Amor Sem Limite - Capítulo 18
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Autor: Lincoln Ribeiro
Supervisão de Texto: Dinho Oliveira
Abertura:
【Um novo dia nasce em São Paulo.
Cena 01 (Casa de Vincenzo. Quarto. Interna. Manhã)
【Analice entra em seu quarto com um papel em mãos. Ela se deita na cama e rapidamente abre o envelope, lendo o conteúdo da carta escrita por Antônio.
ANTÔNIO (Narrando): Analice, o Rio de Janeiro é uma cidade incrível! Embora ainda vá demorar um pouco para começar o ano letivo, já estou ansioso para o início das minhas aulas. É um sonho que estou realizando, e tudo só não está melhor por não tê-la aqui junto a mim. Fui até a praia de Copacabana e desejei que tu estivesses aqui comigo admirando as belezas desta Cidade Maravilhosa. Tinha razão quanto ao presente que me deu antes de partir, sinto falta de você e do beijo que me deu todos os dias, e penso nisto a cada segundo. Espero que esteja tudo bem contigo e anseio desde já por uma resposta sua. Com amor e saudade, Antônio.
【Analice coloca a carta sobre o peito e sorri emotiva.
ANALICE (Emocionada): Antônio… ele ainda não sabe sobre meu pai, meu Deus. Como eu vou escrever uma carta a você no estado em que estou?!
【Alguém bate à porta, e Analice rapidamente esconde a carta embaixo do travesseiro e enxuga seus olhos. Inês entra no quarto.
INÊS: Eu estou indo lá na casa de sua tia. Você vem comigo, Analice?
ANALICE: Claro, mãe.
Cena 02 (Casa de Martin. Sala. Interna)
【As duas estão sentadas à mesa com Eva e Irene.
EVA (Desolada): Ah, meu Deus, quantas tragédias vêm abalando nossa família ultimamente...
IRENE: O Vincenzo teve coragem de deixar vocês nessas condições, minha irmã?
INÊS: Lamentavelmente sim.
EVA: E o que você pretende fazer agora, minha filha?
INÊS: Eu não sei. Passei minha vida me dedicando a este casamento com o Vincenzo. Nunca trabalhei, não tenho experiência com nada, mas agora preciso me reerguer para sustentar nossa família.
INÊS: E por que vocês não vêm morar aqui conosco?
ANALICE: Isso não, tia. Agora que a vovó está morando aqui com vocês, não queremos vos dar mais trabalho.
IRENE: Quantas vezes terei que dizer que não é trabalho nenhum tê-las aqui em casa?
INÊS: De qualquer forma, eu não poderei passar o resto da vida aqui. O dinheiro que o Vincenzo nos deixou ainda dá para nos manter durante um tempo, mas até que descubramos o que fazer, a única solução viável que vejo é vendermos o casarão.
ANALICE (Surpresa): Vender o casarão do meu pai?!
INÊS: Com o dinheiro poderíamos comprar uma casa menor e vermos a melhor forma de seguir, minha filha.
【Analice abaixa a cabeça, lamentando.
Cena 03 (Casarão dos Fernandes. Externa)
【Analice chega no portão da casa de Rui e encontra Tiago cuidando do jardim da frente. O homem vai até ela.
TIAGO: Pois não?
ANALICE: Boa tarde, eu sou amiga do Rui e gostaria de falar com ele.
TIAGO (Estranhando): Amiga?
ANALICE: Sim, ele está?
TIAGO: Está… eu vou abrir o portão para você.
ANALICE (Sorrindo): Obrigada!
【Tiago abre o portão, e ela entra. O moço a encara com ciúmes.
Cena 04 (Sala. Interna)
【Analice e Rui se sentam no sofá e começam a conversar. Tiago os observa escondido.
RUI: O que a traz aqui, Ana? Está tudo bem?
ANALICE: Na verdade não, Rui. Está tudo péssimo. Além de ter que lidar com a morte do meu pai, eu estou enfrentando a situação que ele me deixou antes mesmo de morrer.
RUI: Do que está falando?
ANALICE: Eu fui deserdada do testamento.
RUI (Surpreso): O quê?!
ANALICE: Exatamente isso...
RUI: Mas como? E a sua mãe?
ANALICE: Ela também não ficou em boa situação. Tudo não passou de um plano da minha avó Francesca, que deu certo.
RUI: Ah, meu Deus… eu me sinto tão culpado, porque certamente foi meu pai que realizou os trâmites legais disso tudo.
ANALICE: Você não tem culpa de nada, Rui, não foi para te culpar que eu vim aqui. Apenas queria desabafar com um amigo, e eu sinto que com você posso fazer isso.
RUI: É claro que pode, Ana. Eu já disse que pode contar comigo pro que precisar.
ANALICE: Mas agora você não tem muito como me ajudar, Rui. Tudo virou de ponta-cabeça de uma hora para outra. Sempre tive uma vida confortável, sem ter que me preocupar com bens financeiros, mas agora minha mãe até está pensando em vender a casa em que vivemos durante anos para podermos nos sustentar.
RUI: Vender a casa?!
【Analice assente com a cabeça, e Rui pensa um pouco, até que tem uma ideia.
RUI: Analice, eu acho que eu posso sim ajudar você.
ANALICE (Curiosa): De que maneira?
RUI: É simples, Analice. Por que não se casa comigo?
ANALICE (Pasma): O quê?!
【Tiago, que ainda estava ouvindo a conversa, se surpreende com o pedido de Rui, que aparenta firmeza em sua fala. Analice segue sem saber o que dizer.
RUI: É o que eu estou lhe dizendo, Ana. Se casa comigo, eu poderei dar a mesma vida confortável que você e sua mãe levavam. Estou disposto a ajudar vocês.
ANALICE (Nervosa): Calma, Rui, você está confundindo as coisas. Nós sempre fomos amigos, e nunca passamos ou passaremos disto. Eu não sei o que sente por mim, mas acredito que não seja o mesmo que eu sinto por você. Além do mais, não sou nenhuma interesseira para aceitar isso.
RUI: Mas não seria apenas por interesse da sua parte, mas da minha também. Você sabe, Analice, há anos meus pais me pressionam para me casar de uma vez, e não aguento mais isso. Você é uma pessoa especial, talvez poderíamos ser felizes...
ANALICE: Rui, é muita gentileza da sua parte me fazer esse pedido, mas eu não posso aceitar. Você é uma pessoa maravilhosa, e eu quero que continuemos amigos. Na hora certa você irá encontrar a mulher certa que poderá amar, e ela lhe amará também.
【Rui fica constrangido.
RUI: Você tem certeza, Ana?
ANALICE: Tenho, Rui. Mas não quero que isso atrapalhe nossa amizade. Eu preciso ir agora, mas por favor, não precisa me levar até a porta.
【Tiago se esconde ainda mais para Analice não notar sua presença. Analice vai embora, deixando Rui pensativo no sofá.
Cena 05 (Quarto dos Fundos. Interna)
【Tiago entra no quarto aparentemente abalado e se senta em uma cadeira. Uma memória junto a Rui passa por sua mente. Os olhos do rapaz começam a marejar.
TIAGO (Pensamento): Quando eu vou ter coragem de assumir o que sinto por você, Rui?
UMA SEMANA DEPOIS...
Cena 06 (Mansão Ferrara. Quarto. Interna. Manhã)
【Valsino entra no quarto de Francesca, que ainda está dormindo, e abre as cortinas da janela, fazendo com que a mulher acorde.
FRANCESCA (Irritada): O que é isso, Valsino?! Por que está me acordando desta forma?
VALSINO: Desculpe, senhora, mas já passa das onze da manhã. Quer que seu almoço seja servido no quarto?
FRANCESCA: Não há necessidade, já me sinto disposta a levantar.
VALSINO: Sabe, dona Francesca, eu soube de uma coisa que talvez possa lhe interessar...
FRANCESCA: Nada pode me interessar agora, Valsino.
VALSINO: A senhora sabia que a Inês colocou o casarão que era do seu filho à venda?
FRANCESCA (Surpresa): O quê?! A casa do meu bambino?
【Valsino assente com a cabeça e se retira, deixando Francesca perdida em seus pensamentos.
Cena 07 (Salão de Festas. Interna)
【Alguns empregados trabalham na decoração e ornamentação do local. Irene está nervosa e conversa com sua mãe e irmã.
INÊS: O local é ótimo, Irene. Maior do que eu esperava.
EVA: De fato, será uma grande festa para nossa menina.
IRENE: Eu sei que o momento talvez não seja tão propício para comemorações, mas eu e o Martin já estávamos planejando tudo há meses.
INÊS: Imagina, a Beth merece, é uma ótima menina.
IRENE: Disso eu não tenho nada a reclamar mesmo, Inês...
【Ela vê um homem carregando um vaso de flores e vai até ele.
IRENE (Nervosa): Não, não, por favor. Este vaso é para ficar ali, entendeu?
【Ele sai, e Inês se senta numa cadeira.
EVA: E como está a venda da casa, minha filha? Não gosto de saber que está resolvendo tudo sozinha.
INÊS: Está indo tudo bem, mamãe. Já tem um comprador interessado, e se tudo der certo, vou vender para ele mesmo.
EVA: Deus queira que tudo corra bem! O dinheiro da venda será sua salvação, pelo menos por um tempo.
INÊS: Eu e a Analice teremos que baixar um pouco nosso padrão de vida. Éramos muito mimadas pelo Vincenzo, mas agora somos só nós por nós mesmas...
【Inês aparenta cansaço, e sua mãe se preocupa.
EVA (Preocupada): Está tudo bem, Inês?
INÊS: Acordei um pouco indisposta hoje, mas estou bem, mamãe.
Cena 08 (Mansão Ferrara. Cozinha. Interna)
【Francesca chega na cozinha e confere se não há mais ninguém no cômodo. Ela se aproxima de Valsino, que estranha sua presença.
VALSINO: Dona Francesca, precisa de algo?
FRANCESCA: Preciso sim, Valsino. Eu precisarei dos seus serviços.
VALSINO (Nervoso): Meus serviços?
FRANCESCA: Fique tranquilo, não é nada que já não tenha feito antes. E será muito bem pago se fizer bem feito.
(FIM DO CAPÍTULO)
13/05/2023
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