top of page

Três Vidas - Capítulo 35

Abertura:

Cena 01 (Delegacia/Sala do Delegado/Manhã)

DELEGADO (Perplexo): Então você está me dizendo que o Enrico assassinou a própria mulher. Se isso for verdade, muda completamente o rumo de tudo!

CHARLES: E é verdade, delegado!

DELEGADO: E por que você mentiu na época? Por que disse que não sabia de nada?

CALEBE: Porque eu não queria acreditar que o meu pai tinha feito aquilo. A solução mais fácil foi dizer que eu não vi nada, mas eu sempre soube que o meu pai era o culpado.

CHARLES: Tenta entender, doutor. Ele era só um garoto na época. Com isso já é o suficiente para reabrir o caso, não é? O Calebe testemunhou tudo e está aqui contando.

DELEGADO: Primeiro eu vou colher oficialmente o seu depoimento, Calebe. Você vai me contar exatamente como tudo aconteceu, da mesmíssima forma.

⎳Calebe conta com firmeza os fatos, e o delegado fica atento.

Cena 02 (Casa de Valentim/Cozinha/Interior)

DÁLIA (Angustiada): Não, Margaret, não pode ser! O Ronny mudou, ele não é mais esse tipo de gente!

MARGARET: É muito triste, minha filha. Eu vi direitinho ele lá contando o dinheiro do caixa e colocando umas notas no bolso. E depois se mandou da padaria como se nada tivesse acontecido.

DÁLIA (Furiosa): Ele mudou, Margaret! Depois que eu tive a Melissa ele nunca mais se envolveu com nada errado. Não é possível que ele tenha se desviado logo agora!

MARGARET: O Ronny é um rapaz muito bom mesmo, ajudou muito a gente na padaria. Mas o que ele fez não tem perdão!

DÁLIA (Furiosa): E não tem mesmo! Eu não consigo acreditar... Ele com uma filha pequena para cuidar, morando numa casa bacana, com um serviço honesto, e tem a coragem de roubar a padaria da minha família?! Isso não vai ficar assim, eu vou tirar essa história a limpo, Margaret!

MARGARET (Nervosa): Calma aí, Dália! Eu não te contei isso para você ficar assim!

DÁLIA (Irritada): Ah, e tu quer que eu fique como?!

MARGARET: Tenha paciência! Agora não é hora para isso. Mais tarde você vai na casa do Ronny e conversa com ele. Tenho certeza que se você pressionar, ele vai abrir o jogo contigo.

DÁLIA (Séria): E é bom mesmo que ele fale a verdade, porque eu não quero ter que chamar a polícia pro pai da minha filha!

Cena 03 (Mansão Paranhos/Área Externa)

ALLANA (Nervosa): Ela me garantiu que não vai contar nada pro Enrico, desde que eu não conte para ele que ela se aproximou de mim.

PIETRO (Irritado): E você acredita na palavra de uma assassina e ex-presidiária?! Presta atenção, Allana, a gente precisa tomar muito cuidado!

ALLANA: O que você quer dizer?

PIETRO (Sério): Nós não podemos dar bandeira pro meu pai. Ele não pode nem cogitar que nós tenhamos um caso, porque aí se a sua amiguinha der com a língua nos dentes, ele não vai acreditar em uma palavra sequer dela.

ALLANA: Ele não vai desconfiar de nada, Pietro, não vai!

⎳Enrico aparece e estranha o comportamento dos dois.

ENRICO (Desconfiado): O que vocês tanto cochicham?

ALLANA (Tensa): Estávamos justamente falando sobre a sua demora, meu amor. Senta aqui, vamos tomar café juntos.

⎳Enrico se senta à mesa, mas continua desconfiado.

Cena 04 (Apartamento de Maitê/Interior)

⎳Calebe e Charles chegam no apartamento, e rapidamente Açucena e Maitê vão até eles.

AÇUCENA (Ansiosa): E aí?

MAITÊ: Como foi?

CHARLES: Deu tudo certo, Maitê. O Calebe contou tudo.

AÇUCENA: Mas e agora?!

CHARLES: Agora é esperar eles reabrirem o caso. Mas pode ter certeza, esse depoimento do Calebe melhora muito a sua situação, Açucena.

⎳Açucena respira aliviada e sorri.

AÇUCENA: Muito obrigada, Calebe! Muito obrigada por fazer isso por mim, porque eu sei que não foi fácil.

CALEBE: Não foi mesmo, mas é o certo, Açucena. Era o que eu devia ter feito cinco anos atrás e só tomei coragem agora.

⎳Açucena não se controla e dá um abraço em Calebe. Maitê e Charles se olham e deixam os dois sozinhos.

AÇUCENA: Você é mais corajoso do que pensa. Você teve coragem de enfrentar seu pai, e no seu lugar muitos não fariam o mesmo.

CALEBE: Muitos agiriam melhor do que eu agi...

AÇUCENA: Engano o seu. Tenho certeza que a sua mãe está muito orgulhosa de você, independente de onde ela esteja.

⎳Calebe fica emotivo.

AÇUCENA: Eu agi muito mal com a sua mãe e me arrependo muito disso. Eu queria ter conhecido ela melhor. Se eu tivesse feito isso, provavelmente saberia que o Enrico não prestava. A Natalie devia ser uma mulher incrível e fez um belo trabalho criando você.

CALEBE (Emocionado): Apesar de tudo, ela era mesmo, Açucena. Você nem imagina o quanto eu tenho saudade...

⎳Os dois continuam abraçados e emocionados.

Cena 05 (Copa/Interior)

⎳Os quatro se servem com um café da manhã preparado por Maitê.

MAITÊ: Calebe, eu e o Charles conversamos e pensamos em viajar para Angra amanhã. O que você acha?

CALEBE: Viajar assim de repente?

CHARLES: É só uns dias na casa de praia. Você pode levar o Juan se quiser.

CALEBE: Eu vou pensar...

AÇUCENA: É bom para tu, Calebe. Você tá merecendo mesmo tirar uns dias assim. Eu aceitaria, viu.

CALEBE: Agora eu só quero ver o Bernardo, preciso contar para ele tudo que aconteceu.

Cena 06 (Apartamento de Bernardo/Sala/Interior/Tarde)

⎳Bernardo e Calebe conversam sentados no sofá.

BERNARDO: A Açucena me ligou hoje de manhã e me contou sobre tudo. Fiquei feliz com a sua atitude, Calebe.

CALEBE: Eu queria ficar feliz também, mas eu não consigo... O que vai ser agora, Bernardo? Eu vou ter que esperar meu pai ser preso por minha culpa?

BERNARDO: Por sua culpa não, por culpa dele, pelas consequências dos atos dele!

CALEBE: Ontem eu fui na revista e discuti com o nosso pai. Ele me falou todo tipo de merda. Foi essa discussão que me fez criar coragem para ir na delegacia.

BERNARDO: Isso é menos um motivo para você se sentir culpado, Calebe. Você tem que se orgulhar do que fez! Se orgulha por ter ajudado uma pessoa como a Açucena, ela sim merece sua empatia!

CALEBE (Nervoso): Eu achei que depois que eu confessasse para polícia tudo se resolveria, mas não. Eu achei que depois que eu me livrasse desse peso que eu carrego, eu conseguiria ficar feliz, mas eu não consigo. Por que eu sou assim, Bernardo?

BERNARDO: Você não precisa ficar feliz por ter entregado o Enrico para polícia, mas fica feliz por ter feito a coisa que deveria fazer.

CALEBE: Não importa o que eu faço, eu nunca consigo ser feliz, Bernardo. Desde que a minha mãe morreu, parece que tem algo que me impede até de sorrir. Não adianta, independente do que aconteça, eu sempre vou continuar assim...

BERNARDO: Não precisa ser assim, Calebe... Você tá passando por um momento muito difícil, mas as coisas vão melhorar.

CALEBE: Tem cinco anos que eu passo por esse "momento difícil" e as coisas nunca melhoraram, Bernardo. Eu já tô cansado...

BERNARDO: Você precisa acreditar que isso vai passar, tudo sempre passa. Eu passei pelo que você passou e estou aqui.

⎳Bernardo abraça o irmão.

BERNARDO: É uma frase clichê, mas é verdadeira, acredita que tudo vai melhorar, porque vai mesmo.

⎳Calebe fica reflexivo.

Cena 07 (Casa de Ronny/Interior)

⎳Ronny abre a porta de sua casa e vê Dália, que vai logo entrando.

RONNY: Dália, tu nem me avisou que vinha...

DÁLIA (Séria): Olha aqui, Ronny, eu não sou de fazer rodeio. Me fala, por que você fez isso?

RONNY (Confuso): Fiz o quê?

DÁLIA (Séria): Por que você pegou dinheiro do caixa da padaria? Por que você nos roubou?!

RONNY (Nervoso): Como assim?

DÁLIA: Eu já descobri tudo, a Margaret viu você pegando o dinheiro! Como você teve coragem de fazer isso comigo? Eu te ajudei, te dei emprego, você conseguiu alugar essa casa e é assim que você retribui?! Roubando a padaria da minha família?!

RONNY (Desesperado): Você não entende, Dália!

DÁLIA: Não entendo o quê?! Que motivo você tem para roubar?!

RONNY: Eu fui ameaçado! Um amigo meu praticamente me obrigou a dar essa grana para ele. Eu não tinha o que fazer, a não ser pegar de onde tava mais fácil...

DÁLIA: Que amigos são esses, hein? Que ameaça foi essa? Se for assim, por que você não me procurou? Eu poderia ter te ajudado!

RONNY: Eu não podia!

DÁLIA: Não podia por quê? O que esse bandido fez para você?

RONNY: Ele me chantageou...

DÁLIA (Exaltada): Eu quero saber que chantagem foi essa, Ronny! Fala na minha cara, antes que eu chame agora a polícia e você saia daqui escoltado!

RONNY (Alterado): Você não entende?! Eu não posso te contar!

DÁLIA: Você pode sim, e eu quero ouvir. Que chantagem justificou você fazer uma cachorrada dessas com a família da sua própria filha?!

RONNY: Esse cara e eu fizemos muitas coisas erradas juntos, Dália. Até roubar junto a gente roubou...

DÁLIA: Meu Deus...

RONNY: Ele ameaçou me entregar para polícia se eu não desse o que ele tava pedindo.

DÁLIA: Mas se vocês fizeram tudo juntos, ele também seria preso.

RONNY: Mas só ele conseguiria estragar com a minha vida. Ele estava comigo num assalto em que eu acabei matando uma pessoa!

DÁLIA (Pasma): Você o que, Ronny? Quem você matou?!

RONNY: Não foi qualquer assalto, Dália...

⎳Ele derrama algumas lágrimas e tenta criar coragem para contar. Dália fica sem entender.

RONNY (Chorando): Ele estava comigo num assalto que nós fizemos numa padaria... O homem acabou reagindo para proteger a filha, e eu atirei nele sem querer.

⎳Dália começa a entender a história, mas se recusa a acreditar.

RONNY (Chorando): Por isso o Wagner me chantageou. Era a padaria do seu pai, Dália! Fui eu que matei o Valentim! EU MATEI O SEU PRÓPRIO PAI!

⎳Ronny cai em prantos. Dália coloca as mãos sobre a boca, em choque, e seus olhos ficam marejados.

DÁLIA (Narrando): Esse tempo todo convivendo comigo... O pai da minha filha era o assassino do meu próprio pai!

(FIM DO CAPÍTULO)

Créditos ao som de (Rouge - Dona da Minha Vida):

11/11/2022

@ GS Literatura

© Copyright 2011-2026 GS.

bottom of page