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Labirinto - Episódio 04
Web Série
Autor: Antônio Almeida

Abertura:

Cena 01 (Corredor/Noite)

LÍGIA: Vitória!! Eu estou próxima de nos livrar dessa prisão. Eu preciso que você aguente firme.

× Lígia abraça Vitória que sorri para ela, e segue caminho.

Cena 02 (Sala dos Funcionários/Noite)

× Lígia entra no local, ela se surpreende com o remetente das cartas.

LÍGIA: Helena? Por que logo você? A primeira a me torturar, a refletir todo o ódio desse lugar sobre o meu corpo.

HELENA (Apreensiva): Alguém te seguiu?

LÍGIA: Sinceramente, eu não sei. Mas fala! O que te levou a me mandar cartas? É algum tipo de plano?

HELENA: Quem me dera fosse… eu estou colocando a minha vida em risco tudo para acabar com essa tirania.

LÍGIA: Nisso me mandou as cartas, mas por que? Logo eu?

HELENA: Eu vi potencial em você, Lígia. Apenas você conseguiu enfrentar a Olga sem abaixar a cabeça.

× Helena se aproxima de Lígia.

HELENA: Eu não aguento o peso de carregar tantas mortes, eu não consigo dormir… vozes! Gritos! Todos eles ecoam sobre minha mente.

LÍGIA: Você queria amenizar a culpa, cansou desse massacre, das torturas, não acha tarde?

HELENA (Desesperada): Antes tarde do que nunca! Lígia, a Olga me transformou em um monstro, eu carrego sangue sobre minhas mãos.

× Sobre a brecha um dos funcionários escuta o diálogo.

Cena 03 (Escritório de Olga/Noite)

× Olga entra aos berros, ela se debate por todo lugar, a agonia em seus olhos mesclam com a sua fúria.

OLGA: Mais uma vez!! Ela debochou de mim, do meu poder!

× Em fúria Olga destrói todo seu escritório, derrubando a escrivaninha, rasgando livros e rasgando as cortinas.

OLGA: É guerra que ela quer guerra ela terá! Pelo jeito o Omar criou um demônio dentro daquela fazenda…

× Em meio aos destroços Olga pega um porta-retrato.

OLGA: Talvez ela seja idêntica a mãe dela… Lígia eu irei mostrar a vida como ela é.

× Olga em fúria desfere o porta-retratos sobre a parede, cacos de vidros voam em sua direção, ela não esboça sentimento.

Cena 04 (Sala dos Funcionários/Noite)

LÍGIA: Afinal como surgiu esse lugar? Quem é o mestre? Fala!

HELENA: Calma, esse lugar nasceu a partir do luto de uma mãe. Mãe essa que perdeu seu filho e com ele levou a sua capacidade de amar.

LÍGIA: Quem construiu esse império foi a…

HELENA: Ela mesmo, a Olga acabou tornando-se esse ser amargurado, ela era feliz, seus olhos brilhavam…

LÍGIA: É tudo culpa do mestre?

HELENA: Foi eles que construíram esse lugar, o império à custa de inocentes, pouco a pouco eles fundaram o inferno ainda na terra.

× Lígia engole seco.

LÍGIA: Então quem é esse tal mestre? Que acabou com a vida da Olga e de muitos, quem é, Helena?

× Helena se esforça para falar, ela se desespera. A porta começa a bater.

HELENA: Eu não consigo agora… Fuja! Lígia, sobreviva.

LÍGIA: A nossa conversa ainda não acabou.

× Lígia corre para os fundos, ela pula a janela, os funcionários entram, Helena tenta disfarçar.

Cena 05 (Jardim/Noite)

× Lígia corre em desespero, suas feridas começam a doer. A moça cai sobre o chão, ela entra em pânico, um homem aparece.

LÍGIA (Desesperada): Saia! Me deixa em paz!! Só me deixe ir, por favor.

× O homem se aproxima e pega Lígia, ela se debate. Ele o carrega à capela.

Cena 06 (Capela/Manhã)

× Lígia acorda confusa, ela olha para os lados, ela caminha pelo local tentando entender.

ANGELO: Não fique confusa, aqui ainda não é o céu.

LÍGIA: E se fosse seria bem sem graça. O que estou fazendo aqui?

ANGELO (Sorrindo): Prazer, Angelo. O padre da capela, te vi machucada e lhe trouxe.

LÍGIA: Muito obrigada, mas eu preciso ir.

ANGELO: Se eu fosse você tomava cuidado, a Olga está à sua procura, ela ordenou a sua morte.

LÍGIA: Eu não esperava menos que isso, mas muito obrigada. Sua ajuda foi a minha salvação.

ANGELO: Eu desafiei a mim mesmo quando lhe vi, Lígia, eu acho lindo o que você está fazendo por essas pessoas…

LÍGIA: É bom saber que alguém está do meu lado.

ANGELO (Sorrindo): Eu estou do lado da vida, eu tenho o dever de te ajudar.

× Angelo e Lígia trocam olhares, a moça se mostra entusiasmada com o padre.

Cena 07 (Quarto de Angelo/Manhã)

× Lígia conversa com Luiza.

LÍGIA: Ele é bonito, é um homem que me desperta algo diferente…

× Lígia sorri pensando em Angelo.

LÍGIA: Ele me fez sentir o mesmo que eu senti com o Tarso. É estranho…

LUIZA: Angelo já ajudou muitos a fugir, ele é um grande de um aliado.

LÍGIA: Eu espero contar com ele.

× Lígia pensa em Tarso, mas rapidamente vem a imagem de Angelo.

LUIZA: Mas eu tenho uns documentos de quem é o verdadeiro dono, ele pode ser o mestre…

LÍGIA: Tá esperando o que? Me mostre.

× Luiza entrega os papéis a Lígia, a mesma se surpreende

LÍGIA (Em Choque): Não! Isso não pode ser verdade…

LUIZA: O que? Você o conhece?

LÍGIA: O dono desse Manicômio é o meu pai! Omar Vilhena, mas como? Isso não pode ser verdade.

× Lígia continua em choque.

Cena 08 (Salão de Danças/Tarde)

× Olga pega um de seus discos e põe na vitrola, ela começa a dançar no espaço vazio.

OLGA: Nada poderá me abalar, mais um dia em que o poder corre sobre minhas mãos.

× Olga rodopia pelo local mesclando com o desespero e a angústia dos prisioneiros, eles se contorcem de dor.

OLGA: Os gritos me fazem prestigiar ainda mais o quanto a vida é dócil, que a hierarquia seja eterna.

× Olga pega uma taça de vinho e levanta.

OLGA: Onde quem manda pode mandar e quem obedece escuta em silêncio, é Deus no céu e a justiça na terra.

× A música começa a tocar mais alto, Olga dança com um sorriso psicodélico, ela solta uma gargalhada prazerosa, sangue jorra sobre a janela, ela ignora e toma o vinho.

OLGA: Que a justiça continue a meu favor.

× A música se encerra e é ouvido os gritos de terror, Olga dança ao som do desespero.

Cena 09 (Capela/Tarde)

× Lígia caminha inquieta, Angelo entra.

ANGELO: Aconteceu algo? Parece bastante nervosa.

LÍGIA (Desesperada): Um mundo está caindo sobre a minha cabeça, eu não sei o que fazer, Angelo estou ficando sem chão.

ANGELO: Lígia, acalme-se.

LÍGIA: Me acalmar como? Eu estou a ponto de enlouquecer!

× Angelo se aproxima de Lígia e a abraça, a moça se acalma.

LÍGIA: Obrigada por me fazer sentir assim.

ANGELO: Assim como?

LÍGIA: Angelo, eu não sei o que tá acontecendo na minha cabeça, mas ao seu lado parece que tudo se acalma.

× Lígia e Angelo cruzam seus olhares, os dois se aproximam, Lígia toca os seus lábios no padre, os dois se entrelaçam.

LÍGIA: Meu Deus… desculpa! Eu deveria ter me controlado.

ANGELO: Não se desculpe se isso partiu de mim. Lígia, eu não sei o que eu sinto por você…

LÍGIA: Eu também não sei…

× Lígia e Angelo se olham fascinados.

Cena 10 (Pátio/Final da tarde)

× Olga caminha novamente pelo pátio observando os prisioneiros feridos.

OLGA: Limpe este sangue, não quero que manche minha calçada.

× Um homem aparece e entrega algumas informações a Olga, ela se mostra frustrada.

OLGA: Mande a Helena ir até minha sala, com ela eu me resolvo.

Cena 11 (Escritório de Olga/Final da tarde)

× Olga entra no local, Helena entra em seguida.

HELENA (Nervosa): A senhora me chamou?

OLGA: Lembra de quando chegou aqui? De quando eu lhe dei um nome, um sentido a sua vida, um poder que alguém como você nunca teve. Eu fui uma mãe, um pai pra você.

HELENA: Eu não estou entendendo…

OLGA: Entende sim, entende o peso de uma traição. Eu tolero tudo, menos ser apunhalada!

HELENA (Nervosa): Eu não fiz nada, não estou entendendo a insinuação.

OLGA: O cinismo não condiz com você. Um verme tentando me driblar, que Irônico!

× Helena engole o medo e parte pra cima.

HELENA: VERME? Eu fui o seu braço direito, eu fiz o que ninguém fez…

OLGA: Pelo jeito terei que cortar o meu braço direito, levem-a!

× Dois homens seguram Helena.

HELENA: Prepare-se! Você vai cair junto a esse seu império!

Cena 12 (Jardim/Noite)

× Helena é jogada sobre o jardim, Olga observa da varanda.

HELENA: Porque me jogaram aqui? O que significa isso?

× Helena se toca o que irá acontecer, Olga solta um sorriso para ela.

HELENA: Olga, não faça uma coisa dessas!

OLGA: Soltem os cachorros, eles estão com fome.

× Os cachorros são soltos, eles correm atrás da moça e a jogam sobre o chão, os mesmo começam a morder e a tirar partes de Helena, ela se debate em total dor, todos observam incrédulos.

HELENA (Gritando): LÍGIA! A SANTA! A SANTA!

Cena 13 (Capela/Noite)

× Lígia observa pela janela, em choque ela ouve as últimas palavras de Helena.

LÍGIA (Lacrimejando): A Santa?

× Lígia caminha de um lado para o outro nervosa.

LÍGIA: O que ela quis dizer?

× Lígia para e olha para o altar ela vai em direção a Santa Rita, ela levanta a santa e cai um papel sobre ela, Lígia se surpreende ao ler.

LÍGIA: Não pode ser… eu convivi esse tempo todo com o inimigo! Eu fui enganada…

× O papel cai sobre o chão revelando o nome " Vitória" Lígia tenta processar ao se virar fica em choque.

VITÓRIA: Eu sabia que você estava a ponto de descobrir a verdade.

LÍGIA: Foi você! Você me usou!

VITÓRIA: Acabou Lígia, chegou ao fim a sua estadia.

× Vitória aponta uma arma, ela se prepara para atirar.

(FIM DO EPISÓDIO)

18/02/2023

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