me perdoar e começar a ser uma irmã de verdade pra Havana. E isso nunca vai acontecer se essas malditas lembranças não forem abandonadas.
ϡDiz colocando em seu rosto uma expressão séria e firme.
LUANA (Séria): Foi aqui que tudo começou. E será aqui onde isso será esquecido também!
Cena 06 (Hotel 1 | Corredor | Interior)
ϡYara, Havana e Pedro estão no local em frente a uma porta.
HAVANA: Essa é a suíte que você vai ficar, Yara. E essa aqui é a sua Pedro.
ϡAponta para a porta do outro lado do corredor. Ao longe, Flávia vinha caminhando pelo mesmo corredor. Ao ver Havana junto com Yara, sua face rapidamente se enrijece em uma expressão carregada de intriga e amargor. Ela se esconde atrás de um vaso de plantas e observa com desgosto a cena à frente.
FLÁVIA (Incrédula): Não... Isso não pode ser possível... O que eles ainda estão fazendo aqui?
ϡLogo o foco volta para os três. Pedro entra no quarto designado para si, deixando Yara e Havana sozinhas.
YARA: Eu realmente agradeço de coração toda essa sua gentileza, Havana. Mas agora que estamos sozinhas, eu gostaria de conversar com você a respeito de um assunto mais sério. Acredito que seja justo e honesto da minha parte abrir quem minha pessoa é, com você.
HAVANA: Claro, podemos conversar.
ϡYara coloca a mão na maçaneta da porta e gira, mas antes de abrir, o celular de Havana começa a tocar. Ao pegar o aparelho e ver de quem se tratava, faz um sinal para Yara aguardar, em seguida atende a ligação.
HAVANA: Oi? Sim sou eu [...] O quê? Hospital? [...] Minha nossa... Tá, eu vou ver o que eu faço, até mais tarde.
ϡAo encerrar a ligação, olha para Yara um pouco chateada.
HAVANA: Olha me desculpa, mas aconteceu uma intercorrência com um funcionário e vou precisar sair pra resolver. Mas podemos conversar depois.
YARA (Compreensiva): Claro, vai resolver a urgência. Não tenho a pretensão de sair daqui mesmo, então quando achar um tempo é só bater na porta.
HAVANA: Então tá, nos falamos depois. Até!
YARA: Até...
ϡAmbas se despedem e Havana sai andando pelo corredor. Yara, por sua vez, entra no quarto. Já Flávia, ao longe, se vira com o rosto repleto de raiva e parte em retirada também.
Cena 07 (Hospital | Quarto | Noite)
ϡO pé direito de Lucas está enfaixado. Isabella está no local conversando com ele.
ISABELLA: Incrível que não precisou passar um dia pra isso acontecer. Minha boca é mágica mesmo.
LUCAS: Se mágica quer dizer maldita, sim, realmente sua boca é única.
ISABELLA: Acredito que agora vai criar coragem e fazer aquilo que precisa ser feito, né?
LUCAS: Bom, considerando os fatos... Precisaria fazer isso mesmo contra minha vontade.
ϡIndaga olhando para o pé enfaixado.
LUCAS: Ainda bem que não quebrou nada e foi apenas uma torção leve.
ISABELLA: Ainda bem mesmo. Mas agora me fala, quem era aquele Deus grego que estava com você quando eu cheguei?
LUCAS: Ah, o Léo? É apenas um turista... Ele me ajudou a chegar até aqui.
ϡIsabella tenta reprimir o sorriso ambíguo, mas não consegue. Lucas ao perceber revira os olhos.
LUCAS: Diferente de você, eu não fico pensando nessas coisas. Ainda mais com um turista playboyzinho.
ISABELLA: Sei... Conheço bem o amigo que eu tenho.
LUCAS: Pois não parece.
ϡA porta do quarto se abre interrompendo a conversa. Havana passa por ela.
HAVANA (Preocupada): Vim correndo quando soube. O que aconteceu lá na piscina?
LUCAS: Não foi nada demais dona Havana, apenas esbarrei numa boia enquanto servia alguns turistas, foi só uma torção leve.
ϡHavana olha para o pé enfaixado e depois para o rosto do rapaz.
HAVANA: Mesmo assim poderia ter acontecido algo mais grave. Precisa tomar cuidado quando for trabalhar nesses locais.
ISABELLA: Há dias venho falando que ele precisa se cuidar Havana, mas vê se me escuta.
ϡLucas encara Isabella e depois volta a olhar para Havana, que fica no anseio por uma explicação mais detalhada do rapaz.
Cena 08 (Hotel 1 | Suíte | Noite)
ϡYara está deitada sobre a cama. Mas logo se levanta e começa a andar pelo quarto. Conforme olha para os objetos e acessórios de alta riqueza que mobíliam o local, seus olhos se enchem de entusiasmo e animação. Ao entrar no banheiro, ela fita o grande espelho no lavabo e uma banheira de espumas ao lado.
YARA: É incrível. A diferença, o estilo, a vida diferenciada que as pessoas podem ter. Enquanto eu sou obrigada a viver naquele mausoléu abandonado, existem pessoas que desfrutam dessa maravilha aqui.
ϡMurmura pegando uma toalha branca, essa que sente a maciez de seu material.
YARA: Eu sei que é um caminho sem volta, mas eu tô disposta e vou cometer todos os riscos necessários para essa virar a minha realidade!
ϡExclama com firmeza enquanto encara seu reflexo no espelho.
(FIM DO CAPÍTULO)
Créditos:
19/04/2022
©️ GS Literatura.