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Três Vidas - Capítulo 26

Abertura:

Cena 01 (Salão de Beleza/Interior/Tarde)

⎳Allana fica pensativa, e Açucena sorri.

ALLANA: Hum... Gostei da sugestão! Vai ser essa mesmo, Rick.

CABELEIREIRO: Essa cor vai ficar perfeita em você, amor! Eu vou lá dentro rapidinho e já volto para começarmos.

⎳Ele sai e as deixa sozinhas.

ALLANA: Já amei você… qual é mesmo o seu nome?

AÇUCENA (Sorrindo): É Sarah! E você é Allana Paranhos, não é?

ALLANA: Como sabe?

AÇUCENA: Eu te acompanho muito nas redes sociais... Sou quase como uma fã! (Ri)

ALLANA (Sorrindo): Muito bom saber disso. E você vem sempre nesse salão, Sarah?

AÇUCENA: É a minha primeira vez aqui. Vim por recomendação de uma amiga.

ALLANA: Entendi. Engraçado que eu mal te conheci e já te considero uma amiga.

AÇUCENA (Sorrindo): Eu tenho a mesmíssima impressão!

Cena 02 (Salão de Beleza/Exterior)

⎳As duas saem do local juntas. Açucena aparece com as unhas feitas e o cabelo arrumado. Allana surge com o cabelo um pouco curto e mais claro.

AÇUCENA: Eu te disse que essa cor ia cair super bem em você!

ALLANA (Sorrindo): E tinha total razão, eu fiquei ótima assim! Precisamos manter contato, Sarah.

AÇUCENA: Concordo!

ALLANA: Eu vou te passar meu contato, anota aí no seu celular.

⎳Açucena pega o celular e anota o número com um sorriso no rosto.

Cena 03 (Apartamento de Maitê/Quarto/Interior/Noite)

⎳Calebe está sentado em sua mesa usando o computador, quando alguém bate na porta e entra.

MAITÊ: Você vai sair com o Juan hoje?

CALEBE: Não. Ele até me chamou, mas não tô muito animado.

MAITÊ: Ah... Calebe, tem uma coisa que eu gostaria de falar para você.

CALEBE: Sobre o quê?

MAITÊ: É sobre a Açucena. Você se lembra dela, não é?

CALEBE: É impossível eu não lembrar, tia.

MAITÊ: Então... o Charles me disse que ela cumpriu a pena... e saiu da cadeia hoje.

CALEBE (Surpreso): Nossa. Não tinha me tocado que já passou tanto tempo assim. Você acha que ela pode me procurar?

MAITÊ: É uma possibilidade, Calebe. Se isso acontecer, você estaria pronto para falar com ela?

CALEBE (Nervoso): Não... Eu não estou pronto para reviver nada que diz respeito a esse assunto, tia. E eu espero que a Açucena também não esteja disposta a isso.

⎳Como única resposta, Maitê abraça o sobrinho.

MAITÊ: Tudo bem, Calebe. Tudo no seu tempo...

⎳O rapaz fica com um olhar tomado pela ansiedade.

Cena 04 (Mansão Paranhos/Sala de Jantar/Interior)

⎳Allana e Enrico comem em silêncio.

ALLANA: Você não notou nada de diferente em mim?

ENRICO: E tem algo para notar?

ALLANA: O meu cabelo, Enrico! Você não viu nada de diferente nele?!

ENRICO: Ah, agora que você falou eu percebi. Ficou diferente.

ALLANA: Só isso?

ENRICO: Se você faz tanta questão de um elogio, ficou ótimo, Allana! Está bom agora?

ALLANA: Bem melhor!

Cena 05 (Casa de Valentim/Copa/Interior)

⎳A família se serve à mesa.

DÁLIA: Você passou a tarde fora e voltou toda arrumada, Açu.

CAPITU: Eu amei seu cabelo assim!

AÇUCENA: É… eu precisava me cuidar, né. Tentar recuperar pelo menos a aparência que eu tinha antes de ir para aquele lugar.

MARGARET: E comprou celular novo também, hein.

DÁLIA: Onde arrumou dinheiro para isso, Açu?

AÇUCENA: São algumas economias que eu tinha guardado. Dinheiro que o Enrico me deu no início do nosso relacionamento.

INDIRA: Você devia ter vergonha de usar dinheiro desse homem, Açucena!

AÇUCENA: Para alguma coisa esse traste tinha que servir né, mãe...

MELISSA (Sorrindo): Você tá igual uma princesa, tia!

AÇUCENA (Sorrindo): Obrigada, meu amor. Mas a única princesa aqui é você!

Cena 06 (Mansão Paranhos/Sala/Interior)

⎳Pietro chega em casa e encontra Allana deitada no sofá, reflexiva.

PIETRO: O que está fazendo na sala a essa hora? Não deveria estar no quarto com seu marido?

ALLANA: Me esquece, Pietro!

PIETRO: Ah, já entendi.

⎳Pietro fica próximo dela.

PIETRO: Enrico sendo Enrico... Certeza que ele fez pouco caso de você.

⎳Allana cruza os braços sem dizer nada.

PIETRO: Não se preocupe, é normal. Ele fica desse jeito até cansar de você e te dar um pé na bunda. Foi assim com a minha mãe, com a Natalie e com a Açucena. Em breve acontecerá contigo também.

ALLANA (Irritada): Me deixa em paz, garoto!

PIETRO: Aliás, você ficou um espetáculo com esse cabelo!

⎳Ele vai embora, e Allana se surpreende com o fato dele ter reparado nela. Ela ouve o som de notificação do seu celular e vê uma mensagem.

ALLANA (Lendo): Desculpa só estar mandando mensagem agora, fiquei sem tempo antes. É a Sarah.

⎳Ela sorri e continua conversando.

Cena 07 (Praia/Manhã)

⎳O sol brilha no horizonte. Açucena coloca os pés na areia da praia e sente a brisa vindo do mar soprando os seus cabelos. Suas irmãs vêm logo atrás.

AÇUCENA: Eu nunca fui muito de vir para praia, mas eu senti tanta saudade disso. Sentir esse vento, esse cheiro de mar… isso não tem preço!

CAPITU: Não tem mesmo não. Agora você está voltando a sentir como é ser livre, Açu!

DÁLIA: Mas e aí, vamos dar um mergulho?

CAPITU: Vão vocês duas, eu fico aqui olhando nossas coisas.

DÁLIA: Tem certeza?

CAPITU: Tenho, podem ir lá.

⎳Elas tiram suas roupas e ficam de biquíni. Capitu estende uma toalha na areia e coloca os pertences sobre ela. Açucena e Dália vão em direção ao mar e colocam seus pés na água. Açucena entra mais fundo e sente as ondas baterem levemente contra seu corpo. Algum tempo depois, elas aparecem indo embora do lugar. Bernardo e Giovanna caminham pelo calçadão.

BERNARDO: Fico feliz por você ter lembrado de me chamar. Faz tempo que eu preciso dar uma caminhada e nunca acho uma companhia.

GIOVANNA: Que isso, imagina! Agora que somos vizinhos fica muito mais fácil, né.

⎳Eles passam correndo e quase esbarra nas meninas que passam pelo calçadão. Giovanna e Capitu rapidamente reparam uma na outra, e seus corações aceleram.

GIOVANNA (Surpresa): Capitu!

CAPITU (Chocada): Lara… que coincidência!

⎳Dália vê Bernardo e sorri.

DÁLIA: Você por aqui, Bernardo?

BERNARDO (Sorrindo): Pois é, a Giovanna me chamou para correr.

CAPITU: Aliás, Lara, essas aqui são minhas irmãs: Dália e Açucena.

GIOVANNA: É, eu já conheço as duas. Infelizmente eu conheci a Açucena em circunstâncias não muito agradáveis...

AÇUCENA: Eu me lembro, Giovanna. A Capitu já me falou muito de você também.

⎳Capitu fica sem graça.

CAPITU: Eu não sabia que você tinha voltado de Paris...

GIOVANNA: Eu voltei há três meses. Acabei ficando mais tempo do que o previsto lá.

BERNARDO: E a Melissa não veio, Dália?

DÁLIA: Não, eu deixei ela em casa com o pai.

BERNARDO: Ah, que pena. Você sabe como eu gosto dela, né?

DÁLIA (Sorrindo): Sei. Ela não poderia ter um padrinho melhor do que você!

⎳Um silêncio se instaura.

AÇUCENA: Então… eu acho melhor voltar sozinha para casa.

CAPITU: Eu vou com você, Açu.

AÇUCENA: Não precisa, Capitu. Você tem muito o que conversar com a Giovanna, vocês não se veem há tempos. Eu não quero atrapalhar ninguém não.

DÁLIA: Eu vou ficar mais um tempo aqui com o Bernardo então, tudo bem?

AÇUCENA: Eu vejo vocês mais tarde. Não se preocupem comigo.

⎳Ela vai embora. Capitu olha de forma apreensiva para Giovanna, sem saber o que dizer.

Cena 08 (Casa de Valentim/Exterior)

⎳Açucena chega no portão de casa, e uma mulher cruza a rua rapidamente e vai até ela.

VOZ: Açucena!

⎳Açucena se vira e fica de frente com Maitê.

AÇUCENA (Surpresa): Você!

MAITÊ: Nós precisamos conversar!

AÇUCENA: Você é a irmã da Natalie, Maitê, não é? Eu me lembro de você no julgamento.

MAITÊ: Sim, que bom que você lembra de mim.

AÇUCENA: Pois eu prefiro esquecer!

⎳Açucena fica nervosa e tenta abrir o portão de casa.

MAITÊ: Espera, Açucena!

AÇUCENA (Tensa): Tudo que eu tinha para dizer eu já disse naquele tribunal. Eu não devo mais nada à justiça e nem à sua família.

MAITÊ (Séria): Eu não vim aqui para te julgar, Açucena! Eu vim para te entender, eu preciso entender tudo que aconteceu, eu quero te ajudar! Onde nós podemos conversar?

⎳Açucena fica pensativa, mas resolve falar.

AÇUCENA: Tem um bar ali na esquina, a gente pode ir lá.

Cena 09 (Bar/Interior)

⎳Açucena conta toda a história da noite do crime para Maitê, que fica comovida ao ouvir.

MAITÊ: Você conta tudo exatamente do jeito que contou no julgamento, não muda uma vírgula. E mesmo depois de passar cinco anos na cadeia, você ainda diz que o Enrico é o culpado.

AÇUCENA: Isso só prova o quanto a minha versão é verdadeira! Eu não vou mudar nada dessa história, porque foi assim que aconteceu!

MAITÊ: Por anos eu pensei que seria mais fácil não pensar assim, mas eu acredito em você, Açucena! Eu nunca pensei que o Enrico fosse chegar ao nível monstruoso de assassinar minha própria irmã, mas da forma que você conta, tudo é perfeitamente verossímil.

AÇUCENA: Eu fico aliviada em ter pelo menos você que acredita em mim, Maitê. Porque naquele julgamento ninguém parecia se convencer disso.

MAITÊ: Eu acredito em você. Eu não sei o que pretende agora que está livre, mas eu quero que você conte comigo para o que precisar!

AÇUCENA: Eu pretendo colocar o Enrico na cadeia, Maitê! Eu quero que ele pague pelo crime que cometeu e só tem uma pessoa capaz de fazer isso por mim: o seu sobrinho.

MAITÊ (Surpresa): O Calebe? O que ele tem a ver com isso?!

AÇUCENA: Porque ele estava lá, e eu tenho certeza que o Calebe viu como tudo aconteceu, mas não teve coragem de contar. Eu nunca contei isso, mas o Calebe viu o Enrico tirar a vida da própria mãe!

⎳Maitê fica pasma.

MAITÊ (Narrando): Eu tinha todos os motivos do mundo para não acreditar naquilo, mas algo me dizia que a Açucena estava falando a verdade sobre tudo!

(FIM DO CAPÍTULO)

Créditos:

01/11/2022

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