Três Vidas - Capítulo 21
Abertura:
Cena 01 (Delegacia/Sala de Visitas/Interior/Manhã)
INDIRA (Chorando): O que vai ser da sua vida agora, Açucena?
AÇUCENA: Não me pergunte isso, mãe! Eles precisam acreditar que eu sou inocente, mas eles não querem...
INDIRA: E quem vai querer acreditar em você, minha filha?! O Enrico é um homem rico, poderoso... e você a amante pobre e aproveitadora! Quantas notícias nós não vemos por aí? Gente como ele sempre se dá bem, Açucena. A justiça não é cega, ela apenas enxerga quem quer! E no seu caso, você entrou como um furacão na vida dessa família, o Enrico pode sair como um santo se ele quiser, porque você forçou a Natalie a chegar nesse ponto!
⎳Como resposta, Açucena apenas chora abraçada à mãe.
AÇUCENA (Chorando): É isso que a gente ganha, mãe? É isso que acontece quando a gente ama tanto alguém assim?!
INDIRA: Que amor, minha filha? Tudo que você amava era o dinheiro desse homem… era a vida que ele te proporcionava...
AÇUCENA: Isso era o que você ou quase todo mundo pensava! Mas o Enrico sabia que eu amava ele de verdade, e mesmo sabendo disso ele fez o que fez...
⎳Indira encara a filha com seriedade.
INDIRA: Mas nós não podemos desanimar agora! Eu vou arrumar um bom advogado para você! Eu não vou perder a fé, e não vou deixar que você perca também!
⎳Elas se abraçam uma ultima vez e depois aparece um policial que leva Açucena de volta. A moça é colocada na cela e apoia seu corpo na grade, chorando incansavelmente.
Cena 02 (Entrada/Interior)
⎳Desesperada, Maitê chega na delegacia acompanhada por Charles e vai de encontro ao sobrinho.
MAITÊ: Calebe...
CALEBE (Chorando): Tia!
⎳Os dois se abraçam e ela passa as mãos no rosto dele.
MAITÊ (Preocupada): Aconteceu alguma coisa com você?
CALEBE: Não comigo, mas a minha mãe...
MAITÊ: O que você viu, Calebe? O que houve?!
CALEBE (Nervoso): Eu… eu não vi nada! Tava tudo escuro demais. E quando eu me assustei, minha mãe já estava...
MAITÊ: Calma, calma, não precisa pensar nisso agora. Você não merecia ter passado por isso… e nem a Natalie...
⎳Eles se abraçam mais uma vez. Enrico, Charles e Pietro apenas observam calados. Um policial aparece e chama por Calebe. Nervoso, ele entra na sala e lá fica por um longo tempo. Maitê aproveita a oportunidade e se aproxima de Enrico.
MAITÊ (Séria): Você mais do que ninguém sabe o que aconteceu, Enrico! O que você fez com a minha irmã?!
ENRICO: O que eu fiz?! O que a sua irmã fez! Você sabe como a Natalie sempre foi descontrolada. E em mais um dos seus surtos, ela foi até minha casa para nos ameaçar. A Açucena só se defendeu! Infelizmente ela vai pagar por isso.
MAITÊ: E por que você sequer aparenta estar preocupado?! A mulher que você dizia amar está presa, e a mãe do seu filho está morta! Ainda sim você não esboça nada além de frieza
ENRICO: O que você quer que eu faça, Maitê?! Essa situação está além do meu controle! A Natalie fez a escolha dela, e deu no que deu . A Açucena já está atrás das grades. Eu estou destruído com isso tudo...
MAITÊ (Exaltada): Você não está destruído, Enrico! Você não se importa. Você destruiu a vida da minha irmã primeiro, se não fosse pelas coisas que você fez, ela jamais teria chegado a esse ponto!
ENRICO: Por favor, Maitê. Não vá me culpar pelas atitudes da sua irmã doida e bêbada...
⎳Maitê dispara um tapa no rosto de Enrico, que fica inerte. Charles impede que Maitê faça qualquer outra coisa e a segura.
CHARLES: Não se exalta desse jeito, Maitê! Você não pode ficar nesse estado, vem.
⎳Charles leva a namorada para parte externa da delegacia, na intenção de que ela se acalme.
Cena 03 (Delegacia/Exterior)
MAITÊ (Fora de Si): Eu odeio esse homem, Charles! Eu não consigo acreditar que ele seja inocente na morte da minha irmã...
CHARLES: Eu sei que você deve estar pensando o pior dele nesse momento, mas deixa a polícia fazer a parte dela. Se ele for inocente ou não, as investigações vão mostrar.
MAITÊ: Eu espero que sim...
⎳Bernardo aparece no local e os encontra.
BERNARDO: Eu sinto muito pela Natalie, Maitê!
MAITÊ: Obrigado, Bernardo, mas quem tá precisando mesmo do seu apoio é o Calebe.
BERNARDO: Onde ele está?
MAITÊ: Ele está dando depoimento agora, mas já deve estar terminando.
Cena 04 (Delegacia/Interior)
⎳Bernardo chega e vê o pai e o irmão juntos.
PIETRO: Bernardo...
BERNARDO: Oi, Pietro.
⎳Enrico apenas olha seriamente para o filho.
BERNARDO: Não se preocupe não, Enrico. Eu só estou aqui pelo Calebe.
⎳Calebe sai da sala e, ao ver o irmão, corre para os seus braços.
BERNARDO: Calebe… como foi lá dentro?
CALEBE: Foi horrível! Parecia que não ia terminar nunca!
BERNARDO: O que você contou para eles?
⎳Enrico fica tenso, com receio de que o filho tenha visto algo.
CALEBE (Nervoso): Nada… até porque eu não vi nada...
BERNARDO: Tudo bem. Eu tô aqui contigo, Calebe!
CALEBE: Eu sei...
⎳Algumas horas se passam, chegando a tarde.
Cena 05 (Casa de Valentim/Interior)
⎳Dália chega à residência acompanhada por Capitu, Margaret e Ronny, que carrega a filha nos braços.
DÁLIA (Preocupada): Segura ela direito, Ronny, pelo amor de Deus!
RONNY: Relaxa, Dália. Tá pensando que eu sou mau pai, é?
⎳Eles veem Indira sentada no sofá da sala e desfazem os sorrisos ao notarem o estado dela.
MARGARET: Que cara é essa, Indira?
INDIRA (Cabisbaixa): Eu sei que era para chegada da Mel ser um momento feliz para nossa família, mas aconteceu uma tragédia com a Açucena...
CAPITU (Preocupada): O que foi???
INDIRA: A Açucena tá presa. A minha própria filha está sendo acusada de matar a ex-mulher do Enrico!
DÁLIA (Pasma): O quê?! Mas como???
INDIRA: Ela tá sendo injustiçada por um crime que não cometeu! O Enrico matou a Natalie e incriminou a minha Açucena, e agora ela está lá sem poder fazer nada!
CAPITU: A gente precisa ver ela, Indira! Não dá para acreditar nisso...
⎳Todos se olham desolados e incrédulos.
Cena 06 (NextDay/Escritório/Interior)
⎳Enrico e Benjamin estão presentes no lugar. Os dois usam um terno preto, em clima de luto.
BENJAMIN: Agora que já estou aqui vai me dizer para que me chamou?
ENRICO: Te chamei para falarmos daquela nossa conversa que tivemos no hospital, lembra?
BENJAMIN: É claro que eu me lembro.
ENRICO: Pois bem, agora que você não está mais naquela cama a ponto de morrer, pensei que aqui seria o lugar ideal para continuarmos o assunto.
BENJAMIN: Então me diz o que você quer.
ENRICO: Eu pensei muito no que você me falou e eu fiz a minha escolha. Não pense que eu cedi aos seus caprichos, mas achei bem mais prático seguir logo a sua vontade.
BENJAMIN: Para de enrolar e vai direto ao ponto!
ENRICO: Você não queria que eu me livrasse da Açucena? Então, eu me livrei. Dela e da Natalie ao mesmo tempo. Dois coelhos numa cajadada só!
⎳Ele sorri sarcasticamente, e Benjamin fica surpreso.
BENJAMIN: Você tá querendo dizer que...
ENRICO: Que eu matei a Natalie, pai. Eu atirei nela e me aproveitei disso para tirar a Açucena da minha vida. Não era o que o senhor queria?
⎳Benjamin engole seco, perplexo com a revelação.
Cena 07 (Delegacia/Sala de Visitas/Interior)
⎳Açucena é guiada para dentro da sala e esboça um pequeno sorriso ao ver as irmãs.
CAPITU (Preocupada): Açucena!
AÇUCENA: O que vocês tão fazendo aqui, gente?
DÁLIA: Que pergunta é essa? Você achou que a gente não vinha te ver? Você foi me ver lá no hospital, não foi?
AÇUCENA: Eu até preferia que vocês não me vissem, pelo menos não nesse estado...
CAPITU: O que aconteceu exatamente, Açu?
AÇUCENA: Ai gente… minha mãe já deve ter falado para vocês...
DÁLIA: Mas a gente quer saber de você! O que aquele homem fez contigo?
AÇUCENA (Nervosa): Ele me mandou para esse inferno… o Enrico atirou na própria mulher para me incriminar. Vocês têm noção disso?! Eu preferia que ele tivesse atirado em mim, só para eu não ter que passar por isso...
DÁLIA: Você precisa ter fé, Açucena! Você ainda não foi julgada e nem condenada. Você é inocente e agora precisa acreditar que sairá livre dessa!
CAPITU: A sua mãe já até conseguiu um bom advogado pra você...
AÇUCENA: Advogado nenhum vai conseguir provar a minha inocência, não depois de todas as provas que o Enrico deixou contra mim.
DÁLIA: Esse homem… eu sempre soube que ele não era boa coisa! Eu te disse isso!
AÇUCENA: Eu sei...
CAPITU: Todas nós sabíamos, mas não é hora para julgar ninguém. Pelo contrário, a gente veio aqui para te apoiar, Açu!
AÇUCENA: Eu entendo, meninas. Mas agora não tem mais nada o que fazer. Tudo que me resta é esperar o meu julgamento, e se eu for condenada...
CAPITU: Não pensa assim...
AÇUCENA: Eu tenho que ser realista, Capitu! Se eu for condenada, eu vou destruir a vida do Enrico da mesma forma que ele destruiu a minha!
DÁLIA: Você não precisa disso, Açucena. A justiça vai provar que ele é o assassino da Natalie, e não você!
AÇUCENA: Eu não vou contar com justiça nenhuma. Se a justiça de fato existisse, o bandido que matou nosso pai já estaria preso há muito tempo. Eu tô largada à minha própria sorte… sozinha...
CAPITU: Sozinha nunca, Açu! Nós sempre vamos estar aqui para você, da mesma forma que você sempre esteve por nós!
DÁLIA: Apesar de todas as nossas brigas, você sabe que nós te amamos, não é? Não dá para duvidar disso.
AÇUCENA: Disso não… disso nunca. Se tem um amor que eu deveria ter duvidado era o do Enrico, mas o de vocês é para vida toda!
⎳Açucena se emociona e deixa cair algumas lágrimas. Ela abraça as irmãs fortemente. Genuinamente, um sorriso surge no rosto da mulher.
AÇUCENA (Narrando): Elas eram meu tudo… elas me deram forças e por elas eu vou sobreviver!
(FIM DO CAPÍTULO)
Créditos:
24/10/2022
© GS Literatura.