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Três Vidas - Capítulo 39

Abertura:

Cena 01 (Mansão Paranhos/Cozinha/Interior/Noite)

⎳Jogados no chão, Pietro está sobre Enrico, e os dois se olham profundamente. O menino cai para o lado, ofegante, e Enrico tenta processar o que aconteceu. Uma enorme mancha de sangue se forma no peito de Pietro.

ALLANA (Desesperada): Pietro!

⎳Ela fica de joelhos ao lado do rapaz. Enrico olha para o revólver que está em sua mão e se dá conta do que fez. Ele se desfaz da arma rapidamente e vai até o filho.

ALLANA (Aflita): Fala comigo, Pietro!

PIETRO (Cansado): Olha o que você fez, pai... Tá feliz agora?

ALLANA (Desesperada): Calma, Pietro! Não se esforça! Chama uma ambulância, Enrico!

ENRICO (Nervoso): Eu não sei o que eu faço!

PIETRO (Ofegante): Não adianta, Allana... Já era para mim...

⎳Uma lágrima fina escapa do olho do rapaz.

PIETRO (Com dificuldade): Assume o que você fez, pai... Assume...

ENRICO (Chorando): Não morre, Pietro! Fica aqui, meu filho! Eu sou seu pai, eu te amo e nunca te faria mal! Me escuta, eu sou o seu pai!

⎳Pietro lentamente desfalece e dá seu último suspiro. Enrico bate em seu rosto, tentando animá-lo.

ENRICO (Chorando/Desesperado): FICA AQUI, PIETRO! VOCÊ NÃO PODE MORRER!

⎳Allana debruça a cabeça sobre o corpo do menino, chorando intensamente. Enrico se senta no chão e vê suas mãos sujas de sangue. Ele cai em lágrimas e abaixa a cabeça.

ALLANA (Chorando): Você matou o seu próprio filho, Enrico. Você é um assassino!

⎳Do lado externo da mansão, é possível ver Açucena ligando para a polícia.

AÇUCENA (Fingindo): Por favor, eu preciso de ajuda! Eu acho que aconteceu um assassinato aqui!

⎳Ela sorri friamente.

Cena 02 (Casa de Valentim/Interior)

CAPITU: A senhora não vai dizer nada?

MARGARET: Não tem muito o que dizer, minha filha. Quando você me falou que estava com alguém eu imaginava que fosse um namorado, mas já que é uma namorada, fico feliz do mesmo jeito por você!

CAPITU (Alegre): É sério?!

MARGARET (Sorrindo): Claro né, Capitu. Ainda mais uma nora bonita dessas. Vem cá, minha filha... E vem você também, Giovanna.

⎳Margaret abraça a filha, e Giovanna se junta.

GIOVANNA (Sorrindo): Feliz por finalmente te conhecer, sogrinha.

INDIRA: E eu fico muito feliz pelo namoro de vocês, Capitu. Felicidades às duas.

CAPITU: Obrigada, Indira! Eu sinceramente não esperava que a minha mãe fosse reagir tão bem.

INDIRA: Imagina se ela não aceitaria, Capitu. Sua mãe também já pegou muita mulher quando era mais nova, né não, Margaret?

MARGARET: Que isso, Indira?! Essas coisas não se conta!

⎳As três riem dela.

Cena 03 (Mansão Paranhos/Cozinha/Interior)

⎳Enrico e Allana permanecem da mesma forma que antes, quando a polícia invade a mansão, e Enrico se levanta assustado. Os policiais rapidamente chegam à cozinha e veem a cena.

POLICIAL: O que foi que aconteceu aqui?!

ENRICO (Chorando/Atordoado): Eu matei o meu próprio filho... EU TIREI A VIDA DELE!

⎳Dito isso, os policiais rendem Enrico e o algemam. Aos prantos, Allana é afastada do corpo de Pietro, e a área começa a ser isolada.

Cena 04 (Mansão Paranhos/Exterior)

⎳Os policiais conduzem o Enrico em direção à viatura, algumas pessoas assistem à cena assustadas. Açucena se sobressai entre a multidão, e Enrico a vê. O homem para de andar.

ENRICO (Gritando): FOI VOCÊ! É SUA CULPA!

AÇUCENA: Dessa vez você não vai conseguir incriminar outra pessoa no seu lugar!

ENRICO (Alterado): EU VOU TE MATAR!

⎳Ele tenta se soltar dos policiais, mas é segurado com agressividade.

AÇUCENA: Você matou seu filho, Enrico!

⎳O empresário é colocado dentro da viatura, que sai em disparada. Açucena ri, satisfeita.

Cena 05 (Praia/Orla)

⎳Bernardo e Dália caminham pela orla da praia, ainda abatidos com tudo que aconteceu.

BERNARDO: Obrigado por toda essa força que você tá me dando, Dália. Eu nunca pensei que fosse ver meu irmão num caixão...

DÁLIA: Eu te entendo perfeitamente, Bernardo. Eu sou irmã mais velha também e não quero imaginar nunca que isso possa acontecer com alguma delas.

BERNARDO: O Calebe vai fazer muita falta, não só para mim, mas para muita gente. Eu só queria que de onde ele estiver, saiba o quanto é querido por todos.

DÁLIA: Pode ter certeza, Bernardo, ele sabe disso.

BERNARDO: Mais uma vez, obrigado, Dália...

DÁLIA: Não tem que me agradecer. Eu também sou muito grata por tudo que você já fez por mim.

BERNARDO: Isso é tudo que você sente por mim? Gratidão?

DÁLIA: Muito mais que gratidão, Bernardo, é amor!

⎳Os dois se olham e se beijam apaixonadamente, mas são interrompidos pelo toque do celular de Bernardo. O homem atende à ligação.

BERNARDO (Estranhando): Alô? Sim, sou eu...

⎳Ao encerrar a chamada, Bernardo fica com um semblante de choque e tristeza.

BERNARDO (Incrédulo): O meu pai!

DÁLIA (Preocupada): O que aconteceu?

BERNARDO (Nervoso): Só me abraça, Dália!

⎳Eles se abraçam, e Bernardo desaba em lágrimas no ombro da mulher.

Cena 06 (Delegacia/Exterior)

⎳A viatura para em frente ao local. Enrico é retirado do veículo pelos policiais, e uma multidão de repórteres e paparazzis abordam o homem, tirando diversas fotos e apontando microfones em sua direção.

REPÓRTER 1: Senhor Enrico, o que aconteceu naquela mansão?

REPÓRTER 2: O senhor pode nos dizer o que aconteceu com seu filho Pietro Paranhos?

POLICIAL: Por favor, afastem! Se afastem!

⎳Enrico se mantém calado, com um olhar abatido.

Cena 07 (Sala do Delegado/Interior)

⎳Enrico chega à sala ainda algemado. O delegado levanta de sua cadeira e fica de frente para o homem.

DELEGADO: Então, Enrico Paranhos, vai nos contar o que aconteceu?

ENRICO (Sério): Eu não matei só o meu filho, delegado. Eu também sou o verdadeiro assassino de Natalie Paranhos, minha ex-mulher!

⎳O delegado fica perplexo com a revelação, enquanto Enrico demonstra seriedade.

DIA SEGUINTE.

Cena 08 (Casa de Valentim/Sala/Manhã)

⎳Açucena pega seu celular e abre um site de notícias. Lá ela vê a foto de Enrico como capa, informando sobre sua prisão.

AÇUCENA (Sorrindo): Tá em todos os sites!

⎳Açucena começa a gargalhar alto, fazendo com que suas irmãs apareçam no local assustadas.

DÁLIA (Preocupada): O que foi, Açucena?

AÇUCENA (Eufórica): Me abraça, gente, porque esse momento é só meu, todo meu!

⎳Com um enorme sorriso, ela abraça as irmãs, que ficam sem entender. Uma passagem de tempo se inicia.

UM MÊS SE PASSA...
— O funeral de Pietro ocorre, e Bernardo sofre pelo irmão.
— Allana fica sozinha na mansão.
— Acontece o julgamento de Ronny e ele é condenado a 15 anos de prisão pela morte de Valentim.
— Chega o dia do julgamento de Enrico.

Cena 09 (Tribunal/Interior/Tarde)

⎳Todos acompanham o julgamento e ficam de pé para a leitura da sentença. Enrico aguarda de cabeça baixa, já aceitando a derrota.

JUÍZA: O réu Enrico Paranhos Medeiros é considerado culpado pelos homicídios de Pietro Paranhos e Natalie Paranhos, sendo condenado à pena de trinta anos de reclusão, que deverão ser cumpridos em regime fechado e solo nacional.

⎳Ao dizer isso, Maitê suspira aliviada e abraça Charles. Bernardo se sente mal, e Dália o consola pegando na sua mão. Allana reage indiferente a Enrico, se sentindo vingada. Enrico deixa escorrer uma lágrima enquanto os policiais o conduzem.

JUÍZA: Eu declaro encerrada esta sessão!

⎳Enrico olha para trás e se depara com Açucena entre o público, sorrindo satisfatoriamente para ele, da mesma forma que o homem fez no julgamento dela.

ENRICO (Gritando): VOCÊ DESGRAÇOU A MINHA VIDA! VOCÊ!

⎳Ele se descontrola, mas é contido pelos policiais.

AÇUCENA: Eu não precisei fazer nada, Enrico! Você se desgraçou sozinho!

⎳O homem é retirado da sala contra a sua vontade.

Cena 10 (Presídio/Interior)

⎳Com os cabelos raspados e usando um uniforme, Enrico é conduzido pelo carcereiro. Ele analisa o lugar com repulsa, até que chega na frente de sua cela. O carcereiro abre a porta e Enrico entra, se deparando com alguns detentos.

DETENTO 1 (Rindo): Aí ó, a carne nova é da boa, gente!

ENRICO (Amedrontado): Eu não quero arrumar nenhum problema aqui não.

DETENTO 2 (Sorrindo): Relaxa, coroa. Tu não vai ter nenhum problema, é só fazer tudo que a gente mandar.

⎳Enrico encara eles em pânico.

Cena 11 (Casa de Valentim/Sala/Noite)

⎳Açucena estoura uma champanhe e comemora com a família. Elas brindam as taças alegres.

INDIRA: Eu nunca pensei que fosse comemorar a prisão de alguém, mas esse homem merece!

AÇUCENA: Isso é muito mais do que a prisão do Enrico, mãe. É comemorar a minha inocência! Eu não fui a responsável pela morte da Natalie, e agora todos sabem disso!

CAPITU: E o que você vai fazer agora, Açu?

AÇUCENA: Agora? Agora eu vou viver! Sem ter que me preocupar com aquele homem, pelo menos por enquanto.

ALGUNS DIAS DEPOIS...

Cena 12 (Presídio/Cela/Manhã)

⎳O carcereiro bate na porta da cela de Enrico.

CARCEREIRO: Visita!

⎳Enrico se empolga e rapidamente acompanha o carcereiro.

Cena 13 (Sala de Visitas/Interior)

⎳Com alguns machucados no rosto e aspecto cansado, Enrico é colocado na sala. Açucena se vira e fica de frente para o homem, o deixando assustado.

ENRICO (Nervoso): Eu esperava qualquer um aqui, menos você!

AÇUCENA (Sorrindo): Olha só para você, Enrico... Está um trapo!

ENRICO: O que você esperava? Esses últimos dias aqui tem sido um inferno!

AÇUCENA: Se prepare, porque isso é só o começo. Não pense que tudo acabou naquela sala do tribunal, porque ainda vai ter muito mais. A partir de hoje sua vida vai ser um pesadelo, Enrico. E eu vou garantir pessoalmente que esse lugar seja o seu inferninho particular!

⎳Os dois ficam frente a frente, se encarando seriamente.

AÇUCENA e ENRICO: Eu estava ali, cara a cara com a pessoa que acabou com a minha vida!

(FIM DO CAPÍTULO)

Créditos ao som de (Halsey, Lauren Jauregui - Strangers):

17/11/2022

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