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Labirinto - Episódio 03
Web Série
Autor: Antônio Almeida

Abertura:

Cena 01 (Escritório de Olga/Noite)

× Lígia tenta se esconder, a porta se abre, ela e Olga ficam cara a cara

OLGA (Sorrindo): Te peguei! O rato sempre vai até sua ratoeira.

LÍGIA: E o que você vai fazer? Hein??! Me mandar para mais uma de suas torturas?? Eu não ligo!!

OLGA: É pouco para um verme igual a você.

× Olga parte para cima de Lígia, ela a encurrala e rapidamente desfere um tapa na moça.

OLGA: Isso é apenas o começo, eu vou lhe afogar, arrancar seus olhos, te enforcar, eu vou fazer jus a fama deste lugar!

× Lígia se levanta, com um olhar de fúria ela parte para cima de Olga, indo até o seu pescoço e a jogando sobre a parede. A diretora tem dificuldades para respirar, Lígia começa a enforcar.

LÍGIA (Sorrindo): Eu irei acabar, aqui e agora com essa sua prepotência, uma hora a casa cai não é mesmo?!!!

OLGA (Ofegante): DESGRAÇADA! ME SOLTA!

LÍGIA: Tenho que aproveitar, essa pode ser a única chance de acabar com a sua raça.

× Lígia aperta ainda mais, Olga se debate.

OLGA (Desesperada): SOCORRO! ME SOLTA!

× Olga entra em pânico, Lígia continua apertando. Porem os médicos do lugar entram no local e contém a moça.

OLGA (Com ódio): Punam esse demônio, mostre a ela que comigo não se mexe!!!

× Olga ofegante se aproxima de Lígia.

OLGA: Todos vão sofrer por sua culpa! TODOS! Satisfeita?

LÍGIA (Furiosa): DESGRAÇADA!!!

× Lígia se debate, a moça é contida e levada. Olga ainda perplexa, respira fundo.

Cena 02 (Quarto/Noite)

× Lígia é jogada sobre um ambiente escuro, a moça não se abala.

LÍGIA (Sorrindo): Arranquem meus braços, queimem a minha pele, façam o que quiserem! Eu prometo voltar, ainda mais forte, as lágrimas em meus olhos secaram.

× Lígia é espancada, ela geme de dor.

LÍGIA: As lágrimas se foram, mas o sentimento de vingança continua. Não haverá dor que acabe comigo.

× Os médicos continuam a socar e chutar Lígia.

Cena 03 (Pátio/Manhã)

× Todos estão enfileirados, Olga chega ao local.

OLGA: A manhã de hoje será única, marcará a mim, mas principalmente a vocês. Quero que saiba que eu, apenas eu farei de vocês minhas meras cobaias.

× Olga solta uma gargalhada, os prisioneiros entram em desespero.

OLGA: Boa sorte aos que sobreviverem, e meus pêsames aos que partirão.

× Os funcionários partem para cima dos prisioneiros que são jogados ao chão e violentados, outros levam chicotadas e são enforcados.

OLGA (Sorrindo): Que Deus os perdoe.

Cena 04 (Escritório de Olga/Manhã)

× Olga entra no local, ela se choca com Luiza.

LUIZA: O que significa essa cena? Essa tortura gratuita??

OLGA: Eu não tenho que lhe dar satisfações.

LUIZA: Mas você tem sim! Isso é doentio!

OLGA: Dane-se. Que parte você ainda não entendeu? Eu quero, eu posso, eu mando!

LUIZA: Isso tudo é por causa dela, está se sentindo ameaçada.

OLGA (Furiosa): Ninguém me intimida! Muito menos uma ninfeta.

LUIZA: Então o reinado está chegando ao fim, espero estar viva para vê-lo cair.

× Luiza se retira, Olga entra em fúria.

OLGA: Se depender de mim você é a próxima! Desgraçada!

Cena 05 (Quarto/Manhã)

× Lígia esforça-se para respirar, uma carta está sobre a porta, ela começa a ler.

LÍGIA: " O mestre sabe o que você fez… ele vai acabar com você"

× Lígia não liga para o recado, ela rasga a carta.

LÍGIA: Eu não tenho medo de nada e nem ninguém, cada pancada levou um pouco de mim…

× A moça tenta se manter forte.

LÍGIA: Eu tenho que sobreviver.

Cena 06 (Varanda/Tarde)

× Olga observa os prisioneiros torturados, ela lança um sorriso e acena.

OLGA: Helena, tá ouvindo?

HELENA: Não, dona Olga.

OLGA: O grito agonizante de cada um desses miseráveis. Acredite, são uma sinfonia para os meus ouvidos.

HELENA (Horrorizada): Você acha isso belo?

OLGA: Belíssimo, a orquestra mais singela que já ouvi em toda minha vida.

× Olga toma um pouco de vinho, ela ergue sua mão. Sorrindo ela debocha da situação.

OLGA: Um brinde ao meu reinado, que ele seja eterno como os gritos que ecoam sobre esse lugar.

× Helena se desespera com o nível de Olga, ela tenta se conter.

HELENA: Mas por quê? Eles não fizeram nada para merecer isso…

OLGA: É apenas um aviso, lembrar quem está aqui em cima e quem está lá embaixo. Eu sou o poder, eles são a miséria.

Cena 07 (Quarto/Tarde)

× Luiza entra no local, ela se aproxima de Lígia.

LÍGIA: O que você está fazendo aqui? Veio mostrar que venceu.

LUIZA: Pelo contrário, quero te ajudar, mais do que ninguém eu quero derrubar a Olga.

LÍGIA: Aos poucos isso se torna impossível.

LUIZA: Vai por mim, precisamos unir forças, juntas nós conseguimos.

LÍGIA: Eu tenho um plano… mas antes eu preciso descobrir quem é o "mestre".

LUIZA: Nunca ninguém soube quem é o cabeça desse lugar, eu vou tentar, mas é difícil arranjar uma informação nesse nível.

LÍGIA: Eu conto com você. Tome isso.

× Lígia tira de suas vestes um molho de chaves.

LUIZA: Como você conseguiu? Lígia, você tá se saindo melhor do que eu imaginava.

LÍGIA: São para fuga. Por favor, fique viva.

× Luiza se retira.

Cena 08 (Pátio/Tarde)

× A maioria dos prisioneiros mortos, sem vestes e com sangramentos. Olga caminha pelo local, ela pisa sobre os corpos.

OLGA: Heloísa, encomende uma missa.

HELENA: Para os que morreram?

OLGA: Não. Para os poucos que sobreviveram, esses sim são vitoriosos.

HELENA (Horrorizada): Isso foi um verdadeiro massacre, Olga.

OLGA: Eu precisava disso, para me sentir mais humana. Nada melhor do que sangue derramado.

HELENA: Mas o que faremos com os corpos?

OLGA: Os queimem, o fogo me traz boas recordações. (RISOS)

× Vitória se levanta, ensanguentada ela parte para cima de Olga.

VITÓRIA: Assassina! Como pode ter feito isso? SEU MONSTRO!

× Vitória cospe em Olga.

OLGA (Sorrindo): Acho que isso foi pouco para alguém como você.

× Olga estala os dedos, os médicos agridem Vitória, que cai sobre o chão.

OLGA: Como sempre vocês medíocres me servindo o melhor entretenimento. Levem-a ao quartinho.

VITÓRIA: Não! Não!

OLGA (Sorrindo): Minha misericórdia acabou.

× Vitória é levada, Olga continua a caminhar pelo local.

Cena 09 (Jardim/Noite)

× Os corpos são levados para o jardim, ao frio da noite Olga observa o monte queimando.

OLGA (Fascinada): Vocês estão presenciando um de meus maiores feitos!

HELENA: Isso é doentio, dona Olga. É melhor parar!

OLGA: Parar por quê? Eu só estou começando… sinta esse calor, sinta a dor e aflição dessa gente. Estão livres!

× Os funcionários observavam horrorizados, Olga sorri.

OLGA: Agora só falta ela. (RISOS): O fim de uma noite tão espetacular.

× Olga se retira.

Cena 10 (Quarto/Noite)

× Olga entra no local junto a dois funcionários com dois baldes de água fervente.

LÍGIA: O que significa isso?

OLGA: Sabe como acabamos com as pragas? As queimando. (RISOS): Meninos, podem começar.

× Os funcionários rasgam as vestimentas de Lígia e jogam água quente sobre a pele da moça, ela se contorce e grita.

OLGA: Você não sabe o prazer de prestigiar uma cena tão gloriosa como essa.

Cena 11 (Quarto dos funcionários/Noite)

× Helena entra abalada.

HELENA: Isso já está saindo do controle, Lorenzo.

LORENZO: E você acha que eu não percebi?

HELENA: Isso que a Olga está fazendo é desumano!

LORENZO: Precisamos tomar providências, antes que isso fuja de controle.

HELENA: Já fugiu, e vai sobrar para nós.

× Lorenzo e Helena se olham preocupados.

Cena 12 (Quarto/Noite)

× Os funcionários continuam a jogar água sobre Lígia, ela chora em desespero.

OLGA (Sorrindo): Hoje morreram cinquenta, amanhã mais cinquenta, depois mais cinquenta, até não sobrar nenhum.

LÍGIA (Gritando): DESGRAÇADA!

OLGA (Sorrindo): " Deus me ajuda" " Deus tenha piedade". (RISOS): Pelo jeito, Deus não ajudou. Foi tão prazeroso vê-los sofrendo, os gritos, os rostos, foi um banquete para os meus olhos.

× Olga derrama mais água quente.

OLGA: Por culpa sua, velhos, crianças, jovens morreram agonizados. Obrigado, Lígia. Você não é diferente de mim!

× Os funcionários continuam a jogar a água em Lígia, a moça tomada pela fúria levanta-se, ela parte para cima de Olga, os homens tentam contê-la, ela pega no pescoço de Olga. A moça em fúria joga Olga sobre o chão e pega um dos baldes de água quente jogando sobre ela, a diretora se contorce de dor, formando bolhas sobre sua pele. Lígia joga mais um balde, Olga se contorce, Lígia aproveita o momento e sai correndo.

Cena 13 (Corredor/Noite)

× A moça corre pelo corredor, ao final ela encontra um papel.

LÍGIA: " Me encontre na sala dos funcionários, irei revelar quem é o mestre"

× Lígia, ainda impactada pelas fortes queimaduras entra em choque, esforçando-se para andar, ela esquece tudo a sua volta, seu semblante destruído e sua pele marcada acompanha a sua dor, ela se treme mesmo assim tenta se conter. Ela vai em direção ao quarto e se surpreende com a voz de Vitória.

VITÓRIA (Desesperada): Lígia, me ajuda! Eles me torturaram, eu… eu não consigo mais.

LÍGIA: Vitória?

× Lígia entra em choque e para, ela fica indecisa.

(FIM DO EPISÓDIO)

11/02/2023

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