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Três Vidas - Capítulo 38

Abertura:

Cena 01 (Bar/Interior/Fim de Tarde)

ENRICO (Sério): O que você tá fazendo aqui? Veio debochar de mim e do meu estado?

⎳Açucena se senta ao lado dele.

AÇUCENA: Eu já vi o seu estado lá no cemitério, Enrico. Só você não me viu...

ENRICO (Surpreso): O que você tava fazendo no funeral do meu filho?

AÇUCENA: Tem muita coisa que você não sabe. Eu e o Calebe nos conhecíamos muito mais do que você imagina.

ENRICO: Como assim?

AÇUCENA: O Calebe era um menino muito bom, difícil acreditar que é seu filho. Agora você vai carregar essa culpa pelo resto da vida...

ENRICO: Eu não tenho culpa nenhuma na morte dele!

AÇUCENA: Ah, não tem? Quando você apontou aquela arma para Natalie e atirou contra ela, você também atirou contra o Calebe! E perder um filho é só mais um dos castigos que você ainda vai sofrer, Enrico.

ENRICO (Sério): O que você quer de mim, garota? Já não basta minha exaustão?!

AÇUCENA: Não precisa fazer esse número para cima de mim. Eu sei que você não amava seu filho suficientemente para sofrer assim, nunca foi capaz de amar ninguém além de si próprio. Se está nesse estado, é porque sente culpa por ter assassinado a Natalie friamente na frente dele. Pode se afogar aí de tanto beber, mas você sabe que vai ter que conviver com isso para sempre!

ENRICO: Só desaparece da minha vida, infeliz! Você já me causou problemas demais...

AÇUCENA: Eu te causei problemas?! Eu fiz um favor para Natalie em acabar com o casamento de vocês. Mas daí, para me acusar de um crime que eu não cometi e me mandar para prisão, tem uma diferença enorme! Confessa logo para a polícia que você matou a sua esposa, faz pelo seu filho o que você não fez enquanto ele estava vivo!

ENRICO (Sério): Eu nunca vou fazer isso! Você já pagou por esse crime, não tem porquê eu querer mexer nisso. Afinal, qual era a sua relação com o meu filho?

AÇUCENA: Eu tinha seu filho como um amigo, e ele confiava em mim. A prova definitiva disso é que ele foi capaz de ir até a polícia e contar a verdade: que viu você assassinar a Natalie!

ENRICO (Incrédulo): Ele fez o quê?!

Cena 02 (Apartamento de Maitê/Sala/Interior)

⎳Cansados, Charles e Maitê conversam com Juan.

MAITÊ: Eu sempre vou me sentir culpada pelo que aconteceu. Eu via o meu sobrinho naquele estado e não fazia nada para ajudá-lo...

JUAN: Se você se sente culpada, eu me sinto mais ainda. Eu namorava o Calebe, estava próximo dele e não percebi o que se passava.

MAITÊ: Mas era comigo que ele morava, Juan. Eu via a angústia do Calebe, o desânimo, ele não se abria comigo... Eu não percebi todos os sintomas da depressão que ele tinha. Eu poderia ter o levado a um psicólogo, mas não... Preferi acreditar que ele nunca pudesse fazer nada contra a própria vida.

CHARLES: Você não pode se culpar, amor. Nós somos humanos, passíveis de errar. Nós erramos em não perceber o que se passava com o Calebe, mas ele também errou em não procurar nossa ajuda. Não adianta buscar um culpado para essa situação, porque não existe. Tudo que a gente pode fazer é desejar que ele esteja em um lugar melhor.

⎳Charles passa o braço em volta da esposa e a consola.

JUAN: Antes de tudo isso acontecer, ele me mandou um áudio... Se vocês concordarem, eu queria que vocês também escutassem.

MAITÊ: Eu quero ouvir, Juan!

⎳Juan pega seu celular e reproduz o áudio. Ao ouvir a voz do sobrinho, Maitê logo se emociona.

CALEBE (Voz): Oi, amor. Eu quero que você saiba que eu te amo muito, muito, muito, Juan. Não se preocupa comigo, eu tô bem... Ou pelo menos vou ficar. Obrigado por tudo... Por me dizer sempre o que eu precisava ouvir, por me apoiar, me entender e me aquecer com o seu abraço. Seja feliz, "mô", porque isso é tudo que eu mais desejo a alguém.

⎳O áudio termina, e os três se debulham em lágrimas.

Cena 03 (Bar/Interior)

AÇUCENA (Sorrindo): É como eu disse, Enrico, você não sabe da missa a metade.

ENRICO: Então é por isso que o Calebe foi me procurar na revista, você botou na cabeça dele de fazer essas coisas. Você colocou o meu filho contra mim!

AÇUCENA: Eu clareei a mente do Calebe! Não precisava botar ele contra você, porque isso tu já fez há muito tempo.

ENRICO: Sua desgraçada... Você está rondando as pessoas à minha volta! O que você quer?

AÇUCENA: Você não entende mesmo, não é? Sabia que eu conheci a sua esposa?

ENRICO (Surpreso): A Allana?!

AÇUCENA (Sarcástica): É, nós nos tornamos bem íntimas. Ah, ela não te contou, né?

ENRICO: O que você fez para Allana?! O que falou para ela?

AÇUCENA: Fica tranquilo, a Allana ainda não sabe que você matou a Natalie. Mas já ela me falou algumas coisas bem interessantes... Sobre a vida pessoal.

ENRICO: Você usou a minha mulher para saber detalhes da nossa vida de casal?! Eu não sabia que você era tão doente assim!

AÇUCENA (Séria): Você acha que eu tenho interesse em saber das suas intimidades?! O que ela me contou vai muito além. São coisas que você sequer está envolvido!

ENRICO: Fala logo o que você quer dizer!

AÇUCENA (Sorrindo): Sabia que a sua esposa tem um caso com o seu filhinho querido, o Pietro?

Cena 04 (Mansão Paranhos/Cozinha/Interior)

⎳Allana chega no lugar e encontra Pietro sentado, tentando comer algo.

ALLANA: Eu não imagino o que você está sentindo, sempre fui filha única, mas deve ser muito difícil perder um irmão.

PIETRO: Principalmente um irmão que eu desprezava tanto. Ele deve ter morrido pensando que eu odiava ele...

ALLANA: Não fica assim, Pietro. Você me consolou quando o seu pai me deixou mal, agora eu quero poder te consolar também.

⎳Ela se aproxima e dá um leve beijo na boca do rapaz. Aos poucos, ambos se entregam ao momento.

Cena 05 (Bar/Interior)

ENRICO (Nervoso): Eu nunca acreditaria na palavra de alguém como você!

AÇUCENA: Por que você não vai lá na mansão e pergunta para sua esposa? (Rindo): Do jeito que a Allana é, na primeira prensa que tu der ela já te conta tudo!

ENRICO (Nervoso): Me deixa em paz... Sua vagabunda!

AÇUCENA (Rindo): É melhor correr, Enrico. Você não vai querer deixar aqueles dois sozinhos, vai?

⎳Enrico coloca uma nota de dinheiro sobre o balcão e sai do bar atordoado. Ele vai embora em seu carro, e Açucena se apressa e o segue em um táxi.

Cena 06 (Casa de Valentim/Interior/Noite)

⎳Capitu chega na casa junto com Giovanna Lara, e encontra Margaret e Indira sentadas no sofá.

MARGARET: Como foi lá no funeral, Capitu?

⎳A mulher nota a presença de Giovanna.

MARGARET: Você é a ex-chefe da Capitu, não é?

GIOVANNA: Sou sim.

CAPITU: Na verdade, mãe...

⎳Capitu olha para a namorada e depois se senta no sofá, de frente para sua mãe.

CAPITU (Nervosa): Lembra quando eu te disse que estava me relacionando com uma pessoa? Então, é ela... Eu tô namorando com a Giovanna!

⎳Margaret se surpreende com a filha, que ânsia por uma reação.

Cena 07 (Mansão Paranhos/Interior)

⎳Enrico estaciona seu carro na frente da mansão e adentra à casa transtornado. Ele sobe as escadas em silêncio e, movido pela intriga de Açucena, vai até o quarto de Pietro, mas não o encontra. Enrico vai até o próprio quarto em busca de Allana, mas se depara com o quarto vazio.

ENRICO (Nervoso): Allana... Você está aí?

⎳Ele ouve um som no andar inferior, como se fossem panelas caindo no chão. O homem vai até o closet e abre seu cofre, retirando um revólver de dentro.

ENRICO (Sério): O revólver do Benjamin...

Cena 08 (Corredor/Interior)

⎳Com a arma em mãos, Enrico anda nervoso pelo corredor. Ele ouve alguns gemidos vindo da cozinha e se recusa a acreditar no que possa ser. Lentamente, ele entra no cômodo e se depara com Pietro e Allana seminus sobre o balcão, se beijando.

ENRICO (Histérico): QUE PORRA É ESSA AQUI?!

⎳O casal se apavora e rapidamente se afasta, tentando se cobrir com alguma coisa.

ALLANA (Nervosa): Se acalma, Enrico! Não é nada disso.

ENRICO (Alterado): Não é disso que eu tô pensando? Eu vi vocês dois... Na minha própria casa, embaixo do meu teto! Meu próprio filho!

⎳Ele aponta o revólver para Pietro, que fica tenso.

PIETRO (Apreensivo): Calma, pai! Abaixa essa arma...

ENRICO (Exaltado): Calma não desgraçado! Eu tive que enterrar um filho hoje, você não respeitou nem o luto pelo irmão!

ALLANA (Chorando): Não foi nada premeditado, simplesmente aconteceu, Enrico!

ENRICO (Furioso): Fica calada, sua vadia! Quem diria... Com essa carinha de santa e dando pro seu próprio enteado!

⎳Aos poucos, Pietro tenta se aproximar do pai.

ENRICO (Chorando): Você sempre foi meu filho favorito, Pietro! Seguiu o futuro que eu queria para você na revista, ao contrário do Bernardo. Nós sempre nos apoiamos e estivemos juntos, eu dei tudo que você sempre quis... Deveria ter dado todo o amor que eu te dei pro Calebe e pro Bernardo!

PIETRO (Exaltado): Amor?! Você nunca me deu amor, pai! Você nem sabe o que é isso, porque é frio por natureza! Você não soube nem dar amor para Allana, e só por isso ela veio se consolar comigo!

ENRICO (Fora de Si): Não fala mais nenhuma merda, senão eu acabo com a farra de vocês agora!

ALLANA (Desesperada): Por favor, Enrico, não faça nada que você possa se arrepender depois!

ENRICO (Sério): Eu não vou me arrepender, Allana. Eu vou lavar a minha alma!

⎳Ele aponta a arma para Allana, mas Pietro avança em cima dele, fazendo um tiro ser disparado para o alto. Os dois caem e rolam no chão, disputando o revólver.

ENRICO (Irritado): Para com isso, Pietro!

PIETRO (Ofegante): Me dá essa arma, pai!

ALLANA (Desesperada): Parem com isso, pelo amor de Deus!

⎳Um som de disparo ecoa pelo ambiente e os homens ficam imóveis, olhando um pro outro. Allana põe as mãos na boca em aflição.

ALLANA (Narrando): Eu não sabia o que tinha acontecido, mas era uma tragédia!

(FIM DO CAPÍTULO)

Créditos:

16/11/2022

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