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Três Vidas - Capítulo 17

Abertura:

Cena 01 (Mansão Paranhos/Quarto/Interior/Noite)

⎳Calebe se revolta com a situação, e Benjamin interfere.

BENJAMIN (Sério): É inacreditável a sua capacidade de se meter nesse tipo de situação, Enrico!

AÇUCENA (Nervosa): Olha, eu não queria que vocês tivessem me conhecido assim nessa situação. Eu acho melhor ir embora, Enrico.

ENRICO: Não precisa se envergonhar de nada, afinal de contas você está aqui como minha mulher!

AÇUCENA: De todo jeito, eu peço desculpas para vocês dois. Amanhã nós conversamos, Enrico.

⎳Ela rapidamente pega seus pertences e sai.

ENRICO (Sério): Pronto, agora que já conseguiram estragar a minha noite, o que esperam que eu faça?

BENJAMIN: Em qual esquina você arrumou essa garota?

CALEBE (Nervoso): E o senhor continua sem responder a minha pergunta!

ENRICO (Irritado): Eu não tenho que dar nenhuma satisfação a vocês! Eu vou voltar para aquela sala, vou fazer o discurso que eu tenho que fazer e, assim que a festa acabar, a Açucena vem morar aqui nesta casa!

⎳Ele sai com raiva. Atordoado, Benjamin se senta na cama.

BENJAMIN: Seu pai perdeu completamente a noção, Calebe! (Sério): Mas logo eu vou acordar ele para realidade, essa situação não vai continuar assim!

Cena 02 (Jardim/Exterior)

⎳Capitu e Giovanna se encaram apreensivas, Pietro aparece e as vê. Ele derruba um copo, o que espanta as meninas.

PIETRO (Irônico): O que as mocinhas estão fazendo aqui?

GIOVANNA: Não entendi, tem alguma restrição aqui nesse jardim?

PIETRO (Sorrindo): Por mim você era proibida de botar os pés nesta casa. E você também, Capitu.

GIOVANNA (Séria): Você nem ouve as coisas que está dizendo, já não tá se aguentando em pé de tanto que bebeu. Vamos, Capitu, lá dentro com certeza teremos companhias mais agradáveis.

⎳Ela sai e, tensa, Capitu a acompanha. Pietro estranha o comportamento das duas.

Cena 03 (Casa de Valentim/Exterior)

⎳Um carro preto estacionou no lugar. Logo Dália sai do veículo, seguida por Bernardo.

DÁLIA: Me desculpa mesmo ter feito você me trazer até aqui, você nem pôde ficar até o final da festa.

BERNARDO: Ei, calma, esqueceu que fui eu quem se ofereceu para te trazer aqui? Você teve um mal-estar, o que é normal no seu estado, mas sua irmã não deveria ter te deixado sozinha.

DÁLIA: Nem me fala, ainda nem avisei que eu voltei para casa sem ela.

BERNARDO: Você me fez um favor em me tirar daquela festa, na verdade, a sua presença em si já foi um favor enorme.

DÁLIA (Sorrindo): Imagina, doutor. Não sei nem como te agradecer.

BERNARDO (Sorrindo): Tem duas formas de você me fazer isso. A primeira é não me chamar de doutor fora do consultório, só "Bernardo" já está ótimo. E a segunda é me prometer que vai ter cuidado redobrado agora que já está nas últimas semanas de gestação, já sabe, né?

DÁLIA: Sei sim, dout… Bernardo. Eu te prometo que vou me cuidar.

BERNARDO (Sorrindo): Ótimo, então. Boa noite, Dália!

⎳Ele entra de volta no carro e sai. Dália cruza o portão de casa e depois olha para trás, vendo o veículo desaparecer pelas ruas, e sorri.

Cena 04 (Apartamento de Maitê/Sala/Interior)

⎳Maitê chega em casa e encontra Natalie com o rosto apoiado sobre a mesa, com uma garrafa vazia ao lado.

MAITÊ (Preocupada): Natalie, o que aconteceu contigo?

NATALIE (Embriagada): Culpa dele, Maitê, culpa dele!

MAITÊ: Tudo isso por causa do Enrico? Você tava tão bem em relação a isso, minha irmã!

NATALIE (Embriagada): Não fala o nome desse desgraçado. Eu ainda vou matar ele, eu juro que vou!

MAITÊ (Preocupada): Para de falar bobagem, levanta dessa mesa. Você tá precisando de um banho bem gelado, vem.

⎳Maitê ajuda a irmã a levantar e guia ela até o banheiro. As horas passam depressa e um novo dia se inicia.

Cena 05 (Casa de Valentim/Cozinha/Interior/Manhã)

⎳Dália está em frente à pia coando café, enquanto Capitu está sentada na mesa com uma aparência cansada.

CAPITU: Você não devia ter me deixado sozinha lá não, fiquei morrendo de medo em voltar para casa aquela hora.

DÁLIA: Esqueceu que foi você que me deixou sozinha primeiro? Eu descobri que não tenho mais disposição para ficar saindo assim não. Até a Melissa nascer, vou ter que ficar quietinha aqui em casa...

⎳Elas ouvem o som da campainha e estranham. Capitu vai abrir e Açucena entra.

CAPITU: Açucena?

AÇUCENA: Oi, Capitu. Tudo bem contigo?

CAPITU: O que você tá fazendo aqui?

AÇUCENA: Eu só vim pegar uma mala e um resto de coisas minha que ainda tão aqui.

⎳Dália aparece na sala.

DÁLIA: Então você vai embora de vez?

AÇUCENA: Bom, eu mal fico aqui né, gente, agora eu vou viver com o Enrico. Mas é pouca coisa mesmo, eu tô com pressa, e o motorista tá esperando aí na porta.

⎳Ela se dirige até o quarto e pega uma mala, colocando seus pertences dentro. Em seguida, ela vai até o antigo quarto de Valentim e pega uma caixa em cima do guarda-roupa. Açucena a abre e tira de dentro algumas lembranças que possui do pai, se emocionando. Indira aparece no aposento.

INDIRA: Açucena, as meninas me contaram que você está indo para casa daquele homem.

AÇUCENA: Pois é, mãe. Uma hora isso teria que acontecer, né?

INDIRA: Eu sei que sim, mas eu esperava que você fosse criar juízo antes de tomar essa decisão. Eu ainda tinha fé que você fosse acordar dessa ilusão que você criou por esse Enrico.

AÇUCENA: Ilusão, mãe? Você acha mesmo que é tudo ilusão? Ele me ama e já demonstrou isso!

INDIRA (Nervosa): E até onde vai esse amor? Quem garante que ele não vai fazer contigo o mesmo que fez com a ex-mulher e também te largar?

AÇUCENA: Não, mãe! Essa história que você tá me contando é a sua vida, é o que aconteceu com você! O meu pai largou a Rosa para ficar contigo, e depois te largou para ficar com a Margaret.

INDIRA (Chorando): Minha filha, olha o que você tá fazendo com a sua vida…

AÇUCENA (Séria): Mãe, eu já terminei o que eu vim fazer aqui.

INDIRA (Chorando): Você vai sair daqui levando essa caixa com as coisas do seu pai? Nem a memória dele você vai respeitar?!

AÇUCENA: Eu respeito tanto que eu vou levar comigo! Aqui tem as coisas que me lembram ele, nossas fotos, os presentes que eu dei para ele no dia dos pais... será possível que até com isso você vai implicar?!

⎳Indira fica calada. Açucena pega a caixa, olha seriamente para a mãe e sai do quarto. Ela pega também sua mala e vai embora da casa. Em seguida, coloca as coisas num carro que está a sua espera e entra no veículo, saindo em disparada. Indira acompanha a partida da filha ao lado de Capitu e Dália, que a abraçam como tentativa de consolo.

Cena 06 (Mansão Paranhos/Sala/Interior)

⎳Açucena entra na mansão com a felicidade estampada em seu rosto, o motorista vem logo atrás carregando sua bagagem. Enrico a recebe com um sorriso no rosto, enquanto Calebe está largado no sofá.

ENRICO (Sorrindo): Eu adoraria te dar uma recepção mais calorosa, mas meu pai preferiu ficar no quarto, e o Pietro ainda não se recuperou da noite de ontem.

AÇUCENA (Sorrindo): Tudo bem, meu amor. Só de eu estar aqui, finalmente, já tá tudo perfeito! E antes que eu me esqueça, oi, Calebe!

CALEBE: Oi...

ENRICO: Vem, vamos levar essas coisas para o quarto.

Cena 07 (Quarto/Interior)

⎳Açucena coloca algumas roupas e sapatos no closet, e Enrico assiste. Depois ela se senta na cama e volta a olhar a caixa de Valentim.

ENRICO: Essas coisas aí são o quê?

AÇUCENA: Só algumas coisas do meu pai que eu quis trazer comigo, pode parecer bobagem, eu sei...

⎳Açucena retira uma fotografia e mostra para Enrico. Logo ela vê uma caixinha no fundo e fica curiosa.

AÇUCENA: Essa caixa...

⎳Ela abre e retira o objeto que está dentro, revelando ser um revólver.

ENRICO (Nervoso): O que isso tá fazendo contigo?

AÇUCENA (Assustada): Eu não sabia que isso tava aqui, eu não tinha visto antes.

ENRICO: Calma, me entrega aqui.

⎳Enrico tira um lenço do bolso e o usa para manusear a arma.

ENRICO: Eu vou guardar ela no cofre para você, é o mais seguro a se fazer.

AÇUCENA: Claro, faz isso mesmo...

⎳Enrico coloca o revólver de volta na caixa e vai até o closet, onde está o cofre. Ele analisa seriamente o objeto e depois o guarda, voltando para o quarto.

AÇUCENA: O Calebe ainda tá muito arredio comigo, né?

ENRICO: Ele é assim mesmo, mas já pensei numa solução. O final do ano letivo já está chegando, então pensei em chamar ele para viajarmos juntos os três, o que acha?

AÇUCENA: Você tem certeza que é uma boa ideia?

ENRICO: Tenho, meu amor. Acredita em mim, isso vai ser ótimo para nós!

⎳Açucena sorri com a ideia, entusiasmada. Dia após dia vai se sucedendo e uma passagem de algumas semanas ocorrem.

Cena 08 (Floricultura/Interior/Noite)

⎳Dália apresenta um semblante cansado, enquanto conversa no celular com alguém.

DÁLIA: Eu sei, Capitu. Eu sei o que eu disse sobre ficar em casa, mas eu não tenho ninguém para tomar conta da loja para mim.

CAPITU (Voz): Você está sendo irresponsável com você mesma, Dália! Tu não devia ter saído de casa sendo que tá desde cedo reclamando de dor.

DÁLIA: Se isso te tranquiliza, eu já estou voltando para casa, ok? Só vou verificar algumas coisas no estoque e fecho a floricultura. Daqui a pouco eu chego aí, beijos.

⎳Ela encerra a chamada e põe o celular sobre o balcão. Em seguida, ela vai até a porta de saída e a abaixa, deixando-a semiaberta. Ao fazer isso, ela sente uma contração intensa.

DÁLIA (Com dor): Ai, meu Deus, essa dor de novo...

⎳A mulher vai até o estoque e coloca algo para segurar a porta.

DÁLIA: Essa merda de porta...

⎳Dália arruma algumas coisas rapidamente e na hora em que vai sair sente outra contração, mais forte que a primeira. Ela acaba esbarrando na porta e fica trancada lá dentro.

DÁLIA (Apreensiva): Ai não, que inferno!

⎳Ela começa a suar e se escora na parede.

DÁLIA (Narrando): Eu nunca me senti tão desesperada assim por estar sozinha. Neste momento o desespero tomou conta de mim, o que farei agora?

Créditos:

18/10/2022

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