Tropical - Capítulo 29
Web Novela
Autor: Lucio Miranda
Abertura:
Cena 01 (Heliponto | Externa | Tarde)
ϡFlávia segue paralisada, embora estivesse com a plena intenção e certeza de fazer aquele ato atemorizador, ao ouvir a voz atrás de si, congela e começa a finalmente repensar na loucura que estava prestes a cometer.
— Não pode fazer isso.
FLÁVIA (Nervosa): Se afasta. Não chega perto de mim.
— Calma! Eu tô aqui pra te ajudar.
FLÁVIA: Ninguém pode me ajudar.
— Pense na Isabella. Por pior que seja a relação entre vocês duas, imagina como ela ficará ao saber dessa sua atitude.
ϡIndaga a voz deixando Flávia ainda mais emotiva.
FLÁVIA (Lacrimejando): A minha filha...
— Então. Pense nela, em sua dor.
ϡFlávia chora ainda mais. Em seguida vemos a visão em primeira pessoa, do ser que emana a voz acalentadora. Gradativamente seus passos se aproximam de Flávia até ficar próximo o suficiente para a moça ser resgatada. Logo uma mão é estendida e podemos reconhecer alguns traços familiares.
FLÁVIA (Chorando): Porque está fazendo isso? Eu quase acabei com a vida da sua irmã, repudiei seu relacionamento com a minha filha e nunca faço nada direito. A maioria dos funcionários aqui me odeiam e com certeza amariam me ver despencando daqui!
ϡAo dizer tudo isso, a pessoa de caráter oculto, que já não era mais tão oculto assim, rebate sua afirmação.
PEDRO: Não vou mentir que tenho muitos contras ao seu respeito, mas não posso permitir que faça isso. Não seria justo. Eu tenho certeza que alguém racional, não ficaria bem em ver alguém nesse estado de desalento emocional simplesmente se entregar ao fracasso e suas fraquezas. Acredito que há uma segunda chance esperando por todos que querem agarrá-la.
ϡFlávia pondera por um momento. Ela definitivamente não imaginava nada disso, e muito menos imaginava receber o apoio de alguém que teria muito mais motivos para odiá-la, do que ao contrário. Mas o que ela não sabia, é que nada é por acaso...
•••
• Momentos antes...
Cena 02 (Cabana de Malya | Interior)
ϡDentro do local, Malya se encontrava concentrada em sua bola de cristal, entretanto ao tocar o objeto místico, uma onda repleta de negatividade lhe atinge. Ao olhar para a janela, percebe uma pequena escurecida na luz do sol e um vento relativamente anormal adentrar o local e fazer as velas sob a mesa se apagarem.
MALYA (Séria): Esses sinais... Essa sensação estranha...
ϡAo perceber o que aquelas representações não expositivas queriam dizer, sua face demonstra uma expressão atípica de horror.
MALYA (Horrorizada): Não... Isso não pode estar acontecendo. Eu preciso fazer alguma coisa.
ϡSem demora, ela se retira do local e deixa em aberto seu próximo objetivo.
Cena 03 (Quiosque | Tarde)
ϡPedro está limpando uma mesa do local. O mesmo se encontra vazio e relativamente silencioso. De repente ao se virar para ir limpar uma outra mesa, ele dá de cara com Malya.
PEDRO (Espantado): Dona Malya? O que a senhora tá fazendo aqui?
ϡMalya enrijece seu olhar sério e segura o braço de Pedro.
MALYA (Séria): Eu preciso da sua ajuda. Senti uma energia negativa e tenho medo de que algo ruim esteja prestes a acontecer.
ϡPedro imediatamente fica sério.
PEDRO: E a senhora sabe a quem essa coisa ruim esteja atrelada?
MALYA: Mais ou menos. No momento só veio a Havana e a Flávia na cabeça.
PEDRO (Receoso): Meu Deus... A Flávia? Essa mulher é maluca. Acredita que ela mandou um capanga sequestrar a Yara e dar um fim nela?
MALYA: Da Flávia eu espero qualquer coisa. Ela é uma pessoa muito instável e faz muitas besteiras por impulso. Precisa urgente de uma ajuda profissional.
PEDRO (Espantado): Ajuda? Ela precisa é mofar numa cadeia isso sim. E de preferência comendo o pão que o diabo amassou.
ϡMalya encara o rapaz e demonstra certa discordância em seus olhos.
MALYA: Acredita mesmo que desejar o mal a alguém irá fazer desta pessoa alguém melhor?
ϡPedro desvia o olhar e se silencia.
MALYA: Por pior que seja a pessoa, desejar que ela sofra não irá mudar nada em nossa vida, no máximo causar uma breve sensação de alívio e conforto, mas é só.
PEDRO: E o que a senhora quer que eu faça?
MALYA: Vá atrás da Havana e veja se ela está bem. E caso o pior esteja acontecendo, não aja por impulso ou ódio, mas seja racional e justo.
ϡApós ouvir o pedido de Malya, Pedro desmancha sua seriedade e dá espaço a um olhar pensativo.
Cena 04 (Tropical Center | Corredores )
ϡPedro anda pelo local. Ao chegar em determinado ponto, vê Flávia correndo num corredor à frente. Imediatamente seu olhar fica atento e ele vai na mesma direção. Ao chegar lá, olha para o elevador que indicava cobertura e depois olha para o escritório de Havana, que se situava no final do corredor. Seu instituto rapidamente lhe diz para ir ao escritório, ao chegar lá, vê Havana cabisbaixa e derramando algumas lágrimas.
PEDRO (Preocupado): Dona Havana? A senhora tá bem?
ϡA mulher só se limita a gesticular em negação e soltar uma pequena frase.
HAVANA (Lacrimejando): Me deixa sozinha...
ϡAo ouvir o pedido, o rapaz decide concordar e faz o que foi solicitado. Após deixar o escritório e já caminhando pelo corredor de novo, ele fica intuitivo a respeito de Flávia e o elevador indicando cobertura.
Cena 05 (Cobertura | Externa)
ϡA porta do elevador se abre. Pedro sai do interior do local para fora e caminha pela região em busca de Flávia.
PEDRO (Pensativo): O que você fez Flávia? E aonde se meteu?
ϡAo chegar próximo do heliponto, percebe a moça em pé próximo a borda. Uma sensação ruim imediatamente passa por seu corpo. A voz de Malya reverbera em sua mente.
"MALYA (Off): Da Flávia eu espero qualquer coisa. Ela é uma pessoa muito instável e faz muitas besteiras por impulso. Precisa urgente de uma ajuda profissional."
ϡPressupondo as possíveis intenções da moça, ele rapidamente se choca.
PEDRO (Perplexo): Não... Ela não faria isso...
ϡEntretanto ao vê-la cruzar a barreira de proteção, suas palavras se quebram e só lhe resta como única opção fazer algo a fim de impedir uma tragédia. Quando Flávia se preparava para fazer o pior, ele chega correndo e sem pensar duas vezes, grita as três palavras que a fariam repensar suas atitudes.
PEDRO: Não faça isso!
•••
• Momento presente
ϡJá a salvo, Flávia está sentada bem no meio do heliponto. Pedro está em pé ao seu lado terminando de falar com alguém via celular. Ao desligar o aparelho, ambos se olham.
FLÁVIA (Em remorso): Me... Desculpa.
ϡPedro nada responde, apenas se limita a assentir positivamente. Afinal, em uma coisa os dois estavam em pleno consenso, diante daquela situação, formular qualquer tipo de palavra era complicado e não iriam anular todas as coisas que aconteceram.
Cena 06 (Suíte de Havana | Interior | Tarde)
ϡLuana, Yara e Havana estão no sofá conversando.
HAVANA: Foi horrível... Sabe o que é pior? Que eu não consegui ver maldade nos olhos dela. Via desespero, medo...
YARA: Pelo pouco que eu tive de contato com a Flávia, e por tudo que ouvi a respeito, posso dizer com todas as letras que ela vê em você uma grande dependência emocional, Havana.
LUANA: Com certeza. Deve ser muito triste chegar nesse nível de insanidade. Imagina você perder metade da sua vida cultivando um amor platônico e não reconhecido.
ϡDe repente o barulho do celular de Havana começa a reverberar no ambiente.
HAVANA: Pode atender pra mim, Luana?
ϡLuana pega o telefone e vê que é uma ligação de Isabella. Ao atender a voz desesperada da moça, surge do outro lado.
ISABELLA - Alô? Havana?
LUANA: Oi Isabella, não, a Havana está ocupada no momento. O que aconteceu?
ϡIsabella começa a relatar a notícia que recebeu e os olhos de Luana se arregalam.
LUANA (Perplexa): Tá... Eu já tô indo aí, até mais.
ϡAo desligar, Yara a questiona.
YARA: O que houve?
LUANA: O Pedro ligou pra Isabella e disse que a Flávia tentou se jogar do heliponto.
ϡYara e Havana se surpreendem também e as três rapidamente disparam um olhar apreensivo para a porta.
Cena 07 (Cais | Tarde)
ϡUma balsa atraca no local. Dela alguns turistas desembarcam, dentre eles Adisson e Harvey.
HARVEY: Finalmente chegamos... Não aguentava mais ficar dentro dessa balsa.
ϡAo olhar para a mãe, ele percebe que a mulher está distraída olhando para os edifícios correspondentes ao hotel.
HARVEY: Mãe?
ϡAo ouvir a voz do filho mais uma vez, a mulher recobra a consciência e o olha.
ADISSON: Ah, oi, sim você tem razão.
HARVEY: Tava pensando no quê?
ϡAdisson desvia o olhar no mesmo momento.
ADISSON (Desconversando): Não era nada não... Vamos?
Cena 08 (Tropical Center | Recepção)
ϡHavana, Luana e Yara correm pelo local até um dos elevadores, entretanto ao chegarem perto da porta, ela se abre e Pedro surge.
YARA: Pedro... O que aconteceu?
ϡPedro as olha visivelmente mexido.
PEDRO: Acredito que aqui não seja o melhor lugar para explicar essa história.
HAVANA: E onde a Flávia tá?
PEDRO: Com a Isabella, lá em cima.
ϡO rapaz argumenta gesticulando para dentro do elevador. As três se olham mais uma vez.
Cena 09 (Cobertura | Externa | Final da Tarde)
ϡCom o sol em um aspecto alaranjado, seus raios batiam diretamente na parede onde Flávia estava recostada. Isabella também se encontrava no local. Em seus rostos apenas o profundo sentimento de tristeza predominava. Mesmo diante daquela melancolia sem igual, Flávia olha para o rosto da filha e resolve tomar uma atitude.
FLÁVIA: Acredito que temos uma longa conversa pela frente...
ϡSua voz saia completamente falha e demasiada de arrependimento. Isabella por sua vez, gesticula concordando, restando apenas um breve anseio das duas partes, pelo que viria a seguir.
(FIM DO CAPÍTULO)
Créditos:
13/05/2022
©️ GS Literatura.