Três Vidas - Capítulo 02
Abertura:
Cena 01 (Bar/Interior/Noite)
⎳Açucena se aproxima de Enrico, em seu olhar o interesse no homem era nítido.
AÇUCENA (Sorrindo): Olá… Você tá sozinho?
ENRICO (Sorrindo): Gostaria de me fazer companhia moça?
AÇUCENA: Eu adoraria! Se não for incomodá-lo.
ENRICO: Em hipótese alguma… Prazer, Enrico!
AÇUCENA (Sorrindo): Açucena!
⎳A moça se senta ao lado do empresário, e os dois passam a conversar. Dália observa a situação.
DÁLIA: Me deixou sozinha. (Revira os olhos)
Cena 02 (Casa de Valentim/Quarto)
⎳Margaret está se secando com uma toalha, enquanto Valentim fica na porta a olhando.
MARGARET: A Capitu tá aí?
VALENTIM: Tá, mas já deve estar no sétimo sono...
MARGARET (Se aproximando): Então quer dizer que estamos meio sozinhos?
VALENTIM (Afastando): Eu conheço esse seu olhar e não tô gostando nada. Melhor terminar o que tem para fazer e ir embora!
MARGARET (Cínica): Ir embora? Com a chuva que tá lá fora acho que prefiro ficar aqui... com você!
⎳Ela tenta beijar o homem, que se mostra resistente.
VALENTIM: Chega, Margaret! Respeite sua filha que está no quarto ao lado!
MARGARET: Não é você que dizia ter saudade dos velhos tempos? Então vamos relembrar eles agora! Vem cá, vem!
⎳Valentim cai em tentação e ambos trocam um longo beijo.
Cena 03 (Bar/Interior)
AÇUCENA: Mas me diz, o que leva um homem como você estar sozinho num bar em pleno carnaval?
ENRICO: Problemas conjugais, entende? Ou melhor, você é nova, duvido muito que tenha passado por isso.
AÇUCENA: Experiência própria eu não tenho, mas alheia pode se dizer que sim.
ENRICO: E quem é aquela moça que estava contigo?
AÇUCENA: É a minha irmã, que às vezes mais parece uma mãe da minha idade.
ENRICO: Então ela se importaria se saíssemos daqui?
AÇUCENA (Sorrindo): Eu diria que não. Afinal, aqui já tá chato, né? A gente pode ir para algum lugar melhor...
ENRICO: Tem toda razão.
⎳Ele sorri e ambos caminham até a saída do lugar. Dália assiste a tudo com raiva, quando o barman tira sua atenção, colocando sobre o balcão as duas caipirinhas pedidas pela moça.
DÁLIA: E o que eu vou fazer com esse segundo copo?
⎳É quando um homem para ao seu lado e ela logo o reconhece.
DÁLIA: Ronny?
RONNY (Sorrindo): Dália?! E aí pô, tá sumida hein!
DÁLIA: Há muito tempo que a gente não se vê né?
RONNY: Pois é. Mas tá sozinha aí?
DÁLIA: No momento eu só quero uma companhia para beber...
⎳Diz ela oferecendo o copo ao homem, que o pega e toma da bebida.
Cena 04 (Hotel/Quarto/Interior)
⎳Enrico abre a porta e entra no quarto acompanhado de Açucena. Ela logo fica deslumbrada com a beleza do lugar. Se sentando sobre a cama, ela aprecia a qualidade do colchão, dos lençóis e do perfume.
ENRICO: Fica a vontade, Açucena.
⎳Nem era preciso dizer aquilo, pois a mulher já se sentia como se estivesse em casa, como se aquele mundo fosse o seu lugar de pertencimento. Enrico prepara um drink para a moça e a entrega, ela logo bebe.
AÇUCENA: Hmm... Acho que nunca tinha bebido algo tão bom antes!
ENRICO: Essa é só mais uma das minhas especialidades...
AÇUCENA (Provocando): Mais uma, é? E quais são as outras?
ENRICO (Sorrindo): Eu vou te mostrar.
⎳Ele abre um sorriso e deixa seu rosto próximo ao da mulher. Suas respirações ofegantes são ouvidas, não havia dúvida de qual seria o próximo passo dado por eles. Instintivamente, o casal se beija. Sem desgrudarem os lábios, Enrico passa a tirar a blusa de Açucena, enquanto esta desabotoa a camisa do homem. Eles se jogam na cama e o desejo os consomem ainda mais. Enrico fica por cima de Açucena e lentamente desceu sua cabeça pelo corpo da mulher, lhe dando leves beijos no pescoço.
Cena 05 (Casa de Valentim/Exterior)
⎳Dália e Ronny descem do carro que pediram por aplicativo e, antes que entrem na casa, Dália o impede.
DÁLIA: Espera aí, tem gente em casa.
RONNY (Confuso): Poxa, eu pensei que tu tivesse me trazido aqui porque a gente ia ficar só.
DÁLIA: Relaxa, eu tenho uma ideia em mente.
⎳Ela entra na casa rapidamente, enquanto Ronny espera sem entender. Ela volta com um molho de chaves em mãos.
DÁLIA: Vamos?
RONNY: Para onde?
Cena 06 (Padaria/Interior)
⎳Dália levanta as portas do local e acende uma luz. Os dois entram.
DÁLIA: É aqui. Lembra quando eu te disse que meu pai tinha uma padaria?
RONNY: Mas esse lugar não tem câmera, alarme, nada?
DÁLIA: Como fica perto de casa, meu pai nunca se preocupou com isso. Fica tranquilo, ninguém vai ver a gente aqui.
⎳Sem contrariar, Ronny encosta seu corpo junto ao da mulher. Calmamente, os dois se entregam ao momento.
⎳Algumas horas se passam. A manhã se aproxima e algumas pessoas começam a se esvair das ruas. O lixo acumulado nas vias públicas e a multidão que vaga pelas ruas entregam a noite agitada que se passou.
Cena 07 (Hotel/Quarto/Interior)
⎳Açucena e Enrico estão deitados na cama. Seminus, ela repousa sobre o peito do homem.
ENRICO: Essa foi uma das melhores noites da minha vida, garota.
AÇUCENA: Eu poderia até dizer que está mentindo, mas sei que sou inesquecível mesmo.
ENRICO (Sorrindo): Quanta modéstia!
AÇUCENA: E quando nos vemos de novo?
ENRICO: Já está pensando no próximo encontro?
AÇUCENA: E por que não repetir?
ENRICO: Você sabe que eu sou casado, é complicado...mas pode ter certeza, eu quero te ver outra vez. Quando tivermos oportunidade, vamos nos reencontrar.
⎳Ela sorri e dá um selinho nele.
Cena 08 (Padaria/Interior)
⎳Dália e Ronny se encontram estendidos no chão, em um sono profundo. A menina desperta e se desespera. Ela logo acorda o companheiro também.
RONNY (Sonolento): O que que foi?
DÁLIA (Nervosa): Não era para a gente ter dormido! Veste sua roupa, a gente precisa se mandar daqui!
⎳Ele não entende nada, mas segue as ordens. Estando os dois vestidos, ambos saem dali depressa.
Cena 09 (Casa de Valentim/Corredor/Interior)
⎳Capitu passa pelo corredor quando se depara com sua mãe saindo do quarto de Valentim.
CAPITU: Mãe?! O que a senhora tá fazendo aqui?
MARGARET (Nervosa): Eu... Eu vim ver você! Queria saber se você não passou a noite aprontando fora de casa...
CAPITU (Desconfiada): E quem abriu a porta para você?
MARGARET: A sua irmã né, a Dália.
⎳Nesse momento, Dália chega ofegante em casa.
DÁLIA: Bom dia, gente! O papai tá em casa?
CAPITU: Foi ela que abriu a porta?
MARGARET: Ah, garota! Não faz perguntas difíceis!
⎳Ela sai irritada, Capitu e Dália se olham segurando o riso.
Cena 10 (Prédio/Exterior)
⎳Enrico para com seu carro em frente a um prédio pequeno, aparentemente residido por pessoas de classe média baixa.
ENRICO: É aqui que você mora?
AÇUCENA: Não é exatamente onde eu fico sempre, mas é aqui que eu moro.
ENRICO: Bom... eu já te passei meu telefone, que é uma coisa que eu não costumo fazer com ninguém. Mas...
AÇUCENA: Eu já sei o que vai dizer. Que é casado, para eu não te ligar porque sua esposa pode ver e aquela ladainha de sempre. Eu já sei como é.
⎳Enrico se assusta com a experiência da moça.
AÇUCENA: Então eu te espero me ligar.
⎳Ambos dão um último beijo e Açucena desce do carro. Ela vai até a fachada do prédio e fica observando até o veículo sumir no horizonte. Ela então entra no edifício.
Cena 11 (Apartamento de Indira/Interior)
⎳Açucena entra e sua mãe, que está de costas na cozinha, se vira ao notar a presença da filha.
INDIRA: Lembrou que tem casa, Açucena?!
AÇUCENA: Ai mãe, pelo amor de Deus, agora não!
INDIRA: Você passa mais dias fora de casa, como você acha que eu fico?! Eu ligo pro seu celular e você não atende, aí eu acabo tendo que ligar pro seu pai para ter notícias suas!
AÇUCENA: Eu não sou mais criança para você querer me manter dentro de casa!
INDIRA: Não é criança, mas age feito uma! Vive sob o meu teto, não trabalha, não estuda e sequer tem um pingo de consideração ou gratidão por mim! Se ao menos fosse independente...
AÇUCENA: E nem você é independente! Nós duas somos sustentadas pelo meu pai!
INDIRA: Não é esse o ponto, Açucena!
⎳Indira continua falando e Açucena se levanta e vai até a varanda. Ela fica observando o pouco movimento da rua, enquanto o vento bate em seu rosto e sopra seus cabelos. Ao se lembrar da noite que teve com Enrico, ela solta um singelo sorriso.
Cena 12 (Barracão/Interior)
⎳Os poucos móveis velhos, o espaço pequeno e a sujeira do chão e das paredes, mostram a precariedade do lugar, que é ocupado por Ronny. Ele se deita em sua cama, retira o celular do bolso e faz uma ligação.
(VOZ): Qual foi, Ronny? Para me ligar essa hora eu espero que seja coisa importante.
RONNY: E é, mano. Lembra daquele dinheiro que "cê" tava precisando? Eu acho que sei como arrumar.
(VOZ): Ah, é? Como?
RONNY: Uma padaria, jeitosinha, parece ter muito cliente e o melhor: sem nenhuma segurança.
(VOZ): Aaah, agora saquei onde tu quer chegar.
⎳Ronny abre um sorriso malicioso.
Cena 13 (Mansão Paranhos/Quarto/Interior)
⎳Enrico está em seu quarto, enquanto Natalie está deitada. Ele tira seu paletó e coloca no cabideiro. O homem toma um leve susto ao ouvir a voz chorosa da esposa.
NATALIE: Ontem você me deixou plantada feito uma idiota e chega como se nada tivesse acontecido...
ENRICO (Sério): Eu pensei que ainda estivesse dormindo… eu vou tomar um banho.
⎳Ele vai até o banheiro e deixa sua mulher falando sozinha novamente. Natalie se levanta com raiva e vai até o cabideiro, pegando a roupa deixada pelo marido e a elevando até o nariz, sentindo o cheiro.
NATALIE (Enfurecida): Ele sequer tenta disfarçar! Esse perfume de vagabunda...
⎳Algumas lágrimas de raiva escapam dos seus olhos e sua única reação é levar as mãos ao rosto e chorar incessantemente.
NATALIE (Narrando): Eu não podia e não queria aceitar a possibilidade de ser traída pelo Enrico, jamais!
(FIM DO CAPÍTULO)
Créditos:
27/09/2022
© GS Literatura.