Labirinto - Episódio 06
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Autor: Antônio Almeida
Abertura:
Cena 01 (Quarto/Manhã)
× Olga entra em colapso o mundo desaba sobre ela.
OLGA: Isso não vai acabar assim! Eu não vou cair, eu nunca declinei e não será agora!
LÍGIA: Para tudo há uma primeira vez. A sua vida se encerra junto às suas torturas, aos seu terror e a esse seu tão grande reinado.
OLGA (Desesperada): NUNCA! Isso ainda não acabou, eu vou sair bem! Eu sei que eu vou…
× A ficha de Olga cai, a mulher cai em si e vê a decadência a sua volta, o medo toma conta. Ela tenta correr, Lígia a segura.
OLGA: Me solta! Eu não tenho outra opção a não ser fugir! É a única maneira de se manter viva!
LÍGIA: Aqui existe apenas uma opção! Já que dividimos o mesmo sangue faço questão de te ver destruída!
OLGA: Você é minha filha, tenha o mínimo de empatia…
LÍGIA: Empatia? Filha? Você não é nada além de uma genitora! Acabou pra você, que esses anos tenham valido a pena.
OLGA (Nervosa): Desgraçada! Eu te deixei viva!
LÍGIA: E esse foi o seu maior erro (Risos)
× A porta é aberta, Olga empurra Lígia e foge por uma passagem.
Cena 02 (Escritório de Olga/Manhã)
× Olga desce as escadas que dá direto em seu escritório, ela pega alguns pertences e enfia em uma maleta.
OLGA: A única maneira de sobreviver é abandonando o barco! O que eu faço? Como eu saio desse labirinto?
× Ela olha pela janela, ela se surpreende pelo caos lá fora.
OLGA: Tá infestado de loucos, todos querem a minha cabeça, eu não sei o que vai ser de mim.
× Olga é tomada por um desespero forte.
OLGA (Desesperada): Esse não pode ser o meu desfecho! Eu sempre dei um jeito… eu irei arrumar um agora, eu prezo pela minha vida.
× Olga se retira, ela corre pelos corredores.
Cena 03 (Corredor/Manhã)
× Olga corre em tremendo desespero, ao ver alguns prisioneiros vindo em sua direção ela muda o rumo, descendo escadas, correndo e desviando dos presos.
OLGA (Ofegante): Eu não vou me entregar! Eu não vou!
× Olga percebe uma multidão de presos, ela retira uma arma da sua maleta.
OLGA (Alterada): Eu vou sair daqui viva! VIVA! (Grita)
× Ela atira em vários sujeitos, ela corre e entra no pátio.
Cena 04 (Pátio/Manhã)
× Ao perceber que as balas acabaram, Olga corre abandonando sua maleta e caindo sobre o chão, todos os prisioneiros ficam a sua volta.
OLGA (Desesperada): O que vocês querem??? Eu não tenho nada! Eu fiz o que era pra fazer!
— Você tem o que a gente mais preza!
A justiça, a vingança… queremos você morta!
× Todos gritam, Olga se levanta, em pratos a mulher gira em torno da multidão procurando uma maneira de escapar.
OLGA (Desesperada): Eu não tinha escolha! A culpa não era minha… por favor! Por favor não me toquem, não façam…
LUIZA: Não faça o que você fazia com eles?
× Olga se choca ao ver Luiza.
LUIZA: Olga, Aqui se faz, aqui se paga! Façam justiça meus companheiros!
× Todos avançam sobre Olga, a moça tenta escapar, mas é em vão, ela é agredida, espancada a chutes, pontapés, chicotadas e armas de choque. Olga grita em desespero. Luiza observa a cena sorrindo.
Cena 05 (Capela/Interior/Tarde)
× Lígia entra na capela, Angelo reza no altar.
LÍGIA: Rezando pelas almas perdidas?
ANGELO: É o mínimo que posso fazer, tanto sangue derramado de maneira tão fria…
LÍGIA: Acabou, as mortes se foram junto com a Vitória e a Olga.
ANGELO: A questão é, o que será de você a partir de agora?
× Os olhos de Lígia marejam, a paz em seu olhar é perceptível, um sorriso genuíno é posto em seu rosto.
LÍGIA: Eu irei renascer, ou talvez tentar. Eu me vejo em um novo começo, em uma nova era, e eu preciso de você nela…
× Angelo se aproxima de Lígia e acaricia o seu rosto.
ANGELO: Eu quero estar ao seu lado aonde você for, eu e você contra esse mundo.
LÍGIA: Você trocaria essa vida por mim? Viveria ao meu lado?
ANGELO: O resto da minha vida será em prol da sua. Eu aprendi a te amar, a ouvir os meus próprios sentimentos, Lígia eu quero você!
× Angelo beija Lígia, os dois ao brilho de seus sentimentos trocam carícias.
ANGELO(Sorrindo): Esse lugar me trouxe a única coisa boa que eu poderia ter, um amor de verdade.
Cena 06 (Pátio/Tarde)
× Depois de horas de tortura Olga é amarrada, com o rosto desfigurado, a pele destruída e sem cabelo a moça chora aos prantos.
OLGA: O que vocês vão fazer… Acabaram comigo, com a minha beleza, vocês tomaram de mim tudo que eu tinha!
LUIZA: Ainda é pouco!
× Luiza se aproxima de Olga e com um olhar de desprezo chuta o rosto da moça.
LUIZA: Podem terminar o serviço, nesse plano essa daí anda fazendo hora extra!
× Olga entra em pânico, ela tenta se soltar.
OLGA (Desesperada): Não! Não! Eu já sofri o que tinha que sofrer! Por favor!
LUIZA (Sorrindo): Levem ela para o lago.
Cena 07 (Manicômio Santa Rita/Lago/Final da tarde)
× Todos estão em volta do lago observando Olga e Luiza.
LUIZA: Uma salva de palmas para o último espetáculo.
× Todos aplaudem, com exceção Lígia e Angelo.
LUIZA: Jogue-se! Morrerá afogada ao silêncio dos seus gritos.
OLGA: Por favor, não me faça acabar assim (Chorando)
LUIZA: Tarde demais para lamentações.
× Lígia e Olga se olham, Olga se mostra arrependida de seus atos.
LÍGIA: Espera! Ela já foi torturada o suficiente…
× Todos se revoltam.
LUIZA: O que significa isso, Lígia?
LÍGIA: A Olga é minha mãe! Façam isso por mim…
× Lígia vai até Olga, Olga segura a sua mão com os olhos marejados.
OLGA: Eu não tenho palavras para definir o quanto eu estou grata…
LÍGIA: Eu só não quero mais sangue sobre minhas mãos, acabou Olga…
× Olga tenta abraçar Lígia, a mesma não aceita e se afasta.
Cena 08 (Quarto/Noite)
× Vários prisioneiros fogem, apenas Lígia, Olga e Angelo continuam no local.
OLGA: Obrigada por me deixar viva, Lígia eu estava enganada sobre você.
LÍGIA: É tarde demais para ver isso. A nossa história de mãe e filha acaba por aqui.
× Lígia dá as costas para Olga e se retira junto a Angelo, Olga vai até o espelho e se olha destruída. Olga começa a chorar, o silêncio do local é ecoado pelo choro da moça, a solidão em seu olhar toma conta dela que cai sobre o chão,
3 MESES ANTES…
Cena 09 (Fazenda Vilhema/Sala/Tarde)
× Omar corre até o local.
OMAR (Nervoso): Cadê a minha filha? FALA!
TARSO (Mentindo): Foi tudo muito rápido! A gente estava em um barco… ela acabou caindo, foi um acidente!
× Omar fica sem chão, ele parte para cima de Tarso.
TARSO: Calma! Foi uma fatalidade… tente aceitar.
OMAR: É mentira! A minha filha está viva! Você armou algo, eu sei! Eu sei!
× Omar tem um infarto, os empregados vão o ajudar, Tarso se afasta.
OMAR (Gritando): A MINHA FILHA! A MINHA FILHA NÃO ESTÁ MORTA!
Cena 10 (Fazenda Vilhema/Quarto/Tarde)
× Tarso entra no quarto e ao ver Dalila lança um sorriso.
DALILA: Senti saudades, meu querido.
TARSO: Faço de suas palavras as minhas, estamos livres da antipática da Lígia e do velho.
DALILA: Um caminho rodeado de sucesso sem ninguém para nos impedir.
TARSO: Foi tão fácil dar cabo da Lígia, quase tão quanto enganar ela.
DALILA: Essa Fazenda, esse lugar todinho nosso, eu você e o nosso amor, Tarso isso é genial.
TARSO: Acho que merecemos um belo brinde.
× Tarso e Dalila abrem um champanhe, os dois brindam animados em seguida se beijam.
Ao longo dos três meses
× A doença de Omar piora e o mesmo fica de cama.
× Dalila toma posse da fazenda e prepara o seu casamento com Tarso
× Tarso vende diversas terras dos Vilhenas.
DIAS ATUAIS
Cena 11 (Igreja/Tarde)
× Tarso e Dalila irão se casar. Todos estão na igreja, Tarso espera ansioso a entrada de Dalila, todos se surpreendem ao vê-la entrando em um vestido preto e um véu cobrindo o seu rosto, ela chega até o altar.
PADRE: Damos início a união de Tarso e Dalila, união concedida por Deus e com muito amor e carinho…
— Concedida graças a mim.
× Tarso se choca ao ouvir aquela voz, a moça levanta o seu véu, revelando ser Lígia.
LÍGIA (Sorrindo): Sentiu a minha falta, meu amor? Eu senti tanto a sua…
TARSO (Em Choque): Lígia? Mas como? Você estava no Manicômio!
LÍGIA: Óh, não me diga. Mas eu movi terras e céus para estar ao seu lado. Que comece a nossa celebração, no caso a minha celebração.
× Tarso não acredita no que vê, Lígia lança um olhar vingativo para o rapaz.
(FIM DO EPISÓDIO)
04/03/2023
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