Nada Além - Capítulo 18
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Autor: Elias Ramos
Abertura:
Cena 01 (Mansão Souza Lemos / Interna)
𝄡Helena adentra o local furiosa. Ela arremessa ao chão tudo o que vê pela frente, nesse momento Júlia adentra e fica sem entender.
JÚLIA: Mãe… O que tá acontecendo? O que você está fazendo?
𝄡Helena já não controlando mais nada de suas ações vem na direção de Júlia e lhe dá um tapa certeiro.
HELENA (Descontrolada): Eu odeio você!
JÚLIA (Sem Entender): Você está ficando doida?
HELENA (Gritando): Estou! Estou sim Júlia, doida de ódio porque está tudo dando errado na droga da minha vida.
JÚLIA: E de que culpa tenho eu?
HELENA: E você ainda pergunta?
𝄡Helena retira a carta de reprovação de Júlia e joga na direção da moça.
HELENA (Exaltada): Olha para isso, uma humilhação Júlia, durante toda a minha vida eu me dediquei unicamente a você para fazer com que você fosse alguém na vida, eu aceitei que a Carine e a Thalia já não tinham jeito, e eu fiz de tudo para que você fosse alguém, mas olha, OLHA NO QUE VOCÊ SE TORNOU. Um nada!
𝄡As palavras disparadas por Helena, deixam Júlia sem qualquer reação a não ser chorar.
HELENA (Surtando): Eu me arrependo tanto de ter acreditado em você porque já estava na cara que você é tão incapaz quanto as outras duas, chega Júlia, chega… Maldita hora em que levei essa gravidez adiante…
𝄡Helena se retira do local aos berros, Júlia já não consegue conter o choro, a moça perde seus próprios sentidos e arranha os braços lhe tirando sangue, a câmera aos poucos se afasta de Júlia que está tentando controlar a respiração ofegante.
Cena 02 (Escola Infantil / Externa)
𝄡Quase todas as crianças já saíram, Melissa está acompanhada de uma professora.
PROFESSORA: A sua mãe falou se não viria te buscar?
MELISSA: Ela já deve estar chegando.
𝄡A professora continua ligando para Carine, a câmera corta para a editora onde mostra Carine extremamente concentrada no seu computador. A câmera se aproxima do celular da moça em cima da mesa que está desligado.
Cena 03 (Consultório Médico / Interna)
𝄡Marina está nervosa no local, um médico se aproxima.
MARINA: E então fala logo o que aconteceu.
MÉDICO: Realizamos o exame de sangue e confirmamos com o ultrassom, já não restam mais dúvidas.
MARINA: Chega de enrolação, vá direto ao ponto.
MÉDICO: Senhora, infelizmente você sofreu um aborto espontâneo.
MARINA (Em choque): O que? Eu perdi o bebê?
MÉDICO: Sim, precisamos que você me acompanhe para realizarmos a coleta do feto.
MARINA: Eu… Preciso de um minuto.
MÉDICO: Claro.
𝄡O médico se retira, uma lágrima escorre dos olhos de Marina, no entanto contrariando a ação, a expressão da moça é completamente fria.
MARINA: Não… isso não podia ter acontecido.
𝄡Marina enxuga aquela lágrima com desdém.
Cena 04 (Casa de Glenda / Interna)
𝄡Glenda dá o nó na gravata de Cadu, ela o olha emocionada.
GLENDA: Eu tenho tanto orgulho de você meu filho, olha o homem que você se tornou.
CADU: Se eu sou quem eu sou hoje, é graças a você mãe, eu te amo, muito.
GLENDA (Emocionada): Eu também te amo muito, e quero que você seja muito feliz, case com aquele rapaz, forme sua família, e que continue sendo o grande médico que você está batalhando para ser.
𝄡Cadu e Glenda dão um forte e longo abraço emocionados.
CADU: Agora eu preciso ir pra tudo sair perfeito.
𝄡Cadu se despede de Glenda e se retira.
Cena 05 (Casa de Emanuel / Interna)
𝄡Emanuel está em casa bebendo quando seu telefone toca.
EMANUEL (Atendendo): Alô… Desculpe o que? A minha filha ainda está aí?
𝄡A câmera foca na face de Emanuel que demonstra raiva.
EMANUEL: Claro eu vou aí agora mesmo.
𝄡Emanuel desliga a ligação e pega suas chaves.
EMANUEL: Carine… Você vai se arrepender...
Cena 06 (Cemitério / Túmulo / Externa)
𝄡Marina se debruça sobre o túmulo da mãe aos prantos.
MARINA (Chorando): Porque? Você deveria me ajudar, você prometeu que ajudaria eu me vingar daquela maldita.
𝄡Marina joga os arranjos de flores que estavam sobre o túmulo no chão.
MARINA (Em Prantos): Mas isso não vai ficar assim, eu vou levar tudo até o fim. E eu juro que não importa o que aconteça eu vou cobrar cada segundo daquela maldita.
𝄡Marina enxuga as lágrimas com raiva, a câmera foca em seu olhar perverso.
Cena 07 (Apartamento de Luiza / Interna)
𝄡Luiza aparenta estar triste com a notícia que acaba de receber pelo telefone.
MARIA CLARA: Mãe? Tá tudo bem?
LUIZA: Acabei de receber a notícia que um paciente que eu tratava desde antes de me aposentar veio a falecer, ele estava conectado aos aparelhos a mais de um ano.
MARIA CLARA: Nossa, que triste. Mas ninguém merece ficar conectado a aparelhos, se fosse comigo eu queria que desligassem.
LUIZA: E eu jamais desligaria, tá doida. Como médica eu sempre lutei o máximo que eu poderia para salvar alguém, enquanto houver alguma esperança, vale a pena.
MARIA CLARA: Eu acho que não serviria para ser médica, exige muito emocional, talvez até maturidade.
LUIZA: Sabe filha, uma coisa que eu aprendi é que a maturidade é fruto da dor, não do tempo.
𝄡A câmera foca na expressão de Luiza.
Cena 08 (Parque / Externa / Noturno)
𝄡Já não há quase ninguém no parque, apenas algumas poucas pessoas, o céu estrelado se destaca, Cadu está ansioso pela chegada de Théo, que se aproxima dele.
THÉO: Cadu, porque você queria me ver aqui?
CADU (Sorrindo): O que eu vou fazer aqui hoje, eu pensei que jamais teria coragem de fazer em toda a minha vida.
THÉO: Ai meu Deus, que mico, Cadu não…
CADU: Você não disse que o seu sonho era um grande pedido de casamento ao ar livre como nos filmes, pois bem, eu digo em alto e bom tom que eu te amo Théo de Souza Lemos, te amo hoje, amanhã e para sempre.
𝄡Théo sorri sem acreditar no que está a acontecer.
CADU: Você é o motivo do meu acordar a cada dia, dos meus sorrisos involuntários, da minha paixonite boba, você Théo é o alicerce da minha vida, e pode parecer clichê o que eu vou dizer, mas eu quero acordar do seu lado até o meu último suspiro. Você aceita casar comigo?
THÉO: Mas é claro que sim.
𝄡Théo e Cadu se beijam apaixonados, os presentes no local aplaudem exceto por um grupo de pessoas que está mais afastado eles olham a cena com repulsa.
Cena 09 (Mansão Souza Lemos / Suíte de Júlia)
𝄡A água cai sobre Júlia que está vestida e em posição fetal. As gotas de água do chuveiro intercalam-se com as lágrimas da moça, as palavras de Helena ecoam em sua mente. Ela aparenta estar desnorteada.
JÚLIA (Desconcertada): Eu tentei… Eu juro que tentei…
𝄡Em outro take, mostra a moça que vai até sua gaveta e retira um frasco com alguns comprimidos de oxicodona.
JÚLIA: Eu tentei não me render ao vício, mas eu já não consigo mais.
𝄡Júlia toma alguns comprimidos de uma vez só, em seguida ela deita na cama, o quarto está escuro e o silêncio do local é interrompido pelo tique do relógio ao lado da cabeceira, a imagem se aproxima do olhar fixo, porém vazio na face da moça.
Cena 10 (Ruas / Externa / Noite)
𝄡Théo e Cadu estão andando pela calçada.
THÉO: Eu ainda não acredito que você me pediu em casamento.
CADU: Ainda bem que você aceitou, já pensou o mico que seria eu ser deixado lá plantado.
𝄡Os dois riem, Cadu põe seu braço sobre os ombros de Théo enquanto eles seguem caminho.
THÉO: Onde você colocou seu carro, já andamos muito.
CADU: Eu deixei ele bem longe pra não correr o risco de você ver.
𝄡Cadu e Théo passam por um beco quando de lá saem algumas pessoas a maioria homens, os mesmos que os olhavam com repulsa no parque, o casal tenta passar mas são impedidos.
HOMEM 1: Vocês não tem vergonha de fazer aquela palhaçada em público?
HOMEM 2: Duas maricas, honrem as calças que vocês tem.
CADU: A gente não tá afim de confusão, só queremos seguir caminho.
HOMEM 1: Não tão afim de confusão mas de fazer aquela porcaria pública vocês estavam.
MULHER 1: Tinham crianças no parque vendo aquela pouca vergonha.
THÉO: Amar alguém não é nenhuma vergonha.
HOMEM 1: Olha, que afrontosos.
HOMEM 2: Tá na hora de dar uma liçãozinha neles.
𝄡Os dois homens acompanhados de mais alguns comparsas levam Cadu e Théo a força para o beco eles se debatem e gritam por socorro mas não são ouvidos. Um deles dá um soco certeiro em Théo que bate com a cabeça no chão e fica desacordado.
CADU (Desesperado): Théo!
𝄡O homem dá alguns coices em Théo que já está desacordado quando para.
HOMEM 1: É uma mulher mano… Um traveco.
𝄡Cadu tentando socorrer Théo consegue se soltar e dar um soco em um deles, no entanto todos partem para cima de Cadu e começam a socá-lo sem cessar, vários chutes e golpes na cabeça de Cadu são feitos continuamente pelos homens, a câmera fecha na expressão de Cadu que apenas geme de dor, lágrimas escorrem de seus olhos. A imagem escurece podendo-se ouvir apenas vozes.
MULHER (Gritando/Voz): DEU! Vocês vão matar ele.
𝄡Um silêncio ensurdecedor é ouvido.
HOMEM (Voz): Eu acho que ele está morto, vamos sair daqui agora antes que a polícia chegue.
𝄡Através dos sons dá pra perceber que os agressores fogem do local.
A BANDEIRA DA CAUSA LGBTQIA+ SURGE NA TELA. HOMOFOBIA É CRIME. PRECONCEITO É CRIME. AMAR ALGUÉM, NÃO É.
Encerramento
11/09/2021
©️ GS Literatura