Amor Sem Limite - Capítulo 41
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Autor: Lincoln Ribeiro
Supervisão de Texto: Dinho Oliveira
Abertura:
Cena 01 (Mansão Ferrara. Sala. Interna. Manhã)
ANALICE (Chorando): Não é possível... Esse tempo todo... Eu tenho o mesmo sangue que a minha avó, meu Deus!
【Ela continua a ler o diário, em busca de explicações.
FRANCESCA (Narrando): Nada deve fazer sentido para você agora, bambina. Mas se eu não posso lhe contar toda a história, só há uma pessoa que pode: a Augusta.
ANALICE (Pensativa): Será que a minha avó sabia de tudo durante todo esse tempo? Eu preciso compartilhar isto com alguém!
【Ela sai da casa depressa, levando o diário consigo.
Cena 02 (Casarão de Vincenzo. Sala. Interna)
【Analice chega em casa e encontra Inês sentada no sofá, bordando.
ANALICE (Nervosa): Onde está a Isis, mãe?
INÊS: Eu levei ela na casa daquela amiguinha. Aconteceu algo contigo, minha filha?
ANALICE: Eu descobri algo que não sei como lhe dizer...
INÊS (Preocupada): Está me afligindo, Analice. O que houve?
【Analice estende o braço e entrega o diário de Francesca aberto para Inês.
INÊS: Este é o diário da sua avó que havia me falado?!
ANALICE: Leia esta página. A senhora irá entender tudo.
【Inês rapidamente lê e fica confusa.
Cena 03 (Casarão. Quarto. Interna)
【Rui e Tiago estão deitados na cama, após terem passado a noite juntos.
RUI: Sua mãe não irá lhe dizer nada por passar mais uma noite fora de casa?
TIAGO: Provavelmente ela vai sim estranhar, Rui. Mas não se incomoda com isso.
RUI (Sorrindo): E por que não se muda de uma vez aqui para minha casa?
TIAGO (Sorrindo): Já deve ser a décima vez que me pede isso. Você sabe que eu quero, mas praticamente estou sustentando a minha mãe, por opção minha. Ela já passou muitos anos de vida trabalhando como doméstica, e agora merece um descanso. Portanto, se for para eu deixar a casa dela para vim morar contigo, eu acho que a minha mãe tem o direito de saber de nós dois.
RUI: Você tem certeza de que quer fazer isso, Tiago?
TIAGO: Você já se libertou de tudo, agora é a minha vez, Rui. As pessoas irão comentar dois homens solteiros morando juntos, então quero que ao menos minha mãe esteja ciente.
RUI: E saiba que eu vou estar ao seu lado na sua decisão, Tiago.
【Eles sorriem e se beijam.
Cena 04 (Casarão de Vincenzo. Sala. Interna)
INÊS (Incrédula): Mas eu não estou entendendo nada, Analice! Não faz sentido algum! Como a Francesca pode ser mãe do meu Edgar?!
ANALICE: Eu também não sei como isso aconteceu, mas faz sentido para mim! No fim, eu sempre fui neta legítima da Francesca!
INÊS: O Edgar... Seu pai... Ah, Analice!
【Ela abraça a filha, ambas emocionadas.
INÊS (Emocionada): Como podemos saber que isto é verdade, minha filha?
ANALICE: É como minha avó disse, só há uma pessoa capaz de nos contar...
Cena 05 (Casa de Augusta e Vitório. Externa. Tarde)
【Analice e Inês aguardam no portão e são atendidas por Ernesto.
ERNESTO (Sorrindo): Inês! Veio me ver?
INÊS (Sorrindo): É sempre bom te ver, Ernesto. Mas desta vez viemos falar com sua mãe.
ERNESTO: Então por favor, entrem.
Cena 06 (Sala. Interna)
【Ernesto entra na casa com as mulheres, e Augusta vem da cozinha enxugando as mãos num pano de prato.
AUGUSTA: Ô, minha neta, me desculpa o mal jeito, mas eu estava agora mesmo terminando o almoço...
ANALICE (Séria): Tudo bem, vó. Nós não queremos atrapalhar a senhora, só temos um assunto a tratar.
VITÓRIO (Sorrindo): Vieram falar do casamento do Ernesto com Inês?
ANALICE: Eu não sei se há problema mostrar isto aqui na frente de todos, mas agora que já sei, creio que não é segredo para ninguém.
【Analice pega o diário de Francesca e mostra para Augusta.
ANALICE: Este diário foi deixado pela Francesca para mim, vó. E nele, ela diz algo que é realmente difícil de acreditar, mas que só a senhora pode esclarecer. É verdade que a Francesca é mãe do meu falecido pai Edgar?
【Augusta e Vitório trocam olhares sérios, enquanto Ernesto fica pasmo.
AUGUSTA (Séria): Então quer dizer que a Francesca lhe deixou este caderno contando tudo?
INÊS: Então o que ela fala é verdade, Augusta?
ERNESTO (Indignado): Mas como isso é possível?! Como eu nunca soube disso?!
ANALICE: E principalmente, como o Edgar foi parar nas suas mãos, vó? Há quanto tempo sabia disto? A Francesca abandonou o meu pai?!
VITÓRIO: Vocês todos estão muito aflitos! A Augusta vai contar tudo a vocês, mas precisam ter paciência!
AUGUSTA: Senta aqui, minha neta.
【Ela e Analice se sentam no sofá, e os outros fazem o mesmo.
AUGUSTA: Você não pode julgar a Francesca pelo que aconteceu, porque ela mesma não teve culpa de nada. A sua avó engravidou ainda muito cedo, e o pior, engravidou antes mesmo de se casar...
INÊS (Pasma): A Francesca engravidou de alguém antes do Matteo?!
AUGUSTA: Pior, Inês, o pai dela era um Italiano com uma moral intocável, e quando a barriga da Francesca começou a crescer, ele a isolou do mundo e mandou matar o homem por quem ela tinha engravidado.
ANALICE (Em choque): O quê?
AUGUSTA: E ele provavelmente teria feito o mesmo com o Edgar, se eu não tivesse intervido.
ERNESTO: Era nesta casa que a senhora trabalhava?
AUGUSTA: Eu era só uma empregada...
(FLASHBACK - INÉDITO)
【Sobre a cama de um quarto, uma mulher tenta exaustivamente dar a luz ao filho. É Francesca, com um aspecto jovial e quase irreconhecível. Algumas mulheres ajudam a realizar o parto, e entre elas está Augusta, também jovem. Um lindo menino nasce, e a parteira o pega em seus braços. Porém, antes mesmo que ela pudesse entregá-lo à mãe, o patriarca invade o quarto e pega violentamente o bebê. Francesca tenta berrar e implorar, mas é em vão, fazendo com que ela desmaie sem forças. Augusta vai atrás de seu patrão e o encontra no corredor do casarão.
AUGUSTA (Desesperada): Senhor, para onde esta criança será levada?! Não faça nada com ela, eu lhe imploro! Eu posso cuidar desse bebê!
(FIM DO FLASHBACK)
ANALICE (Pasma): E ele aceitou?
AUGUSTA (Lacrimejando): Aceitou, acho que apesar da maldade, faltou coragem para aquele homem fazer qualquer coisa com o Edgar, graças a Deus. No mesmo dia, eu saí daquele casarão com o Edgar no colo, e não voltei mais. O Vitório se assustou quando me viu chegar com uma criança, mas o Edgar foi uma benção que nós tivemos.
ERNESTO (Embasbacado): Os senhores nunca me contaram a história completa. Então o meu irmão...
AUGUSTA (Chorando): Nasceu do ventre da Francesca. O pai e a mãe da Francesca mantiveram esse segredo à sete chaves. Graças a uma amiga minha que trabalhava no casarão, a Francesca soube que eu estava com o Edgar, mas ela não veio procurar. Poucos meses depois do parto, ela se casou com o Matteo, obviamente contra a própria vontade. E posteriormente, como era de se esperar, ela engravidou. O Edgar já tinha quase dois anos de idade quando o Vincenzo nasceu.
INÊS (Comovida): Casamento arranjado... Eu não posso imaginar tudo que ela sofreu...
VITÓRIO: Eu trabalhei como chofer dos Ferrara durante algum tempo na mansão, assim que ela se casou com o Matteo. A cada dia que se passava, parecia que ela se tornava ainda mais amarga, todos nós a conhecíamos como uma megera. Era totalmente diferente da Francesca que a Augusta conheceu.
AUGUSTA: Quando eu trabalhava naquela casa, a Francesca era uma menina com brilho no olhar, que parecia ser cheia de sonhos, me lembra até você, Analice. O único momento em que ela se sentia reprimida, era quando estava com os pais. Se ela se tornou a mulher prepotente que todos conheceram depois, é porque ela foi transformada nisto.
ANALICE: Isso explica tanta coisa... Explica porque ela sempre depositou tanto ódio em minha mãe, e porque ela sempre quis tanto proteger o meu pai Vincenzo...
INÊS: E quando vocês voltaram a se encontrar? Porque isso aconteceu, não aconteceu?
AUGUSTA: A Francesca nunca pôde rever o filho, Inês. Porque ela só voltou a me procurar quando... Quando o Edgar já havia morrido. Ela soube do incêndio que atingiu nossa casa e veio até mim, sendo aquela a primeira vez em anos que nos víamos.
ANALICE: Mas e quanto ao diário? Você sabia que ela iria me contar tudo?
AUGUSTA: Nós nos encontramos poucos dias antes dela morrer, Analice. Ela me procurou quando você disse a ela os nossos nomes, e soube que éramos seus avós. Conversamos muito, e ela me disse que incluiría você no testamento. Eu disse a ela que era besteira pensar nisso agora, pois ainda teria muito tempo de vida, mal sabia eu...
ANALICE (Ansiosa): Por favor, vó, me conte com detalhes o que conversaram. Se era de mim que estavam falando, eu tenho esse direito!
Cena 07 (Casarão de Rui. Sala. Interna)
【Tiago chega no casarão com a mãe, que estranha a situação. Rui os aguarda.
ANGELA: Rui, eu ainda não entendi porque o Tiago me trouxe aqui. Por acaso quer que eu volte a trabalhar para o senhor?
RUI: Imagina, Angela, nós não viemos aqui para falar disto.
TIAGO: E eu já lhe disse que a senhora não precisa mais trabalhar, mãe.
ANGELA (Confusa): Então eu realmente não entendo, porque eu sei que vocês são amigos, mas...
TIAGO (Sério): É justamente sobre isso que eu queria lhe falar, mãe. Aliás, que nós queríamos lhe falar. Quando conversamos aquele dia, eu a disse que esperava que a senhora não me julgasse quando soubesse dos meus segredos.
【Tiago vai até Rui e fica ao lado dele.
TIAGO: Eu escondi a minha vida inteira, mãe. O Rui faz parte do que eu sou, porque ele é o companheiro que eu escolhi para mim, e é a pessoa que eu amo!
【Tiago e Rui se olham com firmeza e dão as mãos. Enquanto Angela olha para o filho sem reação.
(FIM DO CAPÍTULO)
Créditos ao som de (Marcelo Jeneci - Feito Pra Acabar):
21/06/2023
© GS Literatura.