Tropical - Capítulo 11
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Autor: Lucio Miranda
Abertura:
Cena 01 - Ilha Tropical (Cabana | Interior | Início da Noite)
ϡMalya e Flávia estão sentadas frente a frente na mesa de esoterismo.
MALYA: Afinal, o que você quer Flávia? Disse que precisávamos conversar mais até agora não disse nada.
FLÁVIA: Olha não tá sendo fácil pra mim tá bom? Esses últimos dias minha vida anda uma loucura.
MALYA (Resmungando): Loucura... Sei. Aposto que isso tem nome e sobrenome. É a Havana né? Você tá aqui por causa dela.
FLÁVIA: Em partes sim. Mas também vim por mim mesma, precisava ter algumas respostas. Afinal você diz prever o futuro com essa bola aí...
MALYA: Eu não prevejo o futuro se é isso que quer saber, eu apenas sinto emoções e fenômenos não naturais.
FLÁVIA: Que seja... o ponto é, por mais estranho e bizarro que possa parecer, você talvez tenha razão em algumas coisas...
MALYA (Interrompendo): Eu sempre tenho razão Flávia. E se você tivesse me escutado ou vindo me procurar há vinte anos, como está fazendo agora, muita coisa poderia ser diferente hoje em dia.
ϡFlávia rapidamente fica séria.
Cena 02 (Resort Tropical Center | Hotel 3 | Quarto)
ϡLucas e Isabella estão conversando.
LUCAS: Às vezes parece mágica, ele brota do nada pra me ajudar.
ISABELLA: Isso tem cheiro de destino fazendo sua parte.
LUCAS: Sei não viu... Acho que tem algo a mais aí.
ISABELLA: Bom, se tiver com o tempo você descobre. Mas agora mudando um pouco o assunto, você não vai acreditar, eu me encontrei de novo com aquele cara do elevador.
LUCAS (Irônico): Porque eu não estou surpreso? Pela sua cara de besta enquanto eu falava, tinha certeza que havia algo. Mas e aí? Como foi?
ISABELLA (Sorrindo): O nome dele é Pedro, ele é de Salvador [...]
ϡEla se empolga e continua a relatar os acontecimentos. Lucas escuta tudo atentamente.
Cena 03 (Cabana | Interior | Noite)
ϡUma enorme onda de irritação consome Flávia.
FLÁVIA (Irritada): Se não fosse por mim, hoje a Havana talvez estivesse cansada daquela desgraçada, que só queria roubar o dinheiro dela.
MALYA: A Fernanda jamais faria uma coisa dessas. Ela amava a Havana de verdade, e sempre deu várias provas desse amor. E se hoje ela não está mais aqui, é por sua causa. (Ríspida): Então, lava a sua boca antes de sair por aí falando insanidades da mulher que você matou!
ϡFlávia se exalta ao ouvir a afirmação da mulher.
FLÁVIA (Furiosa): Quem a senhora pensa que é pra vir insinuar uma coisa dessas? Todo mundo sabe que aquilo foi um acidente.
MALYA: Ah Flávia, para né? Eu não sou nenhuma idiota. Esse seu jogo de manipulação não funciona comigo. Uma lancha explode em alto mar sem nenhum motivo aparente? Porque você não confessa logo que cometeu mais esse crime?
FLÁVIA: Realmente não dá pra ter nenhum tipo de conversa pacífica com você.
ϡDiz se levantando da mesa.
MALYA: O dia que você assumir todos os seus erros e trabalhar para ser uma alma do bem, pode ter certeza que terá todo meu apoio. Agora, enquanto continuar nessa obsessão sem limite pela Havana, eu farei o que puder para ser uma pedra no seu caminho!
ϡFlávia rapidamente enrijece o rosto em uma expressão séria.
FLÁVIA (Séria): Só toma cuidado, pra não ser chutada para longe como uma.
MALYA (Séria): Suas ameaças não me atingem.
FLÁVIA: Mas deveria. Quem tem medo, procura sempre tomar cuidado.
ϡApós dizer isso, ela se retira. Já Malya, apenas balança a cabeça em negação.
Cena 04 (Penhasco | Noite)
ϡApós sair da cabana de Malya, Flávia caminha até o penhasco próximo do local. Ao chegar na beira, olha atentamente as águas do mar se chocarem com as pedras do paredão de rochas. Ao centralizar o olhar para frente, vê o mar parcialmente coberto por um denso nevoeiro. Sobreposta na névoa, uma lua cheia se destacava.
FLÁVIA (Aflita): Ninguém me entende... nunca vão conseguir compreender que todas minhas ações em relação a Havana, sempre são pensando no bem dela.
ϡLagrimas escorrem de seus olhos. A seguir ela sai dali.
• UM MÊS DEPOIS...
ϡYara e Pedro começam a trabalhar no Tropical Center
ϡCada dia que passa, Havana e Yara se aproximam mais.
ϡFlávia ao ver a aproximação das duas, começa a alimentar cada vez mais raiva e revolta dentro de si.
ϡLucas e Léo embora não exerçam um contato mais profundo, se cumprimentam todos os dias, construindo com o passar do tempo uma pequena empatia.
ϡPedro e Isabella se encontram mais vezes e acabam construindo uma amizade.
Cena 05 (Escritório de Havana | Interior | Tarde)
ϡO lugar se encontra silencioso. Embora Havana estivesse em sua mesa, a mesma tinha em mãos um porta-retrato, nele uma foto dela mais jovem juntamente com uma moça sorrindo, chamava a atenção. Conforme observa a foto, algumas lágrimas escapam de seu rosto. Esse momento de recordação muito provavelmente se estenderia por mais tempo, se uma batida na porta não o interrompesse abruptamente. Ao escutar as batidas, ela guarda o porta-retrato e limpa as lágrimas. Em seguida força um sorriso e dá sinal verde para a pessoa do outro lado entrar.
HAVANA: Entra!
ϡA porta se abre e Yara surge por ela segurando uma pilha de pastas com documentos.
YARA: Trouxe as pastas que me pediu. Deu um pouco de trabalho pra achar, o setor dos arquivos tava uma bagunça, então talvez tenha coisas aqui que não correspondem.
ϡDiz colocando as pastas sobre a mesa.
HAVANA: Sem problemas. Eu definitivamente preciso urgente pedir pra alguém organizar aquilo.
YARA (Sorrindo): Se você quiser eu posso fazer isso.
HAVANA: Não sei Yara, você já anda me ajudando tanto nesses últimos dias, não queria te jogar mais essa responsabilidade.
YARA: Sem problemas, se eu tô me oferecendo é porque realmente não vai me causar dificuldade alguma.
HAVANA: Bom, já que é assim, tudo bem.
Cena 06 (Quiosque | Tarde)
ϡIsabella está sentada em uma das mesas conversando com alguém no telefone.
ISABELLA: Sim pai eu tô bem, não precisa se preocupar.
— E sua mãe?
ISABELLA: Ah, continua a mesma né. Você sabe como ela é.
ϡUm suspiro seguido de um pequeno silêncio é ouvido na linha. Alguns segundos depois a voz do homem retorna.
— De início eu achava que não, mas olhando hoje em dia e tudo o que aconteceu, realmente me separar dela foi a melhor coisa que fiz.
ISABELLA: Pra ser sincera, se eu pudesse saia por conta própria desse lugar. Ia pra bem longe. Infelizmente a mamãe tem esse dom, afastar todo mundo que sente o mínimo de empatia por ela.
— Só espero que uma hora ela enxergue a realidade, antes que fique sozinha de vez.
ISABELLA: É... Tomara.
— Bom filha, eu tô cheio de trabalho e preciso desligar. Até qualquer hora.
ISABELLA: Até pai... Beijos.
ϡA ligação se encerra e Isabella bloqueia o celular respirando fundo. Pedro, que havia acabado de encerrar seu expediente, passa por perto e nota a tristeza de Isabella. Ele resolve se aproximar.
PEDRO (Preocupado): Tá tudo bem Isabella? Você me parece um pouco deprimida.
ϡEla ergue minimamente sua cabeça e ambos trocam olhares.
Cena 07 (Hotel 3 | Quarto | Final da Tarde)
ϡLucas está saindo de seu quarto. A julgar pelos seus passos e locomoção, seu pé já está totalmente saudável. A porta à frente também se abre e Léo passa por ela.
LUCAS: Tá legal, você tá me vigiando né?
ϡPergunta arqueando as sobrancelhas. Léo solta uma gargalhada e gesticula negando.
LUCAS: Então porque toda vez que eu vou sair, você também está saindo?
LÉO (Dando de ombros): Sei lá... Coincidências existem.
ϡLucas expressa um olhar desconfiado.
LUCAS: Tá indo pra onde agora? Indo jogar com seus "parceiros" de novo?
LÉO: Não, tô indo jantar mesmo. Gostaria de me acompanhar?
ϡLucas acaba se surpreendendo com o convite. Mas não recusa.
LUCAS: É... Pode ser.
ϡLéo sorri e ambos continuam se olhando.
Cena 08 (Rua | Final da tarde)
ϡPedro e Isabella caminham pela rua que contorna a orla da praia. Ambos conversam.
ISABELLA: Minha mãe é o meu principal problema, Pedro. Às vezes eu sinto que eu nunca vou ser capaz de compreendê-la. Desde sempre ela foi desse jeito... Desapegada, fechada e misteriosa.
PEDRO: Complicado isso...
ISABELLA: Às vezes eu não sei como eu me tornei a pessoa que sou hoje. Nunca tive uma mãe ou um pai presente, e ainda cresci rodeada de empregados.
PEDRO: Tem momentos que a vida é cheia de ironias né? Minha mãe morreu quando eu era criança e eu nunca conheci meu pai, dizem que ele era um pescador e morreu numa tempestade. Já você, tem os dois vivos, mas é como se fosse uma órfã também.
ISABELLA: Sim. Isso é o que mais dói. Saber que eles estão aqui e simplesmente não ligam pra minha existência. Querendo ou não são seus pais, e ninguém imagina receber um comportamento desses vindo deles.
ϡMurmura desanimada. Pedro afim de cortar o clima melancólico que ali residia, propõe um convite.
PEDRO (Sorrindo): Aí, que tal a gente sair pra jantar? Seria uma boa forma de esquecer essa depressão toda.
ϡIsabella o olha e abre um pequeno sorriso em resposta.
Cena 09 (Tropical Center| Depósito | Interior)
ϡYara está arrumando os armários do local. A bagunça era tanta que pastas do setor de contabilidade se encontravam junto com as de manuais internos.
YARA: Meu Deus... Quanta bagunça. Realmente ninguém arruma isso a séculos.
ϡAo tocar numa pasta azul marinho, um documento cai da mesma no chão. Ao pegar o papel para analisá-lo com mais profundidade, a porta da sala se abre e Flávia adentra o local. Ao ver Yara com a pasta e o documento na mão, ela rapidamente fica séria.
FLÁVIA (Séria): O que você tá fazendo aqui?
ϡYara rapidamente se vira e encara Flávia.
(FIM DO CAPÍTULO)
Créditos:
22/04/2022
©️ GS Literatura.