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Amor Sem Limite - Capítulo 08

 

Web Novela

Autor: Lincoln Ribeiro

Supervisão de Texto: Dinho Oliveira

 

Abertura:

Cena 01 (Casarão de Vincenzo. Escritório. Interna. Tarde)

 

VINCENZO: A senhora me dá medo falando desse jeito. Que ideia se passa pela sua cabeça?

 

FRANCESCA: É bem simples, Vincenzo. Agora nós já sabemos que a Analice não é sua filha, será fácil usar dela para atacarmos a Inês.

 

VINCENZO: Você quer que eu use da minha filha para prejudicar a minha mulher?!

 

FRANCESCA (Séria): Ela não é sua filha, e a Inês também não é mais a sua mulher! Nós entraremos com um pedido para deserdar a Analice do seu testamento, para que ela não tenha direito a um vintém sequer da fortuna da nossa família!

 

VINCENZO: Ela pode não ser minha filha legítima, mas foi eu que lhe dei amor durante todos esses anos. Eu faço parte da formação dela, eu a vi dar seus primeiros passos, falar as primeiras palavras, crescer… isso não me faz seu pai?!

 

FRANCESCA: Não é hora para ser emotivo, Vincenzo! Tenha sangue frio ao menos uma vez na vida! Você depositou nesta Inês todo o seu amor e olha como ela lhe retribuiu, com uma filha de outro homem. Você se deitou durante vinte anos com uma adúltera. Acha que é justo uma bastardinha receber o dinheiro suado que a nossa família lutou anos para conseguir?!

 

【Vincenzo fica pensativo.

 

Cena 02 (Casarão dos Fernandes. Sala. Interna)

 

【Analice e Rui conversam sentados ao sofá.

 

RUI (Perplexo): Eu ainda não acredito em tudo isso, é horrível!

 

ANALICE: É o que minha mãe revelou... (Lacrimejando): Sabe, o que mais me dói é pensar que eu nunca poderei conhecer meu pai biológico. E não por culpa da minha mãe, mas por culpa do destino que foi tão covarde em matá-lo. Já pensou o quanto minha vida seria diferente se minha mãe tivesse seguido a vida ao lado desse homem?!

 

RUI: Eu não consigo nem imaginar pelo que está passando, mas apesar de tudo, seu pai continuará sendo seu pai, Ana. Sua mãe continuará sendo sua mãe. Vai ser um período difícil agora, mas em breve as coisas voltarão ao normal. Provavelmente não voltarão a ser como eram antes, mas as pessoas ainda estarão ali para você. Não é o momento de achar que sua mãe é menos sua mãe por ter feito o que fez, ou que seu pai é menos seu pai por não ter seu sangue. O momento é de abraçar os dois, porque são eles quem fazem parte da sua vida. Você concorda?

 

ANALICE (Chorando): Eu concordo… mas me sinto tão perdida. De uma hora para outra a minha vida teve uma guinada que eu jamais imaginei. Não faço ideia de qual caminho devo seguir agora.

 

RUI: Analice, você tem todo um passado para descobrir, por que não vai atrás das suas origens?

 

ANALICE: Minhas origens?

 

RUI: Quem sabe você não tenha algum parente vivo da parte do seu pai biológico? Talvez avós, tios, primos… pessoas que possam contar para você quem era esse homem.

 

ANALICE: Eu não tinha parado para pensar nisso, mas já é alguma coisa.

 

RUI: Eu sei que ainda está ressentida, mas converse com sua mãe, provavelmente ela poderá te ajudar nisso. Às vezes é preciso conhecer seu passado para entender quem você é no presente, Ana.

 

【Analice se sente tocada pelas palavras do amigo e reflete profundamente.

 

Cena 03 (Casarão dos Mello. Quarto. Interna)

 

【Irene e Inês estão juntas no quarto, conversando.

 

IRENE: Você precisava ver a arrogância que a Francesca falava da sua pessoa. Assim que eu soube o que tinha acontecido vim imediatamente para cá.

 

INÊS: Ah, Irene, você nem imagina como eu estou me sentindo. É uma mistura de medo e alívio. Eu tirei um fardo das minhas costas por não ter mais que guardar esse segredo e me livrar da Francesca. Mas eu tenho medo de que minha filha nunca mais me perdoe, ou até mesmo que o Vincenzo passe a me olhar com ódio, sabe? Apesar de eu não amá-lo, o Vincenzo foi o melhor homem que eu pude ter durante esses anos.

 

IRENE: De fato, eu sei mesmo o quanto ele foi um bom pai e um bom marido. Quando eu cheguei a sua casa, o Vincenzo estava conversando com aquela megera. De certo estavam conversando sobre o desquite de vocês, que é o que deve acontecer, não é?

 

INÊS: Eu acho que sim. Nem mesmo o Vincenzo seria capaz de me perdoar pelo que fiz. A essa altura ele já deve me odiar.

 

IRENE: Não é o Vincenzo que me preocupa, mas sim o papai. Ele pode não estar aqui agora, mas quando chegar de viagem...

 

【Inês olha para a irmã e solta um suspiro de preocupação.

 

Cena 04 (Casarão de Vincenzo. Sala de Jantar. Interna. Noite)

 

【Analice põe a mesa, e Vincenzo aparece no cômodo.

 

ANALICE: Como a mamãe não está aqui, eu preparei uma sopa para nós dois.

 

VINCENZO: Analice, eu não sei nem se tenho cabeça para comer algo agora.

 

ANALICE: Mas o senhor precisa se alimentar, meu pai.

 

VINCENZO: Ah, minha filha, só você mesmo para se preocupar comigo numa hora dessas. Saiba que nada mudou entre a gente, nós não precisamos sair feridos por algo que a sua mãe fez.

 

ANALICE: Não tem como dizer que eu não estou ferida, mas eu também continuo o considerando meu pai, e nada irá mudar isso.

 

【Ambos se abraçam, consolando um ao outro. Em seguida, se sentam à mesa e passam a jantar em silêncio.

 

Cena 05 (Casarão dos Mello. Externa. Manhã)

 

【Ainda é cedo e o sol brilha com pouca intensidade. Analice chega na porta da casa de sua avó e chama no portão. Prontamente, Inês aparece e se surpreende ao ver a filha.

 

INÊS (Surpresa): Analice, o que faz aqui? Entre, minha filha.

 

ANALICE: Não será preciso, serei direta. Eu quero saber de você tudo sobre o meu passado!

 

INÊS: Como assim o seu passado? Por que isso agora?

 

ANALICE: Eu pensei muito durante essa noite e sinto que é isso que preciso. Saber como você conheceu esse homem que era meu pai, quem ele era, e o mais importante, conhecer quem possa ser da minha família.

 

INÊS: Eu não entendo o porquê disso. Analice, você está me pedindo para revisitar um passado que eu já enterrei.

 

ANALICE: A senhora enterrou, mas já eu sequer tive esse passado. O que eu estou te pedindo é o mínimo que pode fazer por mim agora, não acha?

 

INÊS: Tudo bem, reconheço seu direito. Eu não conhecia toda a família do Edgar, mas cheguei a conhecer os pais dele.

 

ANALICE: Então eu tenho avós por parte desse pai e eles nunca souberam disso?

 

INÊS: Infelizmente foi necessário, Analice. Mas agora que você e seu pai já sabem, não há mais nada para esconder. E não me pergunte por que, mas eu sei onde eles moram atualmente, e se for isso que realmente quer, eu posso te levar até lá.

 

ANALICE (Séria): Pois é o que eu quero, mãe!

 

INÊS: Me deixe pegar minha bolsa, e então tomaremos um carro de aluguel.

 

Cena 06 (Escritório de Advocacia. Interna)

 

【Francesca e seu filho estão reunidos com o advogado da família.

 

GARCIA: Realmente, é uma situação muito atípica, dona Francesca.

 

FRANCESCA: Mas nós conseguimos, não é? Garcia, eu não quero que essa menina herde algo do meu filho! Nada!

 

GARCIA: É um processo um pouco demorado, mas nós conseguimos fazer sim. Já que a Analice não é filha legítima do Vincenzo, é perfeitamente possível retirá-la do testamento.

 

VINCENZO (Nervoso): Então ela não receberá nada da minha herança?

 

GARCIA: É para isso que se deserda alguém, Vincenzo.

 

FRANCESCA (Séria): E não só a filha, mas principalmente a Inês. Eu quero que ambas fiquem sem nada!

 

【As palavras da mulher deixam Vincenzo receoso.

 

Cena 07 (Rua. Externa)

 

【Um carro para em frente a um lote que possui uma casa antiga e destroçada. Analice e a mãe saem do veículo e, ao ver a cena, Inês fica em lágrimas.

 

ANALICE (Confusa): Que lugar é esse que nos trouxe?

 

INÊS (Chorando): Foi aqui onde tudo ocorreu, minha filha. Foi aqui naquela maldita noite que o Edgar morreu, e eu presenciei tudo sem poder fazer absolutamente nada. Eu nunca tive coragem de voltar aqui desde aquele dia...

 

ANALICE (Tocada): Eu não fazia ideia de que a senhora tinha passado por tudo isso...

 

【Inês se ajoelha na calçada e começa a chorar. Analice coloca a mão sobre o ombro de sua mãe, na intenção de consolá-la. Depois de alguns minutos ali, Inês se levanta e passa a mão sobre os olhos.

 

INÊS (Se recompondo): A casa atual dos seus avós é aqui perto, nós podemos ir andando, vamos.

 

【Inês apressa seu passo, e Analice a segue.

 

Cena 09 (Casa. Externa)

 

【Inês para em frente a uma casa simples. Analice observa.

 

INÊS: É aqui. Tem certeza de que quer fazer isso?

 

ANALICE (Determinada): Tenho!

 

【Analice bate palmas. Augusta sai da casa e vai até o portão.

 

AUGUSTA: Perdão, mas eu a conheço?

 

ANALICE (Nervosa): Eu...

 

【Vitório também sai da casa e vai ao encontro delas. Inês fica comovida ao ver os pais do seu amado ali juntos de novo.

 

VITÓRIO: Quem está aí, mulher?

 

ANALICE (Lacrimejando): Eu sou… meu nome é Analice! E para vocês eu sou uma completa desconhecida, por isso vai soar estranho o que eu vou dizer mas... (Emocionada): Eu sou vossa neta!

 

AUGUSTA (Surpresa): Como?!

 

ANALICE (Chorando): Eu sou vossa neta, filha do vosso filho Edgar! E tudo que eu mais quero agora é poder abraçar vocês, da mesma forma em que eu nunca pude fazer com meu pai.

 

【Mesmo confusos, Augusta e Vitório se sentem tocados pela revelação da moça. Analice os abraça, e eles retribuem, tentando entender a situação. Inês assiste a cena emocionada. Emotivos, os três se abraçam calorosamente.

 

(FIM DO CAPÍTULO)

 

Créditos:

20/03/2023

 

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